AR
Dr. André Rossanno
Cardiologia · UTI · Emergência · TEC 2026
"Quem estuda com propósito não acumula páginas — acumula decisões.
O conhecimento só salva vidas quando está pronto para ser lembrado em segundos."
⚡ Emergência Cardiológica OSCE Estruturado TEC 2026 🧠 Memorização Médica SBC 2023–2024

Edema Agudo Pulmonar
Perfil B — Algoritmo OSCE

Simulação Realística · Sequência Pedagógica Fragmentada · Aplicabilidade Clínica Integrada

🫁

Este paciente NÃO é apenas hipertensivo

João é um cardiopata descompensado em anasarca — edema generalizado (maleolar 4+/6, ascite, derrame pleural) associado a congestão pulmonar aguda. O que o está matando não é só a PA elevada — é a sobrecarga de volume com redistribuição para o pulmão. A estratégia terapêutica reflete isso: vasodilatar + descongestionar, baseada no Perfil B da SBC. A PA elevada é consequência da ativação neuro-hormonal, não a causa primária do EAP neste contexto.

🌬️

Importante: Ideal × Realidade da Unidade

No cenário ideal, o paciente com EAP e desconforto respiratório importante teria acesso precoce à ventilação não invasiva (CPAP/BiPAP) quando indicada — especialmente com SpO₂ < 90%, FR > 25 e uso de musculatura acessória. Esta intervenção reduz o desconforto e o risco de intubação.

Entretanto, esta unidade não dispõe de VNI sob demanda imediata — realidade frequente em muitas emergências brasileiras. Assim, este OSCE ensina o manejo ideal e o manejo possível de forma integrada.

✅ Ideal (diretrizes ESC/SBC) CPAP/BiPAP precoce quando SpO₂ < 90%, FR > 25 ou esforço ventilatório importante. Inicia antes ou junto com a terapia medicamentosa.
⚠ Realidade local Sem VNI sob demanda imediata. Conduta: sentar 90°, O₂ suplementar, monitorização, nitrato + diurético, reavaliação mais precoce e mais frequente. A falta de VNI não autoriza passividade — obriga a agir mais cedo e escalar ajuda antes da exaustão respiratória.
João · 70 kg
170 × 90 mmHg
Quente / Úmido · B
Anasarca + EAP

🧠 Técnica de Memorização Médica — Aplicabilidade em Simulação Realística

Este protocolo utiliza a fragmentação pedagógica sequencial como recurso de memorização médica aplicada à simulação realística. Cada fase representa um domínio clínico que, isoladamente, recebe atenção total do aluno — assim como no RCP, onde cada manobra é treinada antes de ser executada em conjunto. Na prática clínica real, todas as etapas ocorrem de forma integrada e simultânea. Apesar de existir um algoritmo como guia, cada paciente deve ser individualizado. O algoritmo é um mapa mental, não um protocolo rígido.

Autor: Dr. André Rossanno  |  Cardiologia UTI Emergência  |  Baseado nas Diretrizes SBC 2023–2024
Fase 0

Chegada — Impressão Inicial

T = 0 min

👁 Avaliação Visual + Posicionamento

  • Franca dispneia, taquipneico, ortopneico
  • Posicionar em 90° imediatamente — reduz pré-carga por pooling venoso
  • Responsivo — conversa brevemente
  • Impressão geral: paciente congesto, sudoreico, ansioso

💬 Conversa Inicial Rápida

  • ?"Qual é o seu nome, senhor?"
  • ?"O que o senhor está sentindo?"
  • Resposta: "Coração grande, estou com falta de ar"
  • Confirma: responsivo, orientado, queixa cardíaca
Filosofia do atendimento · à beira do leito

"Antes de olhar o monitor, olhe o rosto. Quem está se afogando por dentro já sabe que pode morrer — e a sua calma é a primeira droga que esse paciente recebe. Ela não tem ampola, não tem dose, e começa a agir em segundos."

— Dr. André Rossanno

🃏 Flashcards — clique para revelar

Por que sentar o paciente em 90° antes de qualquer outra coisa?

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Posição ortostática → pooling venoso periférico → ↓ retorno venoso → ↓ pré-carga → alívio imediato da congestão pulmonar

O que caracteriza o Perfil B da SBC neste paciente?

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Quente + Úmido
Débito cardíaco preservado + Congestão pulmonar presente. Estratégia: vasodilatar + diurese. Inotrópico NÃO indicado.

O que é anasarca e como ela se manifesta neste paciente?

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Edema generalizado: maleolar 4+/6, ascite, derrame pleural + congestão pulmonar. É IC descompensada avançada — não apenas HAS.

Fase 1

Suporte de O₂ + Monitorização

T = 0–3 min
⚡ Princípio integrado — O₂ e monitorização em paralelo

Na prática clínica real, oxigenar, posicionar e monitorar ocorrem quase simultaneamente. Pedagogicamente, verbalizamos o oxigênio como primeira prioridade — porque hipoxemia mata antes de você ler o número na tela. Mas o monitor não espera uma "fase 2": as ações são integradas, não sequenciais rígidas.

🌬️ Ideal vs Possível — VNI nesta fase

O ideal para SpO₂ 88% + desconforto respiratório seria O₂ imediato enquanto prepara VNI. Se FR > 25, uso de musculatura acessória ou SpO₂ persistente < 90%, iniciar CPAP/BiPAP o mais precocemente possível.
Nesta unidade: sem VNI disponível imediatamente → iniciar Venturi, tratar com nitrato + furosemida, e reavaliar a cada 5–10 minutos. Se falha clínica: acionar suporte avançado / transferência para UTI. A Venturi é uma ponte, não uma solução definitiva se o paciente não melhorar.

1A · Cálculo da FiO₂ — Cateter Nasal

FiO₂ = (Fluxo × 4 + 21) ÷ 100
Ex: cateter 3 L/min → (3×4 + 21)/100
→ FiO₂ = 0,33 = 33%
Máscara de Venturi — estratégia inicial nesta unidade

SpO₂ = 88% → trocar para Venturi.
Válvula 35% · seguir o fluxo mínimo impresso na válvula.
Alvo: SpO₂ 94–96% (não ultrapassar).
Se não atingir alvo em 5–10 min ou piora clínica: escalar suporte e acionar ajuda.

⚠ Duas travas que o OSCE cobra:
(1) O₂ só se SpO₂ < 90% (ou PaO₂ < 60). Ofertar oxigênio a paciente não hipoxêmico é conduta deletéria — a hiperóxia causa vasoconstrição sistêmica e coronariana e reduz o débito cardíaco. João está em 88%: indicação clara. Um paciente idêntico com 95% em ar ambiente não recebe O₂.
(2) A Venturi tem teto baixo (≈ 50%). No EAP taquipneico, com fluxo inspiratório alto, se não atingir o alvo: escalar para máscara com reservatório ou cateter nasal de alto fluxo — este último uma alternativa razoável quando não há VNI disponível.

1B · Monitorização — em paralelo com O₂

  • PA contínua — registrar valor inicial
  • SpO₂ contínua — confirmar melhora pós-Venturi
  • ECG contínuo — detectar arritmia precipitante
  • 2 acessos venosos calibrosos

Ação → Reação sempre: instalou monitor → lê o monitor. Colocou Venturi → avalia SpO₂ em 2–5 min. Sem melhora de SpO₂ ou piora de desconforto = escalonamento imediato.

Laboratório 1

🚦 Semáforo do Oxigênio

Ofertar O₂ não é reflexo — é indicação. Mova a saturação e veja a conduta mudar, inclusive a faixa em que o certo é não ofertar nada.

88%
?
Por que O₂ é prioridade verbal, mas monitorização ocorre em paralelo?
A hipoxemia grave (SpO₂ 88%) representa risco imediato de falência respiratória. A monitorização é essencial, mas não altera a hipoxemia — apenas a quantifica. Corrigir o problema antes de monitorar é a prioridade verbal e pedagógica. Na prática, as duas ações ocorrem quase simultaneamente: um profissional oxigena enquanto o outro instala monitor. O OSCE testa se o candidato reconhece a urgência do O₂ primeiro.
?
Qual a diferença entre cateter nasal e máscara de Venturi?
O cateter nasal entrega FiO₂ variável e imprecisa (depende da ventilação do paciente). A máscara Venturi usa princípio de Bernoulli para entregar FiO₂ fixa e controlada, independente do padrão respiratório — ideal no EAP onde o paciente está taquipneico e irregular. Cada válvula especifica o fluxo mínimo necessário para manter a FiO₂ prometida.
Fase 2

Avaliação ABCD — Fragmentada

T = 3–8 min
🧠

Observação pedagógica: a fragmentação do ABCD é exclusivamente didática. Na prática clínica real, o ABCD é executado de forma integrada e simultânea. Cada paciente deve ser individualizado — o algoritmo é o mapa, não o destino.

A — Airway + Neurológico Rápido

  • Via aérea pérvia — fala, sem obstrução
  • Aperta mão — força preservada, simétrica
  • Pupilas isocóricas e fotorreagentes
  • ?"Teve febre?"Não, só cansaço
  • ?"Quando começou a falta de ar?"
  • Glasgow 15 — orientado, responsivo

B — Breathing: Pulmão PRIMEIRO, semiologia periférica depois

No EAP, o pulmão é a urgência imediata do B. O aluno que demora a auscultar o pulmão pode ser penalizado no OSCE. Semiologia periférica vem logo após — ela confirma e quantifica a sobrecarga de volume (anasarca).

1º · Ausculta Pulmonar

  • !Estertores crepitantes bilaterais — predomínio em bases
  • !↓ Murmúrio vesicular bilateral
  • !Taquipneia — FR elevada

2º · Semiologia Craniocaudal (anasarca)

  • Turgência jugular a 45° — presente
  • Reflexo hepatojugular — positivo
  • Percussão abdominal — hepatomegalia
  • Edema maleolar 4+/6 bilateral
  • Pulso pedioso sincrônico — presente

C — Circulation: Ausculta Cardíaca + Periférico

🧠 Mnemônico de Memorização — Focos de Ausculta Cardíaca
APARTAMENTO

No mnemônico AParTaMenTo, as letras destacadas formam A P T M: os 4 focos na ordem de ausculta

A
Aórtico
2º EID
P
Pulmonar
2º EIE
T
Tricúspide
4º EIE
M
Mitral
5º EIE / Ictus

Achado neste paciente: B3 mitral — galope diastólico. Indica disfunção ventricular e sobrecarga de volume. Confirma IC descompensada.

  • Enchimento capilar normal (<2s) — quente
  • Pulso radial cheio e forte (PA 170×90)

Perfil clínico-hemodinâmico B (quente e úmido): débito preservado + congestão. Vasodilatar + descongestionar. Inotrópico não indicado aqui.

D — Disability + Dados Complementares

  • Glasgow formal: 15
  • Glicemia capilar — excluir hiper/hipoglicemia precipitante
  • Temperatura — excluir foco infeccioso
  • Diurese prévia: oligúria? → orienta urgência da sonda
?
Por que auscultar o pulmão ANTES da semiologia periférica no B?
No EAP, o comprometimento pulmonar é o evento agudo que está matando o paciente naquele momento. A semiologia periférica (edema, jugular, hepatomegalia) confirma a sobrecarga crônica — importante, mas não urgente. O OSCE penaliza quem demora a auscultar o pulmão num quadro agudo respiratório.
?
O que significa B3 mitral e por que ele aparece neste paciente?
B3 (terceira bulha) = som protodiastólico causado pela desaceleração abrupta do fluxo de sangue entrando num ventrículo esquerdo rígido e sobrecarregado. É o "galope de enchimento". Traduz pressão de enchimento elevada e sobrecarga de volume — classicamente associada a disfunção sistólica e ventrículo dilatado. Cuidado com a imprecisão comum: B3 não é sinônimo de "disfunção diastólica"; é marcador de enchimento rápido contra um ventrículo com pressões altas — achado típico da IC descompensada. Foco mitral = 5º EIE ou ictus.
Fase 3

Solicitação de Exames

T = 5–8 min · em paralelo com ABCD
🧠

Pedagógico: exames solicitados em paralelo com o ABCD — o técnico coleta enquanto o médico continua avaliando. Aqui são apresentados separadamente para justificar cada um individualmente.

ExamePor que solicitarAchado esperado
HemogramaAnemia precipitante; leucocitose sugere foco infeccioso
SódioHiponatremia dilucional na IC avançada; orienta restrição hídricaPode estar ↓
PotássioFurosemida causa hipocalemia → risco arritmia; guia reposiçãoChecar basal
CloroAlcalose hipoclorêmica por diuréticos crônicos; avalia ácido-base
Ureia + CreatininaFunção renal ANTES do diurético — define dose e reconciliaçãoCr = 2,5 mg/dL ⚠
MagnésioHipomagnesemia → arritmias + resistência ao diurético de alça
Gasometria ArterialHipoxemia real, hipercapnia (fadiga?), pH, lactatoHipoxemia + alcalose resp.
NT-proBNPConfirmar descompensação. Preferir NT-proBNP — paciente usa EntrestoMuito elevado
TroponinaSCA como precipitante — ECG não exclui isquemia subendocárdicaPode estar ↑
ECG 12 derivaçõesExcluir SCA, sobrecarga, arritmia precipitanteSobrecarga VE
RX de TóraxCongestão, derrame, cardiomegalia — confirma diagnósticoRedistribuição + Kerley B
POCUS — US pulmonar + VCIO RX é normal em até 20% da IC aguda. Linhas B bilaterais difusas confirmam congestão intersticial em segundos, à beira do leito; VCI dilatada e pouco colapsável quantifica a pressão de enchimento e ajuda a acompanhar a descongestãoLinhas B difusas + VCI plethórica + derrame pleural
🔎 CHAMPIT — todo EAP tem um gatilho até prova em contrário

Tratar a espuma sem achar o pavio é o erro conceitual mais caro do EAP. Percorra os sete gatilhos, obrigatoriamente e em voz alta:

CCoronary: síndrome coronariana aguda (troponina + ECG seriado)
HHypertension: emergência hipertensiva (o candidato deste caso)
AArrhythmia: FA de alta resposta, TV, bradiarritmia
MMechanical: causa mecânica aguda (ruptura de cordoalha, CIV pós-IAM, disfunção de prótese)
PPulmonary embolism: tromboembolismo pulmonar
IInfection: infecção, incluindo endocardite
TTamponade: tamponamento cardíaco

Acrescente sempre os dois gatilhos "de bolso" da vida real, que não cabem na sigla: má adesão medicamentosa e transgressão de sal/água — os mais frequentes de todos. E lembre que a anasarca do João aponta para descompensação arrastada, não súbita: isso muda a busca do gatilho.

Laboratório 2

🔎 Caça ao Gatilho — CHAMPIT na prática

Uma pista por vez. Toque na letra que ela denuncia. Sete pistas, sete gatilhos.

0 / 0
🎓 Pegadinha TEC — NT-proBNP vs BNP no uso de Entresto

Paciente usa Entresto (sacubitril/valsartana). O sacubitril inibe a neprilisina (NEP) → BNP não é degradado → BNP falsamente elevado, podendo confundir a interpretação clínica. Para acompanhamento da descompensação, o correto é dosar NT-proBNP, que é menos diretamente influenciado pela inibição da neprilisina. Dosar BNP neste paciente = risco de superestimar o grau de descompensação.

🃏 Flashcards

Por que pedir magnésio num paciente em uso de furosemida?

toque ▸

Furosemida causa hipomagnesemia. Mg baixo → arritmias ventriculares + resistência ao diurético de alça. Repor antes de escalar dose.

Por que pedir troponina se o ECG não mostra SCA?

toque ▸

Isquemia subendocárdica pode ocorrer sem supra de ST. O ECG não exclui SCA — a troponina é necessária para completar o raciocínio diagnóstico.

O que o Kerley B no RX de tórax significa?

toque ▸

Linhas horizontais nos ângulos costofrênicos → edema intersticial por aumento da pressão capilar pulmonar. Sinal de congestão pulmonar aguda.

Fase 4

Anamnese com Acompanhante

T = 3–5 min · em paralelo com coleta

Timing estratégico: o acompanhante é chamado enquanto o técnico coleta os exames. Você precisa saber a dose domiciliar de furosemida ANTES de prescrever a dose EV.

MedicaçãoDose / FrequênciaImpacto na conduta
Carvedilol3,125 mg · 2×/diaDose baixa — estável hemodinamicamente
Dapagliflozina10 mg · 1×/diaAvaliar eTFG, estabilidade, risco de cetose — decidir na Fase 8
Entresto (sacubitril/valsartana)Em uso→ pedir NT-proBNP, nunca BNP!
EspironolactonaX mg · manhã e tardeVerificar K e eTFG antes de manter
Furosemida40 mg manhã + 40 mg tardeTotal VO = 80 mg/dia → dose EV = 80 mg
HidroclorotiazidaIa comprar, nunca tomou
Fase 5

Sonda Vesical + Furosemida EV

T = 8–10 min

🌡️ SONDA VESICAL — PRECOCE, SEM ATRASAR A TERAPIA

A sonda mede a resposta — ela não pode sequestrar o tratamento.
Colocar antes ou imediatamente após nitrato e furosemida, sem atrasar essas intervenções se o paciente estiver em desconforto respiratório.

Ordem prática: O₂ + monitor → nitrato + furosemida → sonda vesical (precoce, mas não antes do tratamento se houver urgência). Sem sonda = sem medição de diurese. Mas o pulmão não espera a cateterização.

🌿 Efeito vasodilatador precoce da furosemida — ensinamento clássico, hoje contestado

O ensinamento tradicional diz que a furosemida tem efeito venodilatador imediato mediado por prostaglandinas (PGE₂, PGI₂), anterior à diurese — explicando o alívio da dispneia em minutos.

Guarde a ressalva: estudos hemodinâmicos em IC descompensada mostraram o oposto em parte dos pacientes — vasoconstrição transitória com ativação neuro-hormonal (↑ renina, ↑ noradrenalina) logo após o bolus. O efeito vasodilatador existe na literatura, mas não é uniforme nem é a principal explicação do alívio precoce.

Na beira do leito, o alívio dos primeiros minutos vem sobretudo de sentar o paciente, oxigenar, reduzir o trabalho respiratório e vasodilatar com nitrato. A diurese vem depois (pico 20–30 min EV). O alívio inicial nunca significa tratamento completo.

Laboratório 3

💉 Calculadora — dose EV a partir da dose domiciliar

Digite a dose oral total do dia que o paciente já tomava em casa. A calculadora devolve a dose EV, as ampolas e a frase que o examinador quer ouvir.

🎓 Pegadinha clássica de OSCE — o que NÃO prescrever no EAP

Morfina não é conduta de rotina no EAP. Registros e estudos observacionais associaram o opioide a mais intubação, mais internação em UTI e maior mortalidade na IC aguda. Reserve para situações pontuais (dor isquêmica intensa, ansiedade extrema refratária) e verbalize a ressalva — prescrever morfina "para acalmar a dispneia" é erro cobrado.
Também não faça: expansão volêmica (o problema é excesso de volume redistribuído, não hipovolemia), inotrópico no Perfil B quente/úmido (débito está preservado) e iniciar betabloqueador na fase aguda — manter o de uso crônico é diferente de introduzir um novo.

Regra SBC 2023 — Dose EV

Dose IV ≥ Dose VO Total Diária
João: 40 mg manhã + 40 mg tarde = 80 mg/dia
→ Furosemida EV = 80 mg

Paciente adaptado → precisa de dose cheia. Subdosar é pegadinha clássica de prova e erro frequente na prática.

💊 Apresentação do Lasix

Furosemida (Lasix) — concentração padrão
1 mL= 10 mgconcentração padrão
1 ampola= 2 mL = 20 mgapresentação brasileira
Para 80 mg:4 ampolas EV= 8 mL no total

Verbalizar corretamente no OSCE:
"Prescrevo 4 ampolas de furosemida EV em bolus"
Não apenas "80 mg" — o examinador quer saber se você conhece a apresentação real.

Ação → Reação: prescreveu furosemida → aguardar 20–30 min para avaliar início de resposta diurética. Avaliação formal de resposta: até 2 horas. O alívio precoce da dispneia é pelo efeito vasodilatador — não confundir com resposta diurética. Se até 2h não houver diurese adequada, escalonar sem aguardar a próxima dose programada.

?
A furosemida vasodilata? Como isso alivia o pulmão antes da diurese?
Sim. A furosemida estimula a síntese de prostaglandinas vasodilatadoras (PGE2, PGI2) que promovem venodilatação sistêmica e pulmonar nos primeiros minutos após a infusão EV. Isso reduz a pré-carga rapidamente, aliviando a congestão antes mesmo de qualquer efeito diurético. O pico diurético ocorre em 20–30 min — a avaliação formal de resposta adequada deve ser feita em até 2 horas.
Fase 6

Nitrato EV — Tridil vs Nipride

T = 10–12 min
Princípio — onde o nitrato realmente entra

No EAP hipertensivo a vasodilatação venosa alivia o pulmão mais rápido que qualquer diurese, e é por isso que ela é tão atraente aqui: ↓ pré-carga → ↓ congestão pulmonar em minutos. Mas atenção à hierarquia de evidência, que é o que a prova cobra: o diurético de alça é Classe I na IC aguda congestiva, enquanto o vasodilatador EV é Classe IIb — considerar quando PAS > 110 mmHg — depois que ensaios de vasodilatação intensiva precoce (GALACTIC, ELISABETH) não mostraram benefício em desfechos duros.

Leitura correta: o nitrato não é "o primeiro pilar". Ele é o alívio sintomático mais rápido no fenótipo hipertensivo/congestivo, usado junto com o diurético — que é quem carrega a recomendação forte. Os dois andam lado a lado; o que difere é a classe de recomendação, não a ordem cronológica.

✅ ESCOLHIDO
Tridil
Nitroglicerina (GTN)
Ampola10 mL
Diluição10 mL em 250 mL SG5% → 200 mcg/mL
MecanismoVenodilatador + coronário protetor
Efeito↓ Pré-carga predominante
IndicaçãoEAP cardiogênico — escolha habitual
Nipride
Nitroprussiato de Sódio
Ampola2 mL
Diluição2 mL em 250 mL SG5% — proteger da luz
MecanismoVasodilatador arterial + venoso (misto)
Efeito↓ Pré-carga + ↓ Pós-carga
IndicaçãoHAS grave / forte redução de pós-carga
🎓 Por que Tridil neste caso?

João tem componente cardiogênico (IC descompensada, B3 mitral, anasarca) com PA preservada. O Tridil, além de venodilatador, tem efeito coronário protetor — importante num paciente com coração doente. O Nipride é opção quando há hipertensão grave com necessidade de forte redução de pós-carga, mas exige monitorização rigorosa, proteção da luz e cautela com disfunção renal. No EAP cardiogênico com PA adequada e suspeita de coronariopatia, nitroglicerina é a escolha mais segura e familiar.

✅ Checklist antes do Tridil — 3 perguntas obrigatórias

  • ?IAM de ventrículo direito?
    VD depende de pré-carga — Tridil ↓ pré-carga → colapso. Contraindicado se VD infartado.
  • ?Uso de inibidor de fosfodiesterase 5? (Sildenafil / Tadalafil)
    Contraindicação absoluta — sinergia perigosa → hipotensão grave.
  • ?Hipotensão? PAS < 100 mmHg
    Contraindicado. João tem 170×90 → liberar.
  • João: PA 170×90 · sem VD · sem iPDE5 → Tridil liberado

⚙ Prescrição e Titulação — Tridil

Tridil — 10 mL em 250 mL SG5% = 200 mcg/mL
Início7 mL/h≈ 23 mcg/min
T=20 min · reavaliar→ 10 mL/h≈ 33 mcg/min
Se necessário→ 15 mL/h≈ 50 mcg/min
Titular a cada5–10 min+ 3 mL/h por vez
Limite ↓ PAPAS < 100reduzir / suspender

Por que começar em 7 mL/h? Neste OSCE acadêmico, iniciamos em 7 para demonstrar titulação progressiva. A dose não é calculada por peso — é titulada pela resposta clínica e pela PA.

🔄 Reavaliação em T = 20 min — Ação → Reação

  • Auscultar pulmão: ápices melhoraram (vasodilatação precoce furosemida + nitrato)
  • !Bases ainda com subcrepitantes — congestão parcialmente mantida
  • PA respondeu → aumentar Tridil de 7 para 10 mL/h
  • Checar diurese pela sonda → se ausente → aguardar até T=60 min antes de escalar (Fase 7)
Laboratório 4

⚙ Titulador de Tridil — solução 200 mcg/mL

Suba de 3 em 3 mL/h a cada 5–10 min, como na beira do leito. Acompanhe a PA responder e descubra sozinho onde fica o freio.

7 mL/h
23 mcg/min 170 mmHg
?
Por que o Tridil é contraindicado no IAM de VD?
O ventrículo direito infartado perde sua capacidade contrátil e passa a depender exclusivamente da pré-carga para manter o débito. O Tridil reduz a pré-carga por venodilatação → o VD colapsa → choque cardiogênico. Por isso, no IAM inferior com extensão para VD, nitratos são contraindicados e a conduta é expansão volêmica.
?
Qual a diferença entre Tridil e Nipride em termos de mecanismo?
Tridil (nitroglicerina): venodilatador + coronário protetor. Reduz predominantemente a pré-carga e tem efeito vasodilatador coronariano → ideal em cardiopatas com PAS adequada.

Nipride (nitroprussiato): vasodilatador arterial + venoso misto → reduz pré e pós-carga. Mais potente anti-hipertensivo, mas sem proteção coronariana. Requer proteção da luz na infusão. Cuidado com disfunção renal/hepática (risco de toxicidade por cianeto). Usado em emergências hipertensivas graves onde se deseja redução intensa de pós-carga.
Fase 7

Sem Diurese — Bloqueio Sequencial do Néfron

T = 30–40 min

❓ Avaliação de Resposta Terapêutica — T = 30–60 min

✅ SIM — Resposta adequada

Na⁺ urinário (spot 2 h)
> 50–70 mEq/L
e diurese 100–150 mL/h (6 h)
Manter estratégia em curso
Reavaliar congestão, PA e SpO₂ a cada 15–30 min

🔴 NÃO — Resposta insuficiente

Na⁺ urinário < 50–70 mEq/L
ou diurese < 100–150 mL/h
1º passo: DOBRAR a dose
do diurético de alça
Persistiu → bloqueio sequencial

⏱ Como a diretriz manda medir a resposta — protocolo objetivo

2 horas após a dose → sódio urinário em amostra isolada. < 50–70 mEq/L = resposta inadequada → dobrar a dose do diurético de alça imediatamente, sem esperar a próxima dose programada.
6 horas após a dose → débito urinário. < 100–150 mL/h = resposta inadequada → dobrar a dose; se já em dose alta e ainda insuficiente, partir para o bloqueio sequencial do néfron.

O sódio urinário é o marcador mais precoce: responde em 2 h, enquanto o volume urinário só denuncia a falha horas depois. E cuidado com a armadilha inversa — volume alto com sódio urinário baixo significa que você está tirando água, não sal: o paciente vai recongestionar.

🎓 Pegadinha — 0,5 mL/kg/h NÃO é alvo de descongestão

> 0,5 mL/kg/h (≈ 35 mL/h neste paciente) é apenas o limiar que define ausência de oligúria — critério de lesão renal aguda, não de tratamento do EAP. Um paciente em anasarca urinando 36 mL/h está falhando, não respondendo. O alvo real de descongestão ativa é 100–150 mL/h nas primeiras 6 horas.

Ajuste para a janela deste OSCE: em 60 minutos você não terá as 6 horas de débito. O que se espera do candidato é que verbalize o protocolo — "solicito sódio urinário 2 h após a dose e reavalio o débito em 6 h" — e que, dentro da estação, decida pela reavaliação clínica seriada (ausculta, PA, SpO₂, débito na sonda).

🧠

Âncora: "O rim está travado no túbulo distal → você abre a válvula final." A furosemida bloqueia a alça de Henle. O sódio que escapa continua sendo reabsorvido distalmente. O tiazídico bloqueia esse segmento — ação sinérgica e potente.

SegmentoDrogaMecanismoPrescrição
Túbulo ProximalAcetazolamidaInibe anidrase carbônica → ↓ reabsorção proximal de Na⁺/HCO₃⁻500 mg EV 1×/dia
(ADVOR)
Alça de HenleFurosemida (reforço)Inibe NKCC2+ 40–80 mg EV
ou dobrar a dose vigente
Túbulo DistalTiazídico (chave)Inibe NCCHCTZ 25–50 mg VO
ou Clortalidona 25 mg
Ducto ColetorEspironolactonaBloqueia receptor mineralocorticoide → ↓ ENaC indiretamenteJá em uso — reavaliar K e eTFG
🔬 O que mudou no bloqueio sequencial

Acetazolamida (ADVOR): 500 mg EV/dia somada ao diurético de alça aumentou a descongestão bem-sucedida na IC aguda — entrou como opção de primeira linha na resistência diurética. Bônus fisiopatológico neste paciente: corrige a alcalose metabólica hipoclorêmica criada pelo uso crônico de diurético de alça.
Tiazídico (CLOROTIC): segue válido e potente, mas o ensaio mostrou mais piora de função renal e mais distúrbio eletrolítico. Num paciente com Cr 2,5 como o João isso pesa — use, porém com dosagem seriada de K⁺, Na⁺ e creatinina.
SGLT2i: também contribui com natriurese proximal — mais um motivo para não pausar a dapagliflozina por reflexo (ver Fase 8).

Alvo de diurese após bloqueio

100–150 mL/h nas primeiras horas confirma eficácia do bloqueio e descongestão ativa.

⏱ T=60–120 min · Se necessário

Furosemida infusão contínua
Dose10–20 mg/h EVem bomba
Laboratório 5

🌡 Termômetro da Resposta Diurética

Os dois números que decidem se você mantém, dobra a dose ou parte para o bloqueio sequencial.

🃏 Flashcards — Bloqueio Sequencial

Por que o tiazídico é a "chave" no bloqueio sequencial?

toque ▸

A furosemida bloqueia a alça, mas o sódio que escapa é reabsorvido no túbulo distal. O tiazídico bloqueia o NCC distal — sinergia que potencializa dramaticamente a diurese.

Onde age a espironolactona no néfron?

toque ▸

No ducto coletor — bloqueia o receptor mineralocorticoide/aldosterona → reduz indiretamente a atividade do ENaC. Quem bloqueia o ENaC diretamente é a amilorida. João já usava — manter se K e eTFG adequados.

Fase 8

Exames + Reconciliação de Medicamentos

T = 40–50 min
⚠ Achado crítico que orienta a reconciliação

Creatinina = 2,5 mg/dL — resultado que exige avaliação cuidadosa de cada medicamento. Creatinina isolada não define conduta automática: é preciso considerar eTFG, potássio, tendência (aguda ou crônica?), PA e estabilidade clínica.

MedicaçãoCondutaRaciocínio
Carvedilol 3,125 mg✅ ReconciliarDose baixa; estável hemodinamicamente
Furosemida✅ Manter EVAinda em tratamento ativo
Espironolactona ⚠ Verificar K e eTFG Decisão por faixas de potássio, não por corte único: K < 5,0 → manter. K 5,0–5,5 → cautela: manter com recheque em 6–12 h e revisão de outras fontes de K⁺ (IECA/BRA/ARNI, suplementos, AINE). K ≥ 5,5 ou IRA progressiva → suspender temporariamente. eTFG < 30 exige cautela adicional. Perguntar obrigatório no OSCE: "Qual o potássio? Qual a eTFG? A creatinina é basal ou nova?"
Dapagliflozina (SGLT2i) ✅ MANTER (regra) Conduta atualizada. EMPULSE e DICTATE-AHF mostraram que o SGLT2i pode ser mantido — ou iniciado — durante a internação por IC aguda, com segurança e sem excesso de lesão renal aguda: a queda inicial de TFG é hemodinâmica e reversível. Pausar só por motivo específico: jejum ou baixa ingesta oral com risco de cetoacidose euglicêmica, hipovolemia franca, hipotensão, cirurgia programada, infecção grave. "Creatinina 2,5" isoladamente não é motivo para suspender.
Entresto (ARNI) ❌ Pausar na fase aguda Instabilidade + Cr 2,5 na fase aguda. Não suspender automaticamente por Cr 2,5 se for DRC estável — mas neste contexto de descompensação ativa: pausar e reavaliar. IECA/BRA/ARNI não são "nefrotóxicos diretos": reduzem pressão intraglomerular por vasodilatação eferente e podem elevar Cr em hipovolemia, IRA ou hipercalemia. Reavaliar para reintrodução antes da alta (STRONG-HF).
Substitutos transitórios para cobertura de pós-carga enquanto Entresto está pausado:
Hidralazina + Nitrato oral — alternativa clássica recomendada pela SBC para pacientes com disfunção renal significativa ou intolerância a IECA/BRA/ARNI. Reduz pré e pós-carga sem impacto renal direto.
Laboratório 6

💊 Reconciliação — classifique os cinco

Toque no remédio, depois toque na caixa. Funciona no dedo, sem arrastar. Cr = 2,5 · PA 170×90 · sem jejum · sem hipotensão.

✅ Manter
⚠ Checar antes
❌ Pausar
?
Creatinina 2,5 = suspender automaticamente dapagliflozina?
Não. E a resposta mudou frente ao que se ensinava há alguns anos: hoje a regra é manter. EMPULSE e DICTATE-AHF avaliaram exatamente este cenário — SGLT2i na internação por IC aguda — e mostraram segurança, sem aumento de lesão renal aguda, com facilitação da descongestão. A elevação inicial de creatinina após SGLT2i é hemodinâmica (vasoconstrição da arteríola aferente), reversível e não indica nefrotoxicidade; a longo prazo a droga é nefroprotetora.

O que realmente faz pausar: jejum prolongado ou baixa ingesta oral (risco de cetoacidose euglicêmica — que ocorre com glicemia normal ou pouco elevada), hipovolemia franca, hipotensão sintomática, cirurgia programada, infecção grave. Nenhum desses está presente no João. Pausar por reflexo custa benefício comprovado ao paciente.
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IECA/BRA/ARNI são nefrotóxicos? Por que suspender o Entresto?
IECA, BRA e ARNI não são nefrotóxicos diretos. Eles reduzem a pressão intraglomerular por vasodilatação da arteríola eferente — podem elevar creatinina, especialmente em hipovolemia, estenose bilateral de artéria renal, IRA progressiva ou hipercalemia. Suspender o Entresto neste caso é pela instabilidade da fase aguda + Cr em contexto de descompensação — não porque "faz mal ao rim". Reavaliar precocemente para reintrodução antes da alta (estratégia STRONG-HF).
?
Por que Hidralazina + Nitrato como substitutos do Entresto?
A combinação Hidralazina (vasodilatador arterial) + Nitrato (venodilatador) reduz pré e pós-carga sem impacto renal direto — não atua sobre a arteríola eferente. É a alternativa recomendada pela SBC para pacientes com disfunção renal significativa ou intolerância a IECA/BRA/ARNI. Permite manter a descarga neuro-hormonal enquanto o rim estabiliza.
Fase 9

Encerramento do OSCE — Estabilização Inicial

T = 60 min
⚠ Encerramento do OSCE ≠ Alta hospitalar

Este OSCE encerra em T=60 min com o paciente em estabilização inicial. João com EAP + anasarca + Cr 2,5 deve internar em unidade monitorada — UTI coronariana ou sala de emergência avançada — com reavaliações seriadas, balanço hídrico rigoroso, eletrólitos, função renal, ecocardiografia e ajuste progressivo de terapia. Alta hospitalar é destino distante.

Filosofia do atendimento · a ordem acima da pressa

"Não existe emergência que se resolva pela pressa — existe emergência que se resolve pela ordem. Sente, oxigene, vasodilate, descongestione. E só então procure quem acendeu o fogo. Fazer na ordem certa é o que transforma correria em cuidado."

— Dr. André Rossanno

Status em T=60 min: paciente vasodilatado, iniciando diurese pós-bloqueio sequencial, bases pulmonares com melhora progressiva, PA controlada, hemodinamicamente estável. Perfil B em descongestão ativa. Reconciliação medicamentosa realizada.

📋 Prescrição Ativa Completa

Prescrição em T=60 min
O₂ Venturi 35%conforme válvulaalvo SpO₂ 94–96%
Furosemida80 mg EV · 4 ampbolus inicial
Tridil10 mL/250 mL · 10 mL/h200 mcg/mL
Carvedilol3,125 mg 2×/diamanter VO
Espironolactonadose habitualmanter se K<5 e eTFG ok
Hidralazinaa prescreversubstituto Entresto
Nitrato orala prescreversubstituto Entresto
Dapagliflozina10 mg 1×/diaMANTIDA — sem jejum nem hipotensão
EntrestoPAUSADOreavaliar antes da alta

👨‍👦 Orientação ao Acompanhante

Diagnóstico acessível
"Seu pai está com o coração sobrecarregado, acumulando líquido no pulmão e no corpo — por isso a falta de ar e o inchaço. Estamos tratando para tirar esse líquido e aliviar o esforço do coração."
Medicações ajustadas
"Dois remédios foram pausados temporariamente porque o rim está sobrecarregado. Colocamos substitutos para proteger o coração enquanto aguardamos estabilização do rim."
Próximos passos
Internação em unidade monitorada para controle dos remédios venosos e exames seriados. Sinais de alerta: falta de ar piora, tontura, redução de urina → chamar equipe imediatamente.
🗺 Algoritmo Final — OSCE EAP Perfil B · João 70 kg
⚡ EAP HIPERTENSIVO — PERFIL B QUENTE/ÚMIDO
Cardiopata descompensado em anasarca · PA 170×90 · SpO₂ 88%
FASE 0 · Posição 90° · Conversa rápida
Impressão geral → responsivo → "coração grande, falta de ar"
FASE 1 · O₂ + Monitor (em paralelo) · Venturi 35%
SpO₂ alvo ≥94% · PA + ECG contínuos · Sem VNI: reavaliar em 5–10 min · Se falha: escalar suporte
FASE 2 · ABCD Integrado
A: Glasgow 15 · B: crepitantes + anasarca · C: B3 mitral — Perfil B quente/úmido · D: glicemia/temp
FASES 3+4 · Exames + Acompanhante (paralelo)
Labs + ECG + RX + NT-proBNP + troponina · Furosemida domiciliar = 80 mg/dia
FASE 5 · Furosemida 80 mg EV (Classe I) + Tridil EV (Classe IIb) — CONCOMITANTES · sonda vesical sem atrasar terapia
Não há disputa de ordem: os dois entram juntos · Diurese = pico 20–30 min · NÃO fazer morfina de rotina
FASE 6 · Tridil 7 mL/h → titular para 10 mL/h
200 mcg/mL · Checar: VD? iPDE5? PAS < 100? · Reavaliar ausculta + PA em 20 min
RESPOSTA ADEQUADA? · Na⁺ urinário 2 h · diurese 6 h
Na⁺ ur. >50–70 mEq/L · diurese 100–150 mL/h · melhora da ausculta, SpO₂ e PA
✅ SIM
Manter estratégia
Alvo 100–150 mL/h · Nitrato titulado · Reavaliar 15 min
🔴 NÃO
Dobrar a dose → Bloqueio Sequencial
Checar K/Mg · Acetazolamida 500 mg EV · HCTZ · Fur. reforço/infusão
FASE 8 · Exames chegam · Cr = 2,5 · Reconciliação
MANTER Dapagliflozina · Pausar Entresto (instabilidade, não "rim") · K por faixas p/ espironolactona · Hidralazina + Nitrato oral
✅ ESTABILIZADO INICIAL · T = 60 min · OSCE ENCERRADO
Urinando · Vasodilatado · Descongestão ativa · Internação monitorada · Orientar acompanhante

"No EAP, o pulmão grita primeiro: sente, oxigene, vasodilate e descongestione.
Mas nunca trate só a espuma — procure o gatilho que acendeu a tempestade."

— Dr. André Rossanno · Baseado nas Diretrizes SBC 2023–2024