"Na UBS, tratar hipertensão não é baixar número; é construir segurança vascular para os próximos anos."
Quando tratar, como escolher, como combinar, o que orientar e como não errar no mundo real.
Meta geral: PA <130/80 mmHg — se tolerado. Vale para a maioria, incluindo DM, DRC, DAC, IC, AVC/AIT e muitos idosos.
PA ≥140/90 confirmada → iniciar medicamento junto com MEV. Sem o "volta em três meses" sem plano.
Para a maioria: dupla em baixa dose. Monoterapia virou exceção — não regra.
Betabloqueador tem indicações específicas: IC, FA, DAC, pós-IAM, arritmias. Não é cavalo de batalha para todo hipertenso.
Enalapril + losartana não é dupla poderosa. É armadilha. Diretriz 2025 não recomenda essa combinação.
"Remédio sem adesão é comprimido fantasma:
existe na receita, mas não protege artéria nenhuma."
Não medicar. Intervenção não farmacológica, estratificação de risco e acompanhamento ativo.
Confirmar, estratificar risco. Iniciar medicamento se risco moderado/alto, DM, DRC, LOA ou múltiplos fatores. Não deixar no limbo indefinido.
Confirmar medida, afastar LOA aguda e iniciar tratamento firme. Oral, planejado e com retorno precoce.
PA <130/80 mmHg — se tolerado. Em idoso frágil ou muito idoso: reduzir até o menor valor tolerado, respeitando quedas, tontura e função renal. "A meta é 13 por 8; a bússola é a tolerância."
Quatro portões da cidade vascular. Cada um com um guardião farmacológico.
"Na HAS comum, DICA manda. O B só entra com convite clínico."
| Classe | Exemplos | Pontos fortes | Cuidado principal |
|---|---|---|---|
| BRA | Losartana 50–100 mg/dia | Boa tolerância, sem tosse; DRC, IC, HVE | Hipercalemia, função renal, gestação |
| IECA | Enalapril 5–40 mg/dia Captopril 25–150 mg/dia |
DRC/proteinúria, IC, pós-IAM, HVE | Tosse seca, hipercalemia, gestação, estenose bilateral de artéria renal |
| BCC DHP | Anlodipino 2,5–10 mg/dia Nifedipino retard |
Bom vasodilatador, idosos, negros | Edema MMII dose-dependente, cefaleia, rubor |
| Tiazídico | HCTZ 12,5–25 mg/dia Clortalidona 12,5–25 mg/dia Indapamida 1,5–2,5 mg/dia |
Útil em volume/sal, combina bem | Hipocalemia, hiperuricemia, gota ativa |
| Betabloqueador | Atenolol, metoprolol Carvedilol, propranolol |
IC, FA, DAC, pós-IAM, arritmias | Bradicardia, bloqueio AV, broncopatia grave |
| ARM | Espironolactona 25–100 mg/dia | HAS resistente, IC, hiperaldosteronismo | Hipercalemia, ginecomastia, função renal |
Iniciar com dois medicamentos. Incluir IECA ou BRA associado a BCC ou diurético tiazídico similar.
IECA ou BRA como primeira escolha. Nunca os dois juntos. Monitorar potássio e creatinina.
Betabloqueador entra com força. Também IECA/BRA e BCC conforme apresentação.
Começar devagar. Monitorar hipotensão ortostática, tontura e quedas. A meta deve respeitar tolerância.
Evitar IECA/BRA: risco teratogênico. Metildopa e BCC são opções mais seguras na gestação.
"Diretriz escolhe a rota. RENAME e farmácia local dizem quais veículos estão disponíveis."
Em 2025, monoterapia virou bicicleta: serve para trajetos curtos. A maioria precisa de carro com dois motores.
Exceção: idoso ≥80 anos, frágeis, HAS estágio 1 de baixo risco ou pré-HAS de risco alto/muito alto. Não é o padrão.
Para a maioria. Dois medicamentos em baixa dose controlam PA em mais de 60% dos pacientes. Reduz inércia e melhora adesão.
Edema de BCC DHP é dose-dependente e melhora com bloqueio do SRAA (IECA ou BRA) — não responde bem a diurético. Reduzir dose e associar BRA ou IECA.
Adicionar furosemida crônica sem sinais de congestão. O edema de BCC não é congestivo — é por vasodilatação arteriolar desproporcionada.
Efeito adverso de IECA por acúmulo de bradicinina. Trocar para BRA (ex: losartana). BRAs têm exceção à tosse. Não associar IECA + BRA para "compensar".
Seis remédios sem comprimido. Obrigatórios em todo hipertenso — com ou sem medicação.
MEV não é conselho. É prescrição obrigatória.
Vai junto com o comprimido, sempre.
Paciente usa três remédios e continua hipertenso? Investigue os cinco sabotadores antes de qualquer rótulo.
Mnemônico: M — A — S — C — A
"Antes de chamar de resistente, aplique o MASCA.""Prescreveu, marcou volta.
Ajustou, conferiu.
Não controlou, investigou."
Paciente HAS estágio 2 recebe apenas dieta e caminhada por seis meses. Erro: estágio 2 exige tratamento farmacológico + MEV.
Paciente usa enalapril + losartana "para potencializar". Erro: IECA + BRA não recomendado. Risco real.
PA 170×100 sem LOA recebe nifedipina rápida para "baixar rápido". Erro: sem LOA aguda, o manejo é oral, gradual e acompanhado.
Paciente com FA e HAS não recebe BB "porque BB não é de primeira linha". Erro de nuance: BB não é universal, mas tem indicação específica em FA.
Edema por anlodipino tratado com furosemida crônica. Erro: edema de BCC DHP não é congestivo — não responde bem a diurético.
Clique para revelar. Teste antes de ver. O erro aqui é aprendizado.
5 questões com pegadinha. Raciocínio clínico, não decoreba.
Simule o raciocínio prescritivo completo. Não existe receita pronta — existe raciocínio.
1. Qual estágio? · 2. Qual risco? · 3. Tem DM, DRC, IC, DAC, FA, gestação ou fragilidade? · 4. Tem contraindicação? · 5. O remédio existe na farmácia local? · 6. O paciente entende como tomar? · 7. Quando vai voltar? · 8. O que monitorar?
"Boa prescrição é uma conversa escrita:
diz ao paciente, à equipe e ao futuro médico
qual foi o raciocínio."
Um projeto construído com literatura, dedicação e vontade de mudar o cuidado na atenção primária.
"Escolha a classe pela diretriz,
ajuste pela pessoa,
garanta o acesso
e vença pela adesão."
A Missão HAS UBS 2025 é um projeto sem fins lucrativos. Se você encontrou um erro clínico, tem uma sugestão de melhoria, quer solicitar um novo módulo ou quer colaborar como revisor ou coautor — entre em contato. Médicos de qualquer especialidade são bem-vindos.