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Dr. André Rossanno
Cardiologia · UTI · Emergência · TEC 2026
"Quem estuda com propósito não acumula páginas — acumula decisões.
O conhecimento só salva vidas quando está pronto para ser lembrado em segundos."
⚡ Emergência Cardiológica OSCE Estruturado TEC 2026 🧠 Memorização Médica SBC 2023–2024

Edema Agudo Pulmonar
Perfil B — Algoritmo OSCE

Simulação Realística · Sequência Pedagógica Fragmentada · Aplicabilidade Clínica Integrada

🫁

Este paciente NÃO é apenas hipertensivo

João é um cardiopata descompensado em anasarca — edema generalizado (maleolar 4+/6, ascite, derrame pleural) associado a congestão pulmonar aguda. O que o está matando não é só a PA elevada — é a sobrecarga de volume com redistribuição para o pulmão. A estratégia terapêutica reflete isso: vasodilatar + descongestionar, baseada no Perfil B da SBC. A PA elevada é consequência da ativação neuro-hormonal, não a causa primária do EAP neste contexto.

🌬️

Importante: Ideal × Realidade da Unidade

No cenário ideal, o paciente com EAP e desconforto respiratório importante teria acesso precoce à ventilação não invasiva (CPAP/BiPAP) quando indicada — especialmente com SpO₂ < 90%, FR > 25 e uso de musculatura acessória. Esta intervenção reduz o desconforto e o risco de intubação.

Entretanto, esta unidade não dispõe de VNI sob demanda imediata — realidade frequente em muitas emergências brasileiras. Assim, este OSCE ensina o manejo ideal e o manejo possível de forma integrada.

✅ Ideal (diretrizes ESC/SBC) CPAP/BiPAP precoce quando SpO₂ < 90%, FR > 25 ou esforço ventilatório importante. Inicia antes ou junto com a terapia medicamentosa.
⚠ Realidade local Sem VNI sob demanda imediata. Conduta: sentar 90°, O₂ suplementar, monitorização, nitrato + diurético, reavaliação mais precoce e mais frequente. A falta de VNI não autoriza passividade — obriga a agir mais cedo e escalar ajuda antes da exaustão respiratória.
João · 70 kg
170 × 90 mmHg
Quente / Úmido · B
Anasarca + EAP

🧠 Técnica de Memorização Médica — Aplicabilidade em Simulação Realística

Este protocolo utiliza a fragmentação pedagógica sequencial como recurso de memorização médica aplicada à simulação realística. Cada fase representa um domínio clínico que, isoladamente, recebe atenção total do aluno — assim como no RCP, onde cada manobra é treinada antes de ser executada em conjunto. Na prática clínica real, todas as etapas ocorrem de forma integrada e simultânea. Apesar de existir um algoritmo como guia, cada paciente deve ser individualizado. O algoritmo é um mapa mental, não um protocolo rígido.

Autor: Dr. André Rossanno  |  Cardiologia UTI Emergência  |  Baseado nas Diretrizes SBC 2023–2024
Fase 0

Chegada — Impressão Inicial

T = 0 min

👁 Avaliação Visual + Posicionamento

  • Franca dispneia, taquipneico, ortopneico
  • Posicionar em 90° imediatamente — reduz pré-carga por pooling venoso
  • Responsivo — conversa brevemente
  • Impressão geral: paciente congesto, sudoreico, ansioso

💬 Conversa Inicial Rápida

  • ?"Qual é o seu nome, senhor?"
  • ?"O que o senhor está sentindo?"
  • Resposta: "Coração grande, estou com falta de ar"
  • Confirma: responsivo, orientado, queixa cardíaca

🃏 Flashcards — clique para revelar

Por que sentar o paciente em 90° antes de qualquer outra coisa?

toque para ver ▸

Posição ortostática → pooling venoso periférico → ↓ retorno venoso → ↓ pré-carga → alívio imediato da congestão pulmonar

O que caracteriza o Perfil B da SBC neste paciente?

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Quente + Úmido
Débito cardíaco preservado + Congestão pulmonar presente. Estratégia: vasodilatar + diurese. Inotrópico NÃO indicado.

O que é anasarca e como ela se manifesta neste paciente?

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Edema generalizado: maleolar 4+/6, ascite, derrame pleural + congestão pulmonar. É IC descompensada avançada — não apenas HAS.

Fase 1

Suporte de O₂ + Monitorização

T = 0–3 min
⚡ Princípio integrado — O₂ e monitorização em paralelo

Na prática clínica real, oxigenar, posicionar e monitorar ocorrem quase simultaneamente. Pedagogicamente, verbalizamos o oxigênio como primeira prioridade — porque hipoxemia mata antes de você ler o número na tela. Mas o monitor não espera uma "fase 2": as ações são integradas, não sequenciais rígidas.

🌬️ Ideal vs Possível — VNI nesta fase

O ideal para SpO₂ 88% + desconforto respiratório seria O₂ imediato enquanto prepara VNI. Se FR > 25, uso de musculatura acessória ou SpO₂ persistente < 90%, iniciar CPAP/BiPAP o mais precocemente possível.
Nesta unidade: sem VNI disponível imediatamente → iniciar Venturi, tratar com nitrato + furosemida, e reavaliar a cada 5–10 minutos. Se falha clínica: acionar suporte avançado / transferência para UTI. A Venturi é uma ponte, não uma solução definitiva se o paciente não melhorar.

1A · Cálculo da FiO₂ — Cateter Nasal

FiO₂ = (Fluxo × 4 + 21) ÷ 100
Ex: cateter 3 L/min → (3×4 + 21)/100
→ FiO₂ = 0,33 = 33%
Máscara de Venturi — estratégia inicial nesta unidade

SpO₂ = 88% → trocar para Venturi.
Válvula 35% · seguir o fluxo mínimo impresso na válvula.
Alvo SBC 2023: SpO₂ ≥ 94–96%
Se não atingir alvo em 5–10 min ou piora clínica: escalar suporte e acionar ajuda.

1B · Monitorização — em paralelo com O₂

  • PA contínua — registrar valor inicial
  • SpO₂ contínua — confirmar melhora pós-Venturi
  • ECG contínuo — detectar arritmia precipitante
  • 2 acessos venosos calibrosos

Ação → Reação sempre: instalou monitor → lê o monitor. Colocou Venturi → avalia SpO₂ em 2–5 min. Sem melhora de SpO₂ ou piora de desconforto = escalonamento imediato.

?
Por que O₂ é prioridade verbal, mas monitorização ocorre em paralelo?
A hipoxemia grave (SpO₂ 88%) representa risco imediato de falência respiratória. A monitorização é essencial, mas não altera a hipoxemia — apenas a quantifica. Corrigir o problema antes de monitorar é a prioridade verbal e pedagógica. Na prática, as duas ações ocorrem quase simultaneamente: um profissional oxigena enquanto o outro instala monitor. O OSCE testa se o candidato reconhece a urgência do O₂ primeiro.
?
Qual a diferença entre cateter nasal e máscara de Venturi?
O cateter nasal entrega FiO₂ variável e imprecisa (depende da ventilação do paciente). A máscara Venturi usa princípio de Bernoulli para entregar FiO₂ fixa e controlada, independente do padrão respiratório — ideal no EAP onde o paciente está taquipneico e irregular. Cada válvula especifica o fluxo mínimo necessário para manter a FiO₂ prometida.
Fase 2

Avaliação ABCD — Fragmentada

T = 3–8 min
🧠

Observação pedagógica: a fragmentação do ABCD é exclusivamente didática. Na prática clínica real, o ABCD é executado de forma integrada e simultânea. Cada paciente deve ser individualizado — o algoritmo é o mapa, não o destino.

A — Airway + Neurológico Rápido

  • Via aérea pérvia — fala, sem obstrução
  • Aperta mão — força preservada, simétrica
  • Pupilas isocóricas e fotorreagentes
  • ?"Teve febre?"Não, só cansaço
  • ?"Quando começou a falta de ar?"
  • Glasgow 15 — orientado, responsivo

B — Breathing: Pulmão PRIMEIRO, semiologia periférica depois

No EAP, o pulmão é a urgência imediata do B. O aluno que demora a auscultar o pulmão pode ser penalizado no OSCE. Semiologia periférica vem logo após — ela confirma e quantifica a sobrecarga de volume (anasarca).

1º · Ausculta Pulmonar

  • !Estertores crepitantes bilaterais — predomínio em bases
  • !↓ Murmúrio vesicular bilateral
  • !Taquipneia — FR elevada

2º · Semiologia Craniocaudal (anasarca)

  • Turgência jugular a 45° — presente
  • Reflexo hepatojugular — positivo
  • Percussão abdominal — hepatomegalia
  • Edema maleolar 4+/6 bilateral
  • Pulso pedioso sincrônico — presente

C — Circulation: Ausculta Cardíaca + Periférico

🧠 Mnemônico de Memorização — Focos de Ausculta Cardíaca
APARTAMENTO

No mnemônico AParTaMenTo, as letras destacadas formam A P T M: os 4 focos na ordem de ausculta

A
Aórtico
2º EID
P
Pulmonar
2º EIE
T
Tricúspide
4º EIE
M
Mitral
5º EIE / Ictus

Achado neste paciente: B3 mitral — galope diastólico. Indica disfunção ventricular e sobrecarga de volume. Confirma IC descompensada.

  • Enchimento capilar normal (<2s) — quente
  • Pulso radial cheio e forte (PA 170×90)

Perfil clínico-hemodinâmico B (quente e úmido): débito preservado + congestão. Vasodilatar + descongestionar. Inotrópico não indicado aqui.

D — Disability + Dados Complementares

  • Glasgow formal: 15
  • Glicemia capilar — excluir hiper/hipoglicemia precipitante
  • Temperatura — excluir foco infeccioso
  • Diurese prévia: oligúria? → orienta urgência da sonda
?
Por que auscultar o pulmão ANTES da semiologia periférica no B?
No EAP, o comprometimento pulmonar é o evento agudo que está matando o paciente naquele momento. A semiologia periférica (edema, jugular, hepatomegalia) confirma a sobrecarga crônica — importante, mas não urgente. O OSCE penaliza quem demora a auscultar o pulmão num quadro agudo respiratório.
?
O que significa B3 mitral e por que ele aparece neste paciente?
B3 (terceira bulha) = som protodiastólico causado pela desaceleração abrupta do fluxo de sangue entrando num ventrículo esquerdo rígido e sobrecarregado. É o "galope de enchimento". Sua presença confirma disfunção diastólica e sobrecarga de volume — achado típico da IC descompensada. Foco mitral = 5º EIE ou ictus.
Fase 3

Solicitação de Exames

T = 5–8 min · em paralelo com ABCD
🧠

Pedagógico: exames solicitados em paralelo com o ABCD — o técnico coleta enquanto o médico continua avaliando. Aqui são apresentados separadamente para justificar cada um individualmente.

ExamePor que solicitarAchado esperado
HemogramaAnemia precipitante; leucocitose sugere foco infeccioso
SódioHiponatremia dilucional na IC avançada; orienta restrição hídricaPode estar ↓
PotássioFurosemida causa hipocalemia → risco arritmia; guia reposiçãoChecar basal
CloroAlcalose hipoclorêmica por diuréticos crônicos; avalia ácido-base
Ureia + CreatininaFunção renal ANTES do diurético — define dose e reconciliaçãoCr = 2,5 mg/dL ⚠
MagnésioHipomagnesemia → arritmias + resistência ao diurético de alça
Gasometria ArterialHipoxemia real, hipercapnia (fadiga?), pH, lactatoHipoxemia + alcalose resp.
NT-proBNPConfirmar descompensação. Preferir NT-proBNP — paciente usa EntrestoMuito elevado
TroponinaSCA como precipitante — ECG não exclui isquemia subendocárdicaPode estar ↑
ECG 12 derivaçõesExcluir SCA, sobrecarga, arritmia precipitanteSobrecarga VE
RX de TóraxCongestão, derrame, cardiomegalia — confirma diagnósticoRedistribuição + Kerley B
🎓 Pegadinha TEC — NT-proBNP vs BNP no uso de Entresto

Paciente usa Entresto (sacubitril/valsartana). O sacubitril inibe a neprilisina (NEP) → BNP não é degradado → BNP falsamente elevado, podendo confundir a interpretação clínica. Para acompanhamento da descompensação, o correto é dosar NT-proBNP, que é menos diretamente influenciado pela inibição da neprilisina. Dosar BNP neste paciente = risco de superestimar o grau de descompensação.

🃏 Flashcards

Por que pedir magnésio num paciente em uso de furosemida?

toque ▸

Furosemida causa hipomagnesemia. Mg baixo → arritmias ventriculares + resistência ao diurético de alça. Repor antes de escalar dose.

Por que pedir troponina se o ECG não mostra SCA?

toque ▸

Isquemia subendocárdica pode ocorrer sem supra de ST. O ECG não exclui SCA — a troponina é necessária para completar o raciocínio diagnóstico.

O que o Kerley B no RX de tórax significa?

toque ▸

Linhas horizontais nos ângulos costofrênicos → edema intersticial por aumento da pressão capilar pulmonar. Sinal de congestão pulmonar aguda.

Fase 4

Anamnese com Acompanhante

T = 3–5 min · em paralelo com coleta

Timing estratégico: o acompanhante é chamado enquanto o técnico coleta os exames. Você precisa saber a dose domiciliar de furosemida ANTES de prescrever a dose EV.

MedicaçãoDose / FrequênciaImpacto na conduta
Carvedilol3,125 mg · 2×/diaDose baixa — estável hemodinamicamente
Dapagliflozina10 mg · 1×/diaAvaliar eTFG, estabilidade, risco de cetose — decidir na Fase 8
Entresto (sacubitril/valsartana)Em uso→ pedir NT-proBNP, nunca BNP!
EspironolactonaX mg · manhã e tardeVerificar K e eTFG antes de manter
Furosemida40 mg manhã + 40 mg tardeTotal VO = 80 mg/dia → dose EV = 80 mg
HidroclorotiazidaIa comprar, nunca tomou
Fase 5

Sonda Vesical + Furosemida EV

T = 8–10 min

🌡️ SONDA VESICAL — PRECOCE, SEM ATRASAR A TERAPIA

A sonda mede a resposta — ela não pode sequestrar o tratamento.
Colocar antes ou imediatamente após nitrato e furosemida, sem atrasar essas intervenções se o paciente estiver em desconforto respiratório.

Ordem prática: O₂ + monitor → nitrato + furosemida → sonda vesical (precoce, mas não antes do tratamento se houver urgência). Sem sonda = sem medição de diurese. Mas o pulmão não espera a cateterização.

🌿 Efeito vasodilatador precoce da furosemida — SBC

A furosemida possui um efeito vasodilatador pulmonar imediato mediado por prostaglandinas, que ocorre antes da diurese. Por isso o paciente sente alívio da dispneia em minutos — não porque urinou, mas porque houve vasodilatação venosa pulmonar. A diurese vem depois (pico 20–30 min EV) e deve ser monitorizada com calma, sem escalonamento precipitado. O alívio inicial não significa que o tratamento está completo.

Regra SBC 2023 — Dose EV

Dose IV ≥ Dose VO Total Diária
João: 40 mg manhã + 40 mg tarde = 80 mg/dia
→ Furosemida EV = 80 mg

Paciente adaptado → precisa de dose cheia. Subdosar é pegadinha clássica de prova e erro frequente na prática.

💊 Apresentação do Lasix

Furosemida (Lasix) — concentração padrão
1 mL= 10 mgconcentração padrão
1 ampola= 2 mL = 20 mgapresentação brasileira
Para 80 mg:4 ampolas EV= 8 mL no total

Verbalizar corretamente no OSCE:
"Prescrevo 4 ampolas de furosemida EV em bolus"
Não apenas "80 mg" — o examinador quer saber se você conhece a apresentação real.

Ação → Reação: prescreveu furosemida → aguardar 20–30 min para avaliar início de resposta diurética. Avaliação formal de resposta: até 2 horas. O alívio precoce da dispneia é pelo efeito vasodilatador — não confundir com resposta diurética. Se até 2h não houver diurese adequada, escalonar sem aguardar a próxima dose programada.

?
A furosemida vasodilata? Como isso alivia o pulmão antes da diurese?
Sim. A furosemida estimula a síntese de prostaglandinas vasodilatadoras (PGE2, PGI2) que promovem venodilatação sistêmica e pulmonar nos primeiros minutos após a infusão EV. Isso reduz a pré-carga rapidamente, aliviando a congestão antes mesmo de qualquer efeito diurético. O pico diurético ocorre em 20–30 min — a avaliação formal de resposta adequada deve ser feita em até 2 horas.
Fase 6

Nitrato EV — Tridil vs Nipride

T = 10–12 min
Princípio SBC — vasodilatar primeiro

O nitrato é o primeiro pilar terapêutico do EAP cardiogênico. Vasodilatação venosa → ↓ pré-carga → ↓ congestão pulmonar rápida. A furosemida complementa pela diurese, mas o nitrato age mais rápido no pulmão quando PAS está adequada.

✅ ESCOLHIDO
Tridil
Nitroglicerina (GTN)
Ampola10 mL
Diluição10 mL em 250 mL SG5% → 200 mcg/mL
MecanismoVenodilatador + coronário protetor
Efeito↓ Pré-carga predominante
IndicaçãoEAP cardiogênico — escolha habitual
Nipride
Nitroprussiato de Sódio
Ampola2 mL
Diluição2 mL em 250 mL SG5% — proteger da luz
MecanismoVasodilatador arterial + venoso (misto)
Efeito↓ Pré-carga + ↓ Pós-carga
IndicaçãoHAS grave / forte redução de pós-carga
🎓 Por que Tridil neste caso?

João tem componente cardiogênico (IC descompensada, B3 mitral, anasarca) com PA preservada. O Tridil, além de venodilatador, tem efeito coronário protetor — importante num paciente com coração doente. O Nipride é opção quando há hipertensão grave com necessidade de forte redução de pós-carga, mas exige monitorização rigorosa, proteção da luz e cautela com disfunção renal. No EAP cardiogênico com PA adequada e suspeita de coronariopatia, nitroglicerina é a escolha mais segura e familiar.

✅ Checklist antes do Tridil — 3 perguntas obrigatórias

  • ?IAM de ventrículo direito?
    VD depende de pré-carga — Tridil ↓ pré-carga → colapso. Contraindicado se VD infartado.
  • ?Uso de inibidor de fosfodiesterase 5? (Sildenafil / Tadalafil)
    Contraindicação absoluta — sinergia perigosa → hipotensão grave.
  • ?Hipotensão? PAS < 100 mmHg
    Contraindicado. João tem 170×90 → liberar.
  • João: PA 170×90 · sem VD · sem iPDE5 → Tridil liberado

⚙ Prescrição e Titulação — Tridil

Tridil — 10 mL em 250 mL SG5% = 200 mcg/mL
Início7 mL/h≈ 23 mcg/min
T=20 min · reavaliar→ 10 mL/h≈ 33 mcg/min
Se necessário→ 15 mL/h≈ 50 mcg/min
Titular a cada5–10 min+ 3 mL/h por vez
Limite ↓ PAPAS < 100reduzir / suspender

Por que começar em 7 mL/h? Neste OSCE acadêmico, iniciamos em 7 para demonstrar titulação progressiva. A dose não é calculada por peso — é titulada pela resposta clínica e pela PA.

🔄 Reavaliação em T = 20 min — Ação → Reação

  • Auscultar pulmão: ápices melhoraram (vasodilatação precoce furosemida + nitrato)
  • !Bases ainda com subcrepitantes — congestão parcialmente mantida
  • PA respondeu → aumentar Tridil de 7 para 10 mL/h
  • Checar diurese pela sonda → se ausente → aguardar até T=60 min antes de escalar (Fase 7)
?
Por que o Tridil é contraindicado no IAM de VD?
O ventrículo direito infartado perde sua capacidade contrátil e passa a depender exclusivamente da pré-carga para manter o débito. O Tridil reduz a pré-carga por venodilatação → o VD colapsa → choque cardiogênico. Por isso, no IAM inferior com extensão para VD, nitratos são contraindicados e a conduta é expansão volêmica.
?
Qual a diferença entre Tridil e Nipride em termos de mecanismo?
Tridil (nitroglicerina): venodilatador + coronário protetor. Reduz predominantemente a pré-carga e tem efeito vasodilatador coronariano → ideal em cardiopatas com PAS adequada.

Nipride (nitroprussiato): vasodilatador arterial + venoso misto → reduz pré e pós-carga. Mais potente anti-hipertensivo, mas sem proteção coronariana. Requer proteção da luz na infusão. Cuidado com disfunção renal/hepática (risco de toxicidade por cianeto). Usado em emergências hipertensivas graves onde se deseja redução intensa de pós-carga.
Fase 7

Sem Diurese — Bloqueio Sequencial do Néfron

T = 30–40 min

❓ Avaliação de Resposta Terapêutica — T = 30–60 min

✅ SIM — Houve resposta

Diurese adequada
Alvo: >0,5 mL/kg/h
= >35 mL/h (70 kg)
Manter estratégia em curso
Reavaliar congestão, PA e SpO₂ a cada 15–30 min

🔴 NÃO — Resposta insuficiente

Resistência diurética
Checar K, Mg, eTFG
→ Bloqueio Sequencial
do Néfron — escalar

🧠

Âncora: "O rim está travado no túbulo distal → você abre a válvula final." A furosemida bloqueia a alça de Henle. O sódio que escapa continua sendo reabsorvido distalmente. O tiazídico bloqueia esse segmento — ação sinérgica e potente.

SegmentoDrogaMecanismoPrescrição
Alça de HenleFurosemida (reforço)Inibe NKCC2+ 40–80 mg EV
Túbulo DistalTiazídico (chave)Inibe NCCHCTZ 25–50 mg VO
ou Clortalidona 25 mg
Ducto ColetorEspironolactonaBloqueia receptor mineralocorticoide → ↓ ENaC indiretamenteJá em uso — reavaliar K e eTFG
Alvo de diurese após bloqueio

100–150 mL/h nas primeiras horas confirma eficácia do bloqueio e descongestão ativa.

⏱ T=60–120 min · Se necessário

Furosemida infusão contínua
Dose10–20 mg/h EVem bomba

🃏 Flashcards — Bloqueio Sequencial

Por que o tiazídico é a "chave" no bloqueio sequencial?

toque ▸

A furosemida bloqueia a alça, mas o sódio que escapa é reabsorvido no túbulo distal. O tiazídico bloqueia o NCC distal — sinergia que potencializa dramaticamente a diurese.

Onde age a espironolactona no néfron?

toque ▸

No ducto coletor — bloqueia o receptor mineralocorticoide/aldosterona → reduz indiretamente a atividade do ENaC. Quem bloqueia o ENaC diretamente é a amilorida. João já usava — manter se K e eTFG adequados.

Fase 8

Exames + Reconciliação de Medicamentos

T = 40–50 min
⚠ Achado crítico que orienta a reconciliação

Creatinina = 2,5 mg/dL — resultado que exige avaliação cuidadosa de cada medicamento. Creatinina isolada não define conduta automática: é preciso considerar eTFG, potássio, tendência (aguda ou crônica?), PA e estabilidade clínica.

MedicaçãoCondutaRaciocínio
Carvedilol 3,125 mg✅ ReconciliarDose baixa; estável hemodinamicamente
Furosemida✅ Manter EVAinda em tratamento ativo
Espironolactona ⚠ Verificar K e eTFG Manter somente se K < 5,0 mEq/L e sem IRA progressiva. Suspender temporariamente se K elevado ou eTFG muito baixa. Perguntar obrigatório no OSCE: "Qual o potássio? Qual a eTFG? A creatinina é basal ou nova?"
Dapagliflozina (SGLT2i) ❌ Pausar na fase aguda Paciente instável, fase aguda: risco de cetoacidose e piora renal. Reavaliar eTFG, estabilidade, risco de cetose e ingestão oral antes de reiniciar. Se estabilizado e eTFG permitir: considerar reintrodução antes da alta.
Entresto (ARNI) ❌ Pausar na fase aguda Instabilidade + Cr 2,5 na fase aguda. Não suspender automaticamente por Cr 2,5 se for DRC estável — mas neste contexto de descompensação ativa: pausar e reavaliar. IECA/BRA/ARNI não são "nefrotóxicos diretos": reduzem pressão intraglomerular por vasodilatação eferente e podem elevar Cr em hipovolemia, IRA ou hipercalemia. Reavaliar para reintrodução antes da alta (STRONG-HF).
Substitutos transitórios para cobertura de pós-carga enquanto Entresto está pausado:
Hidralazina + Nitrato oral — alternativa clássica recomendada pela SBC para pacientes com disfunção renal significativa ou intolerância a IECA/BRA/ARNI. Reduz pré e pós-carga sem impacto renal direto.
?
Creatinina 2,5 = suspender automaticamente dapagliflozina?
Não automaticamente. A decisão envolve: eTFG real, estabilidade clínica, risco de cetoacidose (diabetes em insulinoterapia, jejum, baixa ingesta), hipotensão e IRA verdadeiramente progressiva. Na fase aguda instável deste paciente, pausar é prudente. Se estabilizar e eTFG permitir, considerar reintrodução antes da alta — os SGLT2i têm benefício documentado em IC, inclusive iniciados durante hospitalização (EMPULSE).
?
IECA/BRA/ARNI são nefrotóxicos? Por que suspender o Entresto?
IECA, BRA e ARNI não são nefrotóxicos diretos. Eles reduzem a pressão intraglomerular por vasodilatação da arteríola eferente — podem elevar creatinina, especialmente em hipovolemia, estenose bilateral de artéria renal, IRA progressiva ou hipercalemia. Suspender o Entresto neste caso é pela instabilidade da fase aguda + Cr em contexto de descompensação — não porque "faz mal ao rim". Reavaliar precocemente para reintrodução antes da alta (estratégia STRONG-HF).
?
Por que Hidralazina + Nitrato como substitutos do Entresto?
A combinação Hidralazina (vasodilatador arterial) + Nitrato (venodilatador) reduz pré e pós-carga sem impacto renal direto — não atua sobre a arteríola eferente. É a alternativa recomendada pela SBC para pacientes com disfunção renal significativa ou intolerância a IECA/BRA/ARNI. Permite manter a descarga neuro-hormonal enquanto o rim estabiliza.
Fase 9

Encerramento do OSCE — Estabilização Inicial

T = 60 min
⚠ Encerramento do OSCE ≠ Alta hospitalar

Este OSCE encerra em T=60 min com o paciente em estabilização inicial. João com EAP + anasarca + Cr 2,5 deve internar em unidade monitorada — UTI coronariana ou sala de emergência avançada — com reavaliações seriadas, balanço hídrico rigoroso, eletrólitos, função renal, ecocardiografia e ajuste progressivo de terapia. Alta hospitalar é destino distante.

Status em T=60 min: paciente vasodilatado, iniciando diurese pós-bloqueio sequencial, bases pulmonares com melhora progressiva, PA controlada, hemodinamicamente estável. Perfil B em descongestão ativa. Reconciliação medicamentosa realizada.

📋 Prescrição Ativa Completa

Prescrição em T=60 min
O₂ Venturi 35%conforme válvulaalvo SpO₂ ≥94%
Furosemida80 mg EV · 4 ampbolus inicial
Tridil10 mL/250 mL · 10 mL/h200 mcg/mL
Carvedilol3,125 mg 2×/diamanter VO
Espironolactonadose habitualmanter se K<5 e eTFG ok
Hidralazinaa prescreversubstituto Entresto
Nitrato orala prescreversubstituto Entresto
DapagliflozinaPAUSADOreavaliar ao estabilizar
EntrestoPAUSADOreavaliar antes da alta

👨‍👦 Orientação ao Acompanhante

Diagnóstico acessível
"Seu pai está com o coração sobrecarregado, acumulando líquido no pulmão e no corpo — por isso a falta de ar e o inchaço. Estamos tratando para tirar esse líquido e aliviar o esforço do coração."
Medicações ajustadas
"Dois remédios foram pausados temporariamente porque o rim está sobrecarregado. Colocamos substitutos para proteger o coração enquanto aguardamos estabilização do rim."
Próximos passos
Internação em unidade monitorada para controle dos remédios venosos e exames seriados. Sinais de alerta: falta de ar piora, tontura, redução de urina → chamar equipe imediatamente.
🗺 Algoritmo Final — OSCE EAP Perfil B · João 70 kg
⚡ EAP HIPERTENSIVO — PERFIL B QUENTE/ÚMIDO
Cardiopata descompensado em anasarca · PA 170×90 · SpO₂ 88%
FASE 0 · Posição 90° · Conversa rápida
Impressão geral → responsivo → "coração grande, falta de ar"
FASE 1 · O₂ + Monitor (em paralelo) · Venturi 35%
SpO₂ alvo ≥94% · PA + ECG contínuos · Sem VNI: reavaliar em 5–10 min · Se falha: escalar suporte
FASE 2 · ABCD Integrado
A: Glasgow 15 · B: crepitantes + anasarca · C: B3 mitral — Perfil B quente/úmido · D: glicemia/temp
FASES 3+4 · Exames + Acompanhante (paralelo)
Labs + ECG + RX + NT-proBNP + troponina · Furosemida domiciliar = 80 mg/dia
FASE 5 · Tridil EV → sonda vesical (sem atrasar terapia) → Furosemida 80 mg EV
Alívio precoce = vasodilatação · Diurese = 20–30 min · Avaliação formal de resposta: até 2h
FASE 6 · Tridil 7 mL/h → titular para 10 mL/h
200 mcg/mL · Checar: VD? iPDE5? PAS < 100? · Reavaliar ausculta + PA em 20 min
T = 30–60 min · RESPOSTA ADEQUADA?
Diurese >35 mL/h · Melhora ausculta · SpO₂ · PA controlada
✅ SIM
Manter estratégia
Alvo >35 mL/h · Nitrato titulado · Reavaliar 15 min
🔴 NÃO
Bloqueio Sequencial
Checar K/Mg · HCTZ + Fur. reforço · Alvo 100–150 mL/h
FASE 8 · Exames chegam · Cr = 2,5 · Reconciliação
Pausar Dapagliflozina + Entresto · Verificar K para espironolactona · Iniciar Hidralazina + Nitrato oral
✅ ESTABILIZADO INICIAL · T = 60 min · OSCE ENCERRADO
Urinando · Vasodilatado · Descongestão ativa · Internação monitorada · Orientar acompanhante

"No EAP, o pulmão grita primeiro: sente, oxigene, vasodilate e descongestione.
Mas nunca trate só a espuma — procure o gatilho que acendeu a tempestade."

— Dr. André Rossanno · Baseado nas Diretrizes SBC 2023–2024