BLS não se aprende assistindo. Cada bloco termina com uma decisão sua.
Segurança, resposta, respiração e pulso — o relógio já está correndo.
Profundidade, frequência, retorno, fração. É aqui que se ganha ou se perde.
Abrir a via aérea, 30:2, e a regra de nunca hiperventilar.
DEA em três passos — o único tratamento que reverte a FV.
Criança, lactente, engasgo, gestante, afogamento, opioide.
Erros que mais aparecem na prática e revisão de 60 segundos.
Em todo slide com caixa hachurada, escreva sua conduta antes. Eu só revelo depois que alguém falar em voz alta.
Primeira revisão completa desde 2020. O essencial do BLS não mudou — mudaram quatro coisas que caem em prova.
As cadeias separadas (adulto/pediátrica, intra/extra-hospitalar) viraram uma cadeia universal de 6 elos. Recém-nascido tem cadeia própria.
Adulto e criança: 5 tapas dorsais + 5 compressões abdominais, alternando, começando pelas costas.
Suspeita de overdose por opioide agora aparece explicitamente no fluxo do BLS, com algoritmo próprio.
Comprimir com 2 polegares ou com a região tenar de uma mão. Dois dedos não atingem profundidade.
Comprimir primeiro (C-A-B) · 100–120/min · pelo menos 5 cm (sem passar de 6) · 30:2 · retorno total do tórax · pausas < 10 s · choque o mais cedo possível.
Segurança · resposta · respiração · pulso — em menos tempo do que leva para pensar.
Sem RCP, a chance de sobreviver cai algo entre 7% e 10% a cada minuto. A RCP não reverte a parada — ela segura o relógio até o choque chegar.
O cérebro tolera cerca de 4 a 6 minutos sem fluxo antes da lesão irreversível. Compressão de qualidade gera só ~20–30% do débito normal — por isso ela não pode parar.
Cessação súbita da atividade mecânica do coração, confirmada por irresponsividade + ausência de respiração normal + ausência de pulso.
Morte natural inesperada por causa cardíaca, em geral até 1 hora do início dos sintomas. A PCR é o evento; a morte súbita é o desfecho.
Retorno da circulação espontânea: pulso e pressão de volta. É o objetivo do BLS — não o fim do atendimento.
Chocáveis: fibrilação ventricular (FV) e taquicardia ventricular sem pulso (TVSP).
Não chocáveis: assistolia e AESP (atividade elétrica sem pulso).
No BLS você não precisa nomear o ritmo. O DEA decide se choca. Nomear ritmo é tarefa do ACLS, com monitor.
Em 2025 a AHA unificou as cadeias que antes eram separadas. Os três primeiros elos são exatamente o que você aprende hoje.
Identificar a PCR e chamar ajuda / SAMU 192 ou o código azul.
Comprimir forte, rápido e quase sem pausas.
DEA ou desfibrilador manual, o mais cedo possível.
Via aérea, drogas, causas reversíveis — ACLS.
Alvos de PA, ventilação, temperatura, coronariografia.
Reabilitação, suporte psicológico ao paciente e à família.
O elo mais frágil é o primeiro: alguém precisa reconhecer e começar. Só cerca de 1 em cada 10 vítimas sobrevive.
Aqui o elo frágil é a vigilância: a maioria das PCRs de enfermaria é precedida por horas de deterioração ignorada.
Cama alta demais, grades levantadas, bomba de infusão no caminho, cabeceira encostada na parede. Baixe a cabeceira, abaixe a cama, tire a grade — isso é segurança da cena intra-hospitalar.
Toque nos ombros e chame alto: "Você está bem?" Sem resposta = vítima irresponsiva.
Chame quem estiver perto. Você não vai conseguir sozinho.
SAMU 192 · Bombeiros 193 · no hospital, o código de parada. Use o viva-voz do celular e fique com a vítima.
Nomeie a pessoa e mande buscar o DEA e o material de emergência.
Ligue em viva-voz, não saia de perto e comece a comprimir enquanto fala. O atendente do SAMU orienta RCP por telefone.
Adulto com colapso súbito presenciado: vá buscar ajuda/DEA primeiro (provável FV). Criança, lactente, afogamento ou asfixia: faça 2 minutos de RCP antes de sair — aqui a causa costuma ser hipóxia.
Procure elevação torácica normal. Sem elevação, ou só gasping, conta como ausente.
Dois dedos na cartilagem tireóidea, deslize para o sulco lateral. Nunca palpe as duas carótidas juntas. Criança: carótida ou femoral. Lactente: braquial.
Profissional treinado erra a palpação em cerca de 1 de cada 3 tentativas. Na dúvida sobre o pulso, a diretriz é clara: trate como PCR e comece a comprimir. O risco de comprimir quem tem pulso é muito menor que o de não comprimir quem não tem.
Para o leigo, a checagem de pulso não é exigida: irresponsivo + respiração ausente ou anormal já é indicação de iniciar compressões. A palpação é do profissional de saúde.
É respiração agônica: reflexo do tronco encefálico já em hipóxia. Aparece em cerca de 40% das PCRs presenciadas nos primeiros minutos.
Tratar exatamente como ausência de respiração: iniciar compressões imediatamente.
Paradoxalmente, gasping é bom sinal prognóstico — indica PCR recente e tronco ainda perfundido. Nunca é motivo para esperar.
Se está irresponsivo e não respira direito, não existe "vamos observar". Existe comprimir.
Não é PCR. Posição lateral de segurança se não houver trauma, monitorize, procure a causa e aguarde o serviço de emergência.
Parada respiratória. Ventilação de resgate: 1 ventilação a cada 6 s (10/min). Recheque o pulso a cada 2 min. Suspeita de opioide → naloxona.
É PCR. Comprima agora: ciclos de 30:2 e DEA assim que chegar.
Na saída 2, muita gente começa a comprimir "por garantia". Se há pulso, comprimir pode induzir arritmia e atrapalha a ventilação que o paciente precisa. E na saída 3, muita gente vai buscar o ambu antes de comprimir — a compressão vem primeiro, sempre (C-A-B).
A única intervenção do BLS que funciona em todos os ritmos, em todas as idades, o tempo todo.
Pelo menos 5 cm no adulto, sem ultrapassar 6 cm. Raso não gera fluxo; fundo demais causa lesão.
Abaixo disso o fluxo cai; acima de 120 não sobra tempo para o coração encher.
Deixar o tórax voltar por inteiro é o que permite o enchimento. Não se apoie no peito.
Checar ritmo, trocar socorrista, intubar — tudo em menos de 10 segundos.
Porcentagem do tempo de PCR realmente comprimindo. Mínimo aceitável 60%; alvo >80%.
Enunciados de qualidade de RCP quase sempre pedem a alternativa que reúne frequência + profundidade + retorno + fração na mesma frase.
Comprima na mesa junto com o som. Esse é o ritmo que você vai precisar sustentar por 2 minutos sem cair.
Qualquer coisa entre 100 e 120 bpm serve como âncora mental — a tradição das aulas de BLS usa Stayin' Alive (~103 bpm). No plantão, use o metrônomo do desfibrilador ou o feedback do monitor.
Sob estresse, a tendência é acelerar para 140–150/min e comprimir raso. Frequência alta com profundidade baixa gera quase nenhum débito. Quem lidera precisa cronometrar em voz alta.
Colchão absorve parte da compressão. Use tábua rígida ou o chão. Cabeceira zerada.
São esperadas em até 1/3 dos casos, sobretudo em idosos. Ouvir o estalido não é motivo para reduzir a profundidade — reavalie a posição da mão e siga.
A recuperação elástica gera pressão negativa intratorácica, que suga sangue de volta para o coração. É a "diástole" da RCP: sem ela, não há o que ejetar na compressão seguinte.
É também aqui que se forma a pressão de perfusão coronariana — o determinante mais forte de RCE.
Se a PCR durou 20 minutos e você comprimiu por 16, sua fração foi de 80%. Cada pausa evitável rouba pontos dessa conta: carregue o desfibrilador durante a compressão, prepare a medicação antes da pausa, e troque de socorrista exatamente no momento da checagem de ritmo.
O mais comum de todos. Medo de quebrar costela custa fluxo cerebral.
Acima de 120/min o ventrículo não enche. Rápido ≠ melhor.
Impede o retorno completo e zera a diástole artificial.
Conversa, troca desorganizada, checar pulso demais, "esperar o ambu".
Aumenta a pressão intratorácica, reduz retorno venoso e a sobrevida.
Depois de ~2 min a qualidade cai sem que o socorrista perceba.
Troque o compressor a cada 2 minutos ou antes, se cansar — aproveitando a checagem de ritmo, em menos de 5 segundos. Quem vai assumir já se posiciona do outro lado do tórax antes da pausa.
Abrir a via aérea, entregar o volume mínimo suficiente e não roubar tempo da compressão.
No paciente inconsciente, a causa nº1 de obstrução é a própria língua caindo sobre a faringe.
Inclinação da cabeça + elevação do queixo (head tilt–chin lift): uma mão na testa empurra para trás, dois dedos da outra elevam o queixo pela parte óssea.
Não comprima o tecido mole abaixo do queixo — piora a obstrução.
Tração da mandíbula (jaw thrust) sem estender o pescoço, com estabilização manual da coluna.
Se a tração não abrir a via aérea, a diretriz autoriza usar a inclinação da cabeça: via aérea aberta tem prioridade sobre a proteção cervical.
Retire apenas o que estiver visível e alcançável. Varredura digital às cegas é proibida — empurra o objeto para dentro. Cânula orofaríngea (Guedel) só no paciente sem reflexo de vômito, medida do lábio ao ângulo da mandíbula.
Volume ou frequência excessivos elevam a pressão intratorácica → reduzem o retorno venoso → derrubam o débito da compressão. E ainda distendem o estômago, com risco de regurgitação e broncoaspiração. Em RCP, mais ar é literalmente menos vida.
| Situação | Relação | Detalhe operacional |
|---|---|---|
| Adulto — 1 ou 2 socorristas | 30:2 | Ciclos de 30 compressões e 2 ventilações; ~5 ciclos em 2 minutos |
| Criança/lactente — 1 socorrista | 30:2 | Mesma relação do adulto quando você está sozinho |
| Criança/lactente — 2 socorristas | 15:2 | Mais ventilação porque a causa costuma ser hipóxica |
| Com via aérea avançada (qualquer idade) | Contínuo | Não pare para ventilar: compressões ininterruptas + 1 ventilação a cada 6 s (10/min) |
| Leigo não treinado | Só compressão | Hands-only CPR — compressões contínuas até o DEA ou o socorro chegar |
Nos primeiros minutos de uma PCR súbita no adulto, o sangue ainda está oxigenado. Falta bomba, não falta oxigênio. E remover a barreira da ventilação boca a boca aumenta a chance de alguém começar.
Causa hipóxica: afogamento, asfixia, overdose de opioide, obstrução de via aérea e praticamente toda PCR de criança e lactente. Aqui, ventilar faz parte do tratamento.
Só para quem respira normalmente e tem pulso, sem suspeita de trauma. Protege a via aérea contra aspiração enquanto a ajuda não chega — e o paciente deve ser reavaliado continuamente.
O único tratamento capaz de reverter uma fibrilação ventricular — e ele cabe numa maleta que qualquer leigo consegue usar.
Milhares de focos despolarizam de forma caótica: não há sístole organizada, não há débito. O choque despolariza toda a massa miocárdica de uma vez, criando um silêncio elétrico que permite ao nó sinusal reassumir.
Por isso o choque não funciona na assistolia: não há o que silenciar.
Aeroportos, shoppings, academias, estádios, escolas, aeronaves. Legislação brasileira exige DEA em locais de grande circulação. Saber onde está o DEA do seu prédio, da sua faculdade e do seu hospital é conteúdo de BLS.
Aperte o botão. A partir daí o próprio DEA fala o que fazer, em português, em voz alta.
Tórax seco e desnudo. Siga o desenho das pás. As compressões continuam enquanto alguém cola.
Na análise, ninguém toca na vítima. Se indicado, aperte o botão e retome a compressão imediatamente.
O DEA foi desenhado para leigos: analisa o ritmo, decide sozinho e só permite o choque se for chocável. Comandos por voz e por imagem. Não usar é o único erro grave possível.
A análise dura poucos segundos e exige parada das compressões — é a única pausa obrigatória. Volte a comprimir no instante seguinte ao choque, sem checar pulso.
Uma pá infraclavicular direita, ao lado do esterno; a outra na linha axilar média esquerda, abaixo e lateral ao mamilo. O coração precisa ficar entre as duas.
Alternativa aceita: anteroposterior (tórax anterior + dorso), útil em lactentes e tórax pequeno.
Antes de apertar, olhe e anuncie em voz alta: "Eu estou afastado, vocês estão afastados, oxigênio afastado — CHOQUE!" Ninguém pode estar tocando a vítima, a maca ou o soro.
O DEA aplicou um choque. Qual é a sua próxima ação, exatamente?
Sem checar pulso, sem olhar o monitor, sem comemorar. Após o choque o coração fica atordoado: mesmo quando o ritmo volta, o débito leva minutos para se recuperar. Comprimir sustenta esse intervalo.
Choque → 2 minutos de RCP → o DEA reanalisa → novo choque se indicado. Repita até o serviço avançado assumir, o paciente se mover/despertar ou você não conseguir mais continuar com segurança.
Também retome a RCP imediatamente por 2 minutos. "Choque não indicado" não significa que o paciente está bem — significa assistolia, AESP ou ritmo organizado, e todos exigem compressão até a reavaliação.
Criança, lactente, engasgo, gestante, afogamento — o algoritmo é o mesmo; os detalhes é que mudam.
| Adulto (pós-puberdade) | Criança (1 ano → puberdade) | Lactente (< 1 ano) | |
|---|---|---|---|
| Técnica | 2 mãos | 1 ou 2 mãos, conforme o porte | 2 polegares ou região tenar de 1 mão 2025 |
| Profundidade | ≥ 5 cm (máx. 6) | ≈ 5 cm — 1/3 do diâmetro AP | ≈ 4 cm — 1/3 do diâmetro AP |
| Frequência | 100–120/min em todas as idades | ||
| Relação | 30:2 | 30:2 sozinho · 15:2 em dupla | 30:2 sozinho · 15:2 em dupla |
| Local | Metade inferior do esterno | Metade inferior do esterno | Logo abaixo da linha intermamilar |
| Pulso | Carótida | Carótida ou femoral | Braquial |
| Ventilação de resgate | 1 a cada 6 s | 1 a cada 2–3 s (20–30/min) | |
PCR de adulto costuma ser elétrica (FV) → prioridade é choque. PCR de criança costuma ser hipóxica (respiratória progressiva) → prioridade é ventilar e chamar ajuda depois de 2 min de RCP se estiver sozinho.
5 tapas dorsais (região interescapular, base da mão, vítima inclinada para frente) → 5 compressões abdominais (Heimlich, acima da cicatriz umbilical, movimento em J) → repita até desobstruir ou a vítima ficar irresponsiva.
Motivo da mudança: séries observacionais mostraram melhor taxa de desobstrução e menos lesões quando se começa pelos tapas dorsais.
Desça a vítima ao chão, acione o serviço de emergência e inicie RCP. A cada abertura da via aérea para ventilar, olhe a boca e retire o objeto se estiver visível — nunca às cegas. A compressão torácica gera pressão suficiente para deslocar o corpo estranho.
Toda vítima que recebeu compressão abdominal ou torácica deve ser avaliada em serviço de saúde: risco de lesão de vísceras, fratura de costela e de corpo estranho residual em via aérea distal.
Na PCR materna sem retorno da circulação, o time avançado considera a cesariana perimortem em torno de 5 minutos — decisão de ACLS, mas que só é possível se o BLS estiver impecável desde o primeiro minuto.
Comprime e conta em voz alta. Troca a cada 2 min.
Abre, ventila com BVM, prepara adjuvantes.
Cola as pás, opera o aparelho, dá o comando de afastar.
IV/IO e drogas — já é função do suporte avançado.
Marca os 2 minutos, registra horários e avisa o líder.
Não comprime. Distribui funções, decide, dá feedback e enxerga o conjunto.
Ordem nominal ("João, assuma as compressões") → confirmação de quem recebeu ("Assumindo as compressões") → aviso de conclusão ("Compressões em andamento"). Sem isso, ordens caem no vazio e tarefas ficam duplicadas.
1. Gasping não é respiração — é PCR.
2. Na dúvida sobre o pulso em 10 s, comprima.
3. Leigo não precisa checar pulso.
4. Depois do choque, RCP imediata — não se checa pulso.
5. "Choque não indicado" também exige 2 min de RCP.
6. Com via aérea avançada, não existe 30:2: compressão contínua.
7. Criança < 8 anos sem pá pediátrica: use a de adulto.
8. Varredura digital às cegas: nunca, em nenhuma idade.
9. Gestante em PCR: decúbito dorsal + deslocamento uterino, não inclinar o corpo.
10. Hiperventilar reduz a sobrevida — ar demais é sangue de menos.
Segurança → não responde → grite, acione, peça o DEA → respiração e pulso em 10 s → sem pulso: comprima 30:2 → DEA assim que chegar → choque se indicado → RCP imediata por 2 min → repita.
≥5 cm (máx. 6) · 100–120/min · retorno total · pausas < 10 s · fração > 80% · troca a cada 2 min · com tubo, 1 ventilação a cada 6 s.
Cadeia única de 6 elos · engasgo começa por 5 tapas dorsais · naloxona no algoritmo · lactente sem técnica de dois dedos.
A pior conduta possível em uma PCR é não fazer nada por medo de errar. Compressão imperfeita salva; hesitação não.