Formulário pré-operatório · v1 · etapa 1 do projeto
Como usar. Imprima em branco para preencher à mão no ambulatório ou preencha na tela — os campos calculados (idade, IMC, DASI, METs, RCRI) se atualizam sozinhos e o que você digita fica salvo apenas neste dispositivo/navegador, sem servidor. Os campos marcados com ◆ são os que o motor de decisão da etapa seguinte não consegue funcionar sem. Este formulário coleta: ele não classifica risco nem recomenda exames. O campo de assinatura sai em branco — quem imprime assina. No fim há dois anexos de referência (qual escore usar; risco do procedimento) que podem ser tirados da impressão pelo botão da barra.
Avaliação Cardiovascular Pré-operatória
Formulário de coleta estruturada — cirurgia não cardíaca em adultos
Avaliação cardiológica · uso ambulatorial e hospitalar
Ficha nº ________
Data ___/___/______
Folha ____ de ____
Sequência da avaliação →
1 quem é · 2 qual cirurgia · 3 quão urgente · 4 há doença instável ·
5 que carrega · 6 o que sente · 7 o que examino ·
8 o que consegue fazer · 9 escores · 10 o que já toma · 11 o que já tenho
01IdentificaçãoQuem é o paciente?
Nome completo
Registro / prontuário
Data de nascimento
Idade
Sexo
Telefone / contato
Peso (kg)
Altura (m)
IMC (kg/m²)
Hospital / serviço
Médico solicitante
Cirurgião
Anestesiologista (se conhecido)
02Procedimento propostoQual cirurgia?
Procedimento (descrição do cirurgião)
Data prevista
Especialidade / território
Via de acesso prevista
Duração e sangramento esperados
Caráter do procedimento — marque um
Este campo é o primeiro portão da avaliação: em urgência/emergência, adiar pode custar mais do que operar.
Anestesia prevista
Já houve tentativa/adiamento prévio deste procedimento? Por quê?
Queda recente da capacidade funcionalo que fazia há 6 meses e não faz mais
06Exame físicoO que eu vejo à beira do leito?
PA sentado (mmHg)
PA em pé / outro braço
FC (bpm) e ritmo
FR / SpO₂ (ar ambiente)
Outros achados relevantes
07Capacidade funcionalO que ele consegue fazer?
Perguntar por atividades concretas, não por impressão geral. Se a resposta for "não faz", registrar por quê — limitação cardíaca, ortopédica, neurológica ou simplesmente falta de oportunidade mudam completamente a leitura.
Âncoras práticas — o paciente consegue, sem parar por sintoma cardiovascular?
O que limita, quando limita
Comparação com 6–12 meses atrás
DASI — Duke Activity Status Index (marque o que o paciente consegue fazer)
Cuidar de si mesmo: comer, vestir-se, tomar banho, usar o banheiro
Escore = soma dos pesos marcados (máx. 58,2). VO₂ pico = 0,43 × DASI + 9,6. METs = VO₂ ÷ 3,5. Reconferir os pesos contra o artigo original antes do uso definitivo.
Leitura da capacidade funcional — registrar a categoria, não a conduta
Capacidade funcional reduzida, isoladamente, não indica teste de isquemia.
08Escores e fragilidadeQuanto pesa o risco clínico?
RCRI — Revised Cardiac Risk Index (1 ponto por item)
RCRI ___a interpretação percentual será feita na etapa de estratificação, citando a fonte
Qual escore usar depende do tipo de cirurgia — ver Anexo A. Regra curta: RCRI para cirurgia não cardíaca não vascular; em cirurgia arterial/vascular o RCRI subestima, e o índice vascular-específico discrimina melhor.
Dados adicionais para modelos por procedimento (NSQIP / MICA) — preencher se disponíveis
Classe ASA
Estado funcional (independente / parcial / dependente)
Creatinina (mg/dL) e data
Dependência de O₂ / ventilação
Escore aplicado e resultado
Data do cálculo
Preencher somente em cirurgia arterial / vascular ◆ — variáveis do índice vascular-específico (VSG-CRI)
Território e tipo de intervenção
Resultado do índice vascular, se calculado
Conferir a versão e os pesos do índice na publicação original antes de calcular; este bloco apenas garante que as variáveis sejam colhidas na consulta.
Rastreio de fragilidade — não usar idade como substituto
Escala de fragilidade usada e resultado (se aplicada)
Velocidade de marcha ou teste de levantar-se
Impressão global
09Medicações em usoO que ele já toma?
A coluna "conduta" fica em branco nesta etapa: ela será preenchida depois, junto com a decisão. Registre dose e horário da última tomada dos antitrombóticos e do iSGLT2 — sem isso nenhuma recomendação é possível.
Medicação
Dose e posologia
Indicação
Última dose (data/hora)
Conduta perioperatória
Cardiovasculares e metabólicos
Antidiabéticos ◆ — atenção ao iSGLT2
Antiagregantes e anticoagulantes ◆
Demais medicações, fitoterápicos e suplementos
Preencher se anticoagulado ◆
Indicação
Fármaco e dose exata
Clearance de creatinina estimado
Eventos trombóticos ou hemorrágicos prévios
CHA₂DS₂-VA / HAS-BLED, se calculados
Risco hemorrágico do procedimento, segundo o cirurgião
Adesão ao tratamento e uso irregular relatado
10Exames já disponíveisO que eu já tenho em mãos?
Registrar apenas o que já existe. A decisão sobre quais exames pedir vem depois — e só entra se puder mudar a conduta.
Exame
Data
Resultado relevante
HemogramaHb / Ht / plaquetas
Função renal e eletrólitoscreatinina, ureia, TFGe, Na, K
Glicemia / HbA1c
CoagulogramaINR / TTPa
ECGritmo, FC, condução, sobrecargas, alterações de ST-T
Exames solicitados — e qual decisão cada um pode mudar
Orientações medicamentosas
Conclusão e recomendações perioperatórias
Assinatura e carimbo
Data ___/___/______
Médico avaliador
CRM / UF · especialidade
12Resumo processadoO que foi colhido
Compilação automática do que você marcou acima — atualiza sozinha a cada campo preenchido. É compilação, não interpretação: nenhuma linha aqui classifica risco nem indica exame.
Anexo A · referência de bolso
Qual escore usar em qual cirurgia
Nenhum destes escores indica exame. Todos respondem à mesma pergunta — qual a probabilidade de evento cardiovascular neste paciente, nesta cirurgia — e diferem no que foi usado para derivá-los. O erro comum é aplicar um índice fora da população em que ele foi construído.
Índice
Onde funciona melhor
Onde não usar / limitação
RCRI (Lee)6 variáveis, à beira do leito
Cirurgia não cardíaca não vascular de médio e grande porte. É o índice de referência das diretrizes e o que este formulário calcula na Seção 08.
Desempenho fraco em cirurgia vascular arterial — tende a subestimar. Não foi construído para emergência. Trata todas as cirurgias "de alto risco" como uma categoria única, sem distinguir uma colecistectomia de uma esofagectomia.
Gupta / NSQIP MICAidade, estado funcional, creatinina, ASA, tipo de procedimento
Quando se quer estimativa de IAM ou parada cardíaca perioperatória com granularidade por tipo de procedimento, incluindo cirurgias que o RCRI agrupa mal.
Não inclui IAM prévio, insuficiência cardíaca nem AVC entre as variáveis — pode subestimar em cardiopata conhecido. Derivado de população norte-americana.
ACS NSQIP Surgical Risk Calculatorcalculadora por código de procedimento, ~20 variáveis
Quando importam desfechos além do cardíaco (mortalidade, complicações, tempo de internação, alta para reabilitação) e quando se quer conversar risco com paciente e cirurgião em números concretos.
Exige acesso online — não roda offline junto com este formulário. Calibração variável fora da população de origem; os dados de entrada precisam ser fiéis, senão o número engana.
Índice vascular-específicoVSG-CRI — Vascular Study Group
Cirurgia arterial: aorta, revascularização de membros inferiores, carótida, procedimentos endovasculares. Foi derivado nessa população e discrimina melhor que o RCRI aqui.
Não usar fora do território vascular. Menos difundido — confira a versão e os pesos na publicação original antes de calcular.
Escolha rápida
Antes de transformar escore em conduta: um índice estima probabilidade de evento — ele não diz que exame pedir. A pergunta seguinte continua sendo a mesma: o resultado deste exame mudaria alguma coisa no manejo, no timing, no tratamento ou na monitorização? Nunca some pontos de índices diferentes, e sempre registre qual índice gerou o percentual citado no parecer.
Anexo B · referência de bolso
Risco inerente ao procedimento
Este é o risco da cirurgia, estimado antes de olhar para o paciente — a probabilidade de morte cardiovascular ou infarto em 30 dias em um paciente médio submetido àquele procedimento. Ele se soma ao risco clínico, mas não se confunde com ele: uma cirurgia de alto risco em paciente hígido e uma cirurgia de baixo risco em cardiopata grave são situações diferentes, e nenhuma das duas se resolve olhando só uma das colunas.
Baixo< 1% de evento cardiovascular em 30 dias
Procedimentos superficiais e de pele
Mama
Odontológicos
Endócrinos: tireoide
Oftalmológicos
Reconstrutivos / plásticos menores
Carótida assintomática (endarterectomia ou stent)
Ginecológicos menores
Ortopédicos menores (ex.: meniscectomia)
Urológicos menores (ex.: ressecção transuretral de próstata)
Varizes de membros inferiores
Intermediário1 – 5% de evento cardiovascular em 30 dias
Intraperitoneais: colecistectomia, esplenectomia, correção de hérnia hiatal
Carótida sintomática (endarterectomia ou stent)
Angioplastia arterial periférica
Correção endovascular de aneurisma (EVAR)
Cabeça e pescoço
Neurocirurgia e ortopedia de grande porte: quadril, coluna
Urológicas e ginecológicas de grande porte
Transplante renal
Intratorácicas de menor porte
Alto> 5% de evento cardiovascular em 30 dias
Cirurgia de aorta e vascular de grande porte
Revascularização aberta de membros inferiores, amputação, tromboembolectomia
Duodenopancreatectomia
Ressecção hepática, cirurgia de vias biliares
Esofagectomia
Correção de perfuração de víscera
Adrenalectomia
Cistectomia total
Pneumonectomia
Transplante pulmonar ou hepático
Quatro observações que mudam a leitura da tabela.1. A faixa descreve o procedimento em condições eletivas: urgência e emergência deslocam o risco para cima, e a mesma operação feita às pressas não pertence mais à mesma linha.
2. Duração prolongada, grande perda volêmica e sangramento esperado agravam o que a tabela mostra.
3. Via de acesso importa: a abordagem endovascular ou videolaparoscópica costuma pesar menos que a aberta equivalente.
4. Nem toda diretriz usa três faixas — a americana trabalha com corte binário, baixo (<1%) contra elevado (≥1%), o que junta em uma só categoria o que aqui aparece como intermediário e alto. Ao citar uma faixa no parecer, diga qual classificação usou.
Antes do uso definitivo: confira esta lista contra a tabela de procedimentos da diretriz brasileira vigente — a alocação de itens específicos varia entre edições e entre diretrizes, e nenhum sistema deve reproduzir de memória uma tabela que existe publicada.
◆Caderno de campoPara a próxima versão
Enquanto usa o formulário com pacientes reais: o que faltou, o que sobrou, que campo você teve que improvisar na margem. É daqui que sai a especificação clínica do sistema.
Anotações
Instrumento de coleta clínica. Não substitui a avaliação médica individualizada nem gera, por si, recomendação de conduta.Formulário desenvolvido por Dr. André Rossanno · v2 · 2026