ATLAS MENTAL — HIPERTENSÃO ARTERIALPREPARAÇÃO TEC 2026

BLOCO 2
TEMA 1 — Avaliação Inicial do Hipertenso

Da confirmação diagnóstica ao mapa de risco: anamnese dirigida, exame físico completo, antropometria, ITB bilateral, exames complementares, avaliação renal e cardíaca.

"Não trate apenas a pressão. Mapeie o paciente que carrega essa pressão."

30+FLASHCARDS
18QUESTÕES COMENTADAS
10CASOS CLÍNICOS
2CALCULADORAS INTERATIVAS
O raio-x do hipertenso

Toque em cada ponto do corpo

Seis pontos do corpo, direto no paciente. Cada toque abre o resumo e leva à seção completa.

?Escolha um ponto acima

Seis pontos. Um paciente. Um mapa de risco.

Cada ponto do corpo esconde um pedaço da avaliação inicial — toque para revelar.

0 / 6 setores explorados

Filosofia do tema

"A avaliação inicial não é uma lista de exames. É o momento em que o médico transforma um número de pressão em uma história clínica completa."

A pressão arterial é apenas a porta de entrada. O objetivo não é somente confirmar hipertensão — é necessário descobrir quem é o paciente por trás do número: pesquisar risco cardiovascular e renal, identificar danos silenciosos, reconhecer pistas de causas secundárias e encontrar comorbidades que mudarão metas e tratamento. Órgãos silenciosamente lesados não podem ser ignorados.

"A pressão revela o problema. A avaliação inicial revela o paciente."

"Antes de escolher o medicamento, descubra o território que a hipertensão já percorreu."

— Dr. André Rossanno
Missão de aprendizagem

Ao final deste tema, você será capaz de

  • Confirmar que o diagnóstico de hipertensão foi adequadamente estabelecido
  • Organizar uma anamnese dirigida
  • Reconhecer fatores de risco cardiovasculares e renais
  • Procurar sinais de lesões em órgãos-alvo
  • Rastrear indícios de hipertensão secundária
  • Executar um exame físico direcionado
  • Interpretar IMC, circunferência abdominal e ITB
  • Solicitar a avaliação complementar mínima
  • Interpretar análise de urina, albuminúria, creatinina e TFG
  • Compreender o papel do potássio e do ácido úrico
  • Entender o papel do ECG e quando considerar o ecocardiograma
Mapa central · N1

As cinco portas da avaliação inicial

O mapa lógico que organiza todo o raciocínio deste tema — da confirmação diagnóstica até a integração dos achados.

PORTA 1

Confirmar

Confirmar o diagnóstico de hipertensão, preferencialmente com medidas fora do consultório quando indicadas (MAPA/MRPA).

PORTA 2

Procurar

Procurar fatores de risco cardiovasculares e renais.

PORTA 3

Detectar

Detectar possíveis lesões em órgãos-alvo.

PORTA 4

Investigar

Investigar determinantes da hipertensão e possíveis causas secundárias.

PORTA 5

Integrar

Integrar todos os achados para futura estratificação do risco, definição de metas e escolha terapêutica.

Diagnóstico da hipertensão Fatores de risco CV e renal Possíveis lesões em órgãos-alvo Causas secundárias / doenças associadas Estratificação do risco Metas e tratamento (temas futuros)
💡 Como visto no Bloco 1, MAPA e MRPA ajudam a confirmar o diagnóstico e identificar fenótipos pressóricos. Este tema não repete essa técnica — foca no que vem depois da confirmação.
Imagem mental · N7 — Palácio da memória

A Estação de Triagem do Hipertenso

O paciente entra em uma estação médica com sete setores. Ao final, não recebe apenas um número de pressão: recebe um mapa de risco clínico completo.

1

Guichê da identidade clínica

Anamnese, história familiar, hábitos, medicamentos e adesão.

2

Scanner corporal

Exame físico da cabeça aos pés.

3

Balança e fita métrica

IMC e circunferência abdominal.

4

Plataforma vascular dos pés

Pulsos e índice tornozelo-braquial.

5

Laboratório renal

Urina, albuminúria, creatinina, TFG e potássio.

6

Laboratório metabólico

Glicemia, HbA1c, perfil lipídico e ácido úrico.

7

Sala elétrica e estrutural do coração

ECG e ecocardiograma.

Avaliação clínica e anamnese

A anamnese que muda a conduta

Cada bloco a seguir é expansível — clique para abrir e estudar.

6.1 · Sintomas clínico

Pesquisar sintomas relacionados às consequências da hipertensão ou às doenças associadas: dor torácica, dispneia, ortopneia, edema, palpitações, síncope, déficit neurológico, alteração visual, claudicação, redução da capacidade funcional, sintomas urinários, sinais sugestivos de disfunção cardíaca e sintomas de doenças secundárias.

⚠ Pegadinha

Cefaleia isolada não confirma o diagnóstico de hipertensão crônica. Não a apresente como evidência diagnóstica específica.

6.2 · História familiar risco herdado

Questionar: hipertensão arterial, doença renal, diabetes, dislipidemia, doença arterial coronariana, AVC, morte cardiovascular precoce e possíveis síndromes hereditárias.

A hipertensão arterial geralmente apresenta herança poligênica. Formas monogênicas são raras e devem ser lembradas diante de apresentações muito precoces, graves ou acompanhadas de alterações eletrolíticas características.
6.3 · Hábitos alimentares e estilo de vida

Explorar: consumo de sal e alimentos ultraprocessados, padrão alimentar, obesidade e ganho ponderal, sedentarismo, tabagismo, álcool, drogas ilícitas, estimulantes, anabolizantes, qualidade do sono, ronco, apneia do sono, nível de estresse e fatores psicossociais.

Revisão dirigida — os fatores de risco completos já foram estudados no Tema 2 do Bloco 1.

6.4 · Medicamentos e substâncias

Investigar substâncias que interferem no controle pressórico: anti-inflamatórios, corticoides, descongestionantes, estimulantes, anticoncepcionais, antidepressivos que possam elevar a pressão, imunossupressores, eritropoetina, drogas ilícitas e anabolizantes.

Investigar também: tratamento anti-hipertensivo atual, doses, horários, efeitos adversos, falhas de adesão, acesso ao tratamento, uso correto das medicações e adesão às medidas não medicamentosas.

6.5 · História gestacional janela de risco

Nas mulheres, investigar: hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes gestacional, prematuridade e outras complicações vasculares da gestação.

"O histórico gestacional funciona como uma janela precoce para o risco cardiovascular futuro."
6.6 · Doenças associadas

Investigar: diabetes, doença renal, dislipidemia, obesidade, doença cardiovascular, doença cerebrovascular, doença arterial periférica, insuficiência cardíaca, apneia obstrutiva do sono, gota, doenças endócrinas e outras comorbidades relevantes.

6.7 · Disfunção erétil marcador vascular
"A disfunção erétil pode ser uma manifestação de disfunção endotelial e doença vascular sistêmica."

Não é uma pergunta constrangedora ou acessória — tem relevância clínica direta na avaliação vascular do hipertenso.

6.8 · Pistas de hipertensão secundária painel de alerta

Sinais de alerta: hipertensão resistente, início muito precoce, piora abrupta de hipertensão previamente controlada, hipertensão grave, hipocalemia espontânea ou induzida por diurético, sopro abdominal, assimetria de pulsos ou pressão, apneia do sono, sinais de síndrome de Cushing, sinais de doença tireoidiana, doença renal, crises adrenérgicas e coarctação da aorta.

Causas a lembrar: hiperaldosteronismo primário, doença renal primária, hipertensão renovascular, apneia obstrutiva do sono, coarctação da aorta, síndrome de Cushing, doença tireoidiana.

A investigação completa de hipertensão secundária será aprofundada em tema futuro.

✅ Checklist da anamnese

Exame físico do hipertenso

O exame físico da cabeça aos pés

Avaliação geral, pele e ectoscopia

  • Estado geral, nível de consciência
  • Sinais de obesidade e distribuição de gordura
  • Palidez, edema, cianose
  • Alterações cutâneas, estrias violáceas
  • Fácies sugestiva de endocrinopatia
  • Sinais de doenças sistêmicas ou uso de substâncias
Estrias violáceas largas, obesidade centrípeta e outras alterações típicas podem levantar suspeita de hipercortisolismo.

Olhos

  • Exame de fundo de olho
  • Pesquisa de alterações vasculares retinianas
  • Reconhecimento de achados compatíveis com retinopatia hipertensiva
A classificação completa da retinopatia hipertensiva será aprofundada no Tema 2 (lesões em órgãos-alvo).

Região cervical

  • Palpação e ausculta das carótidas — sopros carotídeos
  • Turgência jugular e pulso venoso jugular
  • Palpação da tireoide — sinais de doença tireoidiana

Aparelho cardiovascular

  • Frequência cardíaca e ritmo
  • Ictus cordis e possível desvio
  • Bulhas — presença de B3 ou B4
  • Sopros
  • Sinais de cardiomegalia ou insuficiência cardíaca
  • Possíveis alterações relacionadas à cardiopatia hipertensiva

Pressão arterial e pulsos

  • Medida da PA nos dois braços na avaliação inicial
  • Comparação entre braços e frequência cardíaca
  • Palpação dos pulsos periféricos — amplitude e simetria
  • Pesquisa de atraso radiofemoral — suspeita de coarctação quando compatível

A técnica de medida da PA já foi estudada no Bloco 1 e não será repetida aqui.

Abdome

  • Sopros abdominais, inclusive em topografia de artérias renais
  • Massas e visceromegalias
  • Sinais de doença renal ou vascular
  • Achados sugestivos de causas secundárias

Membros inferiores

  • Edema, temperatura e coloração
  • Pulsos femorais, poplíteos, tibiais posteriores e pediosos
  • Alterações tróficas e sinais de isquemia
  • Claudicação
  • Índice tornozelo-braquial (ver seção dedicada abaixo)

✅ Checklist do exame físico

Parâmetros antropométricos

IMC e circunferência da cintura

8.2 · Circunferência da cintura

Medir no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca.

SexoPonto de corte
Mulheresabaixo de 88 cm
Homensabaixo de 102 cm
Pontos de corte podem variar conforme diretriz, etnia e objetivo clínico; neste material, mantemos os valores fornecidos pela aula.

8.3 · O que significa estar acima do ponto de corte?

Ultrapassar o valor de referência (≥88 cm em mulheres, ≥102 cm em homens) define obesidade abdominal — um marcador de gordura visceral, independente do IMC. Um paciente pode ter IMC normal e ainda assim ter obesidade abdominal (o chamado "magro metabolicamente obeso").

Clinicamente, isso muda o raciocínio porque a gordura visceral, e não apenas o peso total, é o que mais se associa a:

  • Maior risco cardiovascular, de forma mais específica que o IMC isolado
  • Resistência à insulina e maior risco de diabetes
  • Apneia obstrutiva do sono
  • Maior dificuldade de controle pressórico
  • Necessidade de reforçar mudança de estilo de vida na conduta não farmacológica (aprofundado no Tema 5)
⚠ Pegadinha

IMC normal exclui risco relacionado à adiposidade? Não — a circunferência da cintura avalia a distribuição de gordura (visceral vs. periférica), algo que o IMC sozinho não captura. Os dois parâmetros se complementam, não se substituem.

🧮 Calculadora de IMC

IMC = peso (kg) ÷ altura² (m²)

🧮 Calculadora de circunferência da cintura

Classifica automaticamente conforme sexo e ponto de corte.

Índice tornozelo-braquial

ITB — o exame físico que enxerga a aterosclerose

"O estetoscópio escuta o coração. O ITB escuta o silêncio das artérias periféricas."

9.1 · Por que o ITB importa?

  • Integra a avaliação vascular e aumenta a acurácia da predição do risco cardiovascular
  • Identifica doença arterial obstrutiva periférica (DAOP)
  • ITB abaixo de 0,90 é marcador de DAOP e também de aterosclerose subclínica — modifica o risco
  • Neste contexto, ITB abaixo de 0,90 deve ser destacado como lesão em órgão-alvo / marcador de dano vascular

⚠ Alerta de correção obrigatório

Não calcular um único ITB usando a maior pressão encontrada entre as duas pernas. Cada perna deve possuir seu próprio ITB — direito e esquerdo, calculados separadamente. O valor clinicamente mais alterado é o menor ITB entre os dois lados, mas os dois resultados devem sempre ser informados.

9.2 · Técnica convencional com Doppler

  1. Decúbito e repouso adequado
  2. Medir PAS nos dois braços
  3. Registrar a maior pressão sistólica braquial
  4. Medir PAS da tibial posterior em cada perna
  5. Medir PAS da pediosa em cada perna
  6. Em cada tornozelo, usar a maior entre tibial posterior e pediosa
  7. Calcular separadamente o ITB direito e o ITB esquerdo
ITB direito= maior pressão tornozelo direito ÷ maior pressão braquial
ITB esquerdo= maior pressão tornozelo esquerdo ÷ maior pressão braquial

9.4 · Interpretação

ITBSignificado
> 0,90Geralmente normal
0,71 – 0,90Obstrução discreta/leve
0,41 – 0,70Obstrução moderada
≤ 0,40Obstrução grave
> 1,40Artérias não compressíveis (calcificação)
ITB muito elevado pode ser falsamente tranquilizador: a artéria rígida não é adequadamente comprimida — frequente em diabetes, doença renal e idosos. Evite dizer simplesmente que ITB acima de 1,40 é "normal".

9.3 · Exemplo clínico corrigido

Braço direitoBraço esquerdo
PAS braquial138 mmHg132 mmHg

Maior pressão braquial (denominador) = 138 mmHg

Tornozelo direitoTornozelo esquerdo
Tibial posterior102 mmHg108 mmHg
Pediosa96 mmHg100 mmHg
Maior valor usado102 mmHg108 mmHg
ITB DIREITO
102 ÷ 138 ≈ 0,74
ITB ESQUERDO
108 ÷ 138 ≈ 0,78

Ambos os valores são anormais e compatíveis com doença arterial periférica. O lado direito apresenta o menor ITB e, portanto, o maior comprometimento hemodinâmico.

⚠ Erro comum a evitar

Não é correto calcular um único ITB usando a maior pressão entre as duas pernas (108 ÷ 138 = 0,78) para representar ambos os lados. Esse cálculo está inadequado para avaliação bilateral — cada perna tem seu próprio ITB.

9.5 · Método de medida

  • Método convencional: Doppler vascular + esfigmomanômetro
  • Técnica auscultatória no tornozelo não é recomendada — sons fracos/ausentes, baixa sensibilidade, maior variabilidade entre observadores, risco de subestimação
  • Aparelhos oscilométricos validados na panturrilha podem ser usados em contextos específicos, mas não são automaticamente equivalentes ao Doppler sem considerar validação e protocolo

9.7 · Aterosclerose subclínica

Achados que podem identificar aterosclerose subclínica e modificar a avaliação de risco (aprofundado no Tema 3):

  • Escore de cálcio coronariano > 100
  • Placa em carótidas
  • ITB < 0,90
  • Angiotomografia coronariana com lesão < 50%

🧮 Calculadora bilateral do ITB

Calcula o ITB direito e esquerdo separadamente — nunca um valor único.

Exames complementares de rotina

O pedido mínimo que responde perguntas máximas

Análise de urina

Rastreia doença renal primária e comprometimento renal.

Potássio plasmático

Pista para hiperaldosteronismo e risco de arritmia.

Creatinina plasmática

Base para estimar a TFG.

TFG estimada (CKD-EPI)

Estadia a função renal — sem coeficiente racial.

Razão albuminúria/creatininúria

Marcador renal e vascular sistêmico.

Glicemia de jejum e HbA1c

Identificam diabetes e orientam risco.

Perfil lipídico completo

CT, LDL-c, HDL-c, triglicerídeos.

Ácido úrico plasmático

Associação de risco — não indicação automática de tratamento.

Eletrocardiograma convencional

Rastreio de HVE, arritmias e infarto prévio.

Análise de urina

A urina pode revelar se o rim é vítima, causa ou ambos

Caminho 1

Suspeitar de doença renal primária

  • Proteinúria significativa, especialmente acima de 1 g/g de creatinina
  • Hematúria glomerular
  • Dismorfismo eritrocitário
  • Cilindros hemáticos

Esses achados sugerem que a doença renal pode não ser apenas consequência da hipertensão — pode ser a causa ou uma doença renal primária concomitante.

Caminho 2

Detectar comprometimento renal

  • Proteinúria
  • Albuminúria
  • Redução da TFG
Albuminúria

Não é apenas marcador renal. É marcador sistêmico de risco vascular.

  • Representa alteração precoce da barreira glomerular
  • Associa-se a disfunção endotelial sistêmica
  • Prediz eventos cardiovasculares maiores e mortalidade
  • Prediz progressão da doença renal
  • Seu significado prognóstico é independente da TFG e dos fatores de risco tradicionais
  • Deve ser preferencialmente avaliada por relação albumina/creatinina em amostra isolada de urina
  • Albuminúria persistente deve ser confirmada — pode apresentar variabilidade biológica
Fatores que podem elevar transitoriamente a albuminúria: exercício intenso, febre, infecção urinária, descompensação cardíaca, hiperglicemia importante, menstruação e elevação acentuada da pressão.

12.1 · Categorias (nomenclatura KDIGO)

CategoriaRACSignificado
A1< 30 mg/gNormal a levemente aumentada
A230–300 mg/gModeradamente aumentada
A3> 300 mg/gGravemente aumentada

O termo "microalbuminúria" foi abandonado — a albumina não é "pequena"; trata-se de uma faixa quantitativa de excreção.

12.2 · Lesão em órgão-alvo

RAC ≥ 30 mg/g, quando persistente, indica albuminúria anormal.

Albuminúria ≥ 30 mg/24h ou RAC ≥ 30 mg/g deve ser reconhecida como comprometimento renal / lesão em órgão-alvo.
A integração completa dessa lesão na estratificação de risco será aprofundada no Tema 2.
Creatinina e taxa de filtração glomerular

A creatinina isolada não representa toda a função renal

É necessário estimar a TFG — utiliza-se o CKD-EPI, preferencialmente a equação atual recomendada, sem coeficiente racial.

A TFG ajuda a: reconhecer doença renal, estadiar sua gravidade, ajustar medicamentos, prever risco renal, reclassificar risco cardiovascular e identificar lesão em órgão-alvo.

G1

≥ 90 mL/min/1,73m²

G2

60–89

G3a

45–59

G3b

30–44

G4

15–29

G5

< 15

13.2 · Definição de doença renal crônica

DRC é definida por anormalidade estrutural ou funcional do rim, com implicações para a saúde, presente por mais de três meses. Pode ser diagnosticada por:

  • TFG abaixo de 60 mL/min/1,73m² durante mais de três meses; ou
  • Marcador de lesão renal persistente, mesmo com TFG ≥ 60 — como albuminúria
⚠ Pegadinha

TFG normal não exclui DRC. Albuminúria persistente pode diagnosticar DRC mesmo com TFG preservada.

13.3 · Matriz KDIGO interativa

Toque em uma célula para ver o significado clínico do cruzamento entre categoria de TFG e albuminúria.

A1
<30 mg/g
A2
30–300 mg/g
A3
>300 mg/g
G1 (≥90)BaixoModeradoAlto
G2 (60–89)BaixoModeradoAlto
G3a (45–59)ModeradoAltoMuito alto
G3b (30–44)AltoMuito altoMuito alto
G4 (15–29)Muito altoMuito altoMuito alto
G5 (<15)Muito altoMuito altoMuito alto
Potássio plasmático

O grande "K": cinco perguntas clínicas

  1. O potássio está baixo?
  2. O potássio está alto?
  3. O resultado ocorreu antes ou depois do tratamento?
  4. Há doença renal?
  5. Há risco de arritmia?

Potássio baixo

  • Pode levantar suspeita de hiperaldosteronismo primário
  • Pode ocorrer pelo uso de diuréticos
  • Pode causar ou facilitar arritmias
  • Hipocalemia não é obrigatória no hiperaldosteronismo primário

Potássio alto

  • Pode indicar redução da função renal
  • Pode relacionar-se ao uso de IECA, BRA ou espironolactona / antagonistas do receptor mineralocorticoide
  • Pode resultar de combinações medicamentosas
  • Também aumenta o risco de arritmias
⚠ Pegadinha

"Potássio normal exclui hiperaldosteronismo primário?" — Não. Muitos pacientes com hiperaldosteronismo primário apresentam potássio normal.

Glicemia, hemoglobina glicada e perfil lipídico

Avaliação metabólica de rotina

Glicemia de jejum e HbA1c

  • Identificam diabetes
  • Avaliam o controle glicêmico
  • Ajudam a definir risco cardiovascular
  • Influenciam metas futuras

Perfil lipídico

Colesterol total, LDL-c, HDL-c e triglicerídeos.

  • Identificar dislipidemia
  • Contribuir para avaliação global do risco
  • Orientar futuras metas lipídicas
Ácido úrico

Associação não é indicação automática de tratamento

  • Hiperuricemia associa-se a maior risco cardiovascular e renal — associação especialmente consistente em homens hipertensos
  • Pode ser influenciada por função renal, dieta, obesidade, álcool e diuréticos
  • Não existem evidências robustas para tratar hiperuricemia assintomática apenas com o objetivo de reduzir risco cardiovascular
  • Tratar quando houver indicação clínica específica, como gota, conforme avaliação individual
⚠ Pegadinha obrigatória

"Todo hipertenso com ácido úrico elevado deve receber alopurinol para prevenção cardiovascular?" — Não.

Eletrocardiograma e ecocardiograma

Assinatura elétrica × arquitetura estrutural

17 · Eletrocardiograma

O ECG convencional integra a avaliação mínima. Objetivos: avaliar hipertrofia ventricular esquerda, identificar infarto prévio, reconhecer arritmias, detectar alterações de condução e avaliar comprometimento cardíaco relacionado à hipertensão.

Apresenta alta especificidade, mas menor sensibilidade para HVE. Um ECG normal não exclui hipertrofia ventricular esquerda — mas pode detectar achados que alteram o risco e a conduta.

18 · Ecocardiograma

Mais sensível que o ECG para detectar HVE e cardiopatia hipertensiva. Avalia massa ventricular, geometria, função sistólica e diastólica, átrio esquerdo, valvas e aorta.

Particularmente útil quando há: alterações no ECG, suspeita de insuficiência cardíaca, sintomas cardíacos, sopro, suspeita de doença estrutural, ou necessidade de melhor caracterização com potencial de mudar conduta.

Em recomendações anteriores (como a diretriz de 2020), o ecocardiograma era enfatizado principalmente quando havia indícios de HVE no ECG ou suspeita de insuficiência cardíaca. No contexto atual, mais amplamente disponível, pode agregar valor à estratificação de risco e à definição de metas — mas sua realização deve ser guiada pelo contexto clínico, acesso, custo e potencial de mudar a conduta.

"O ECG pode suspeitar. O ecocardiograma pode medir."

Flashcards · toque para virar

30 flashcards da avaliação inicial

0 / 30 estudados

Questões comentadas

18 questões — múltipla escolha, V/F, cálculo e interpretação

0 respondidas corretamente / 18

Casos clínicos progressivos

10 casos — escolha, veja a resposta e a pegadinha

Pegadinhas do TEC

Os erros mais frequentes nesta prova

Revisão de 60 segundos

Avaliação inicial do hipertenso em 60 segundos

  1. Confirme o diagnóstico.
  2. Procure fatores de risco.
  3. Investigue lesões em órgãos-alvo.
  4. Busque causas secundárias.
  5. Faça anamnese dirigida.
  6. Examine da retina aos pés.
  7. Meça IMC e cintura.
  8. Palpe pulsos e considere ITB.
  9. Peça urina, RAC, creatinina, TFG e potássio.
  10. Avalie glicemia, HbA1c, lipídios e ácido úrico.
  11. Solicite ECG.
  12. Considere ecocardiograma quando puder agregar informação e modificar a conduta.
  13. Integre todos os achados antes de definir risco, metas e tratamento.

"Não trate apenas a pressão. Mapeie o paciente que carrega essa pressão."

Revisão espaçada

Marque seu progresso e volte no momento certo

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Progresso geral: 0%