Atlas Mental • TEC 2026 • Capítulo 10A

Cateterismo cardíaco e cinecoronariografia

Antes de procurar a lesão, descubra de onde você está olhando.

Como estas duas imagens podem ser
da mesma coronária?
01

🎥 Laboratório de orientação angiográfica

Antes de procurar a lesão, descubra de onde você está olhando.

Você não decora uma projeção.
Você aprende a se localizar.

A imagem não está confusa. Você ainda não descobriu de onde está olhando.

A coronária não muda. A sombra muda.

— Dr. André Rossanno

A sequência fixa deste capítulo

Ela vai se repetir tantas vezes que vai virar reflexo. Toque em cada elo para ver o que ele responde.

🦴 COLUNA🫁 DIAFRAGMA🎥 CÂMERA 🧭 PROJEÇÃO🌳 ÁRVORE🩸 VASO🎯 LESÃO
Toque em um elo. Cada um responde a uma pergunta diferente — e nenhum deles pode ser pulado.
🚫
Proibido caçar a lesão primeiro.
Quem começa pela lesão acerta por sorte e erra por método. Quem começa pela câmera erra menos e explica melhor.
02

Desafio Zero

Uma imagem sem nome nenhum. O que você procura primeiro?

03

🧭 O GPS do Cate

Sete paradas. Ele fica no canto da tela o capítulo inteiro.

O que cada parada responde

1
🦴 Coluna — de que lado estou olhando?
2
🫁 Diafragma — a câmera está inclinada para onde?
3
🎥 Posição do arco — a geometria real do equipamento.
4
🧭 Projeção — o nome que resume tudo acima.
5
🌳 Árvore — esquerda ou direita?
6
🩸 Vaso — só agora.
7
🎯 Segmento/lesão — o último passo, nunca o primeiro.

Toque no GPS flutuante (canto da tela) para abrir ou fechar.

Landmarks não são leis

Coluna e diafragma orientam. Sozinhos, nenhum dos dois define a projeção. O que define é a posição do arco em C — e a leitura integrada de coluna, diafragma, trajeto do cateter e anatomia da árvore que apareceu.
🛣️
Coluna e diafragma são as placas da estrada.
A posição do arco diz para onde estamos viajando.
04

🦴 A coluna é do contra

Primeiro ache a coluna. Ela é a bússola mais barata da sala.

Clique na coluna dentro da imagem acima.

A regra prática

Coluna projetada predominantemente à ESQUERDA da imagem → sugere projeção direita / RAO / OAD.

Coluna predominantemente à DIREITA → sugere projeção esquerda / LAO / OAE.

🦴
A COLUNA É DO CONTRA
Esquerda na tela → pense direita/RAO. Direita na tela → pense esquerda/LAO.
Aviso discreto: use como pista de orientação, não como substituto da geometria completa. Angulações pequenas, rotação do paciente e projeções próximas do AP deixam a coluna quase centrada — e aí ela não decide nada sozinha.
05

🫁 O diafragma

O segundo landmark — e o mais mal ensinado por aí.

Como usar

O diafragma é um landmark adicional. Em angulações cranianas ele tende a ser projetado sobre a silhueta cardíaca, mudando a relação entre coração, cúpula e campos pulmonares. Isso ajuda a perceber que a câmera está inclinada — junto com a posição do arco, o trajeto do cateter e o formato da árvore.

O que NÃO existe

Não existe a regra “diafragma alto = X, diafragma baixo = Y”. Inspiração, biotipo, posição da mesa, altura do detector e o próprio grau de angulação mudam essa relação. Quem decora esse falso atalho erra na primeira imagem fora do padrão.
🎥
O diafragma diz que a câmera está inclinada.
Quem diz para que lado é o arco.
06

🎥 Veja antes de decorar

Área preparada para vídeo externo. Sem internet, o esquema equivalente aparece sozinho.

Esquema equivalente exibido automaticamente (nenhum vídeo incorporado / sem conexão).

Depois de ver, responda — nesta ordem

👁️
Não reconheça o vaso antes de reconhecer a câmera.
07

Mesa de hemodinâmica virtual

Você move o arco. A coronária fica parada. A sombra obedece.

Sala — vista dos pés do paciente
O que o detector registra
Rotação
Angulação

Esquema didático anatomicamente coerente — não é uma reprodução radiográfica. Ele existe para ensinar relação espacial, não para substituir a leitura de imagens reais.

08

A grande bússola

Heurística. Não é lei — e a diferença entre as duas coisas é a sua nota na prova.

⬆ Cranial

Frequentemente favorece a separação da DA, das diagonais e dos septais, abrindo os segmentos médio e distal e reduzindo a sobreposição entre a DA e seus ramos.

⬇ Caudal

Frequentemente favorece a avaliação do TCE, da bifurcação DA–CX, da CX e dos marginais obtusos.
⚠️
Bússola, não dogma.
Cranial não significa DA em toda imagem. Caudal não significa CX em toda imagem.
O ângulo serve para reduzir sobreposição — e o que se sobrepõe muda de coração para coração.

🗺️ Mapa dos 4 quadrantes

CRANIALCAUDAL
RAO / OADDA e suas ramificações (diagonais para a parede, septais para o septo)TCE, bifurcação, CX e marginais
LAO / OAEDA e ramificações em outra relação espacial; segmentos proximaisSPIDER — TCE, bifurcação, origem de DA e CX
Isto é uma bússola, não uma lei. A tabela diz onde olhar primeiro. Ela não diz o que você vai encontrar.
09

As quatro estações da coronária esquerda

Cada estação tem quatro modos: ver, entender, esconder nomes e testar-me.

10

Modo comparador

O mesmo vaso, quatro sombras diferentes. Este é o exercício mais importante da Parte I.

Selecione um vaso
Escolha um vaso acima. Ele acende nas quatro projeções ao mesmo tempo — repare como ele muda de comprimento, de curva e de vizinhança.
🌳
Mesma árvore. Outra sombra.
11

Desafio da câmera

Sete etapas por imagem. A etapa 7 só abre quando as seis anteriores forem respondidas.

12

Recuperação ativa em quatro níveis

A mesma imagem perdendo informação de propósito. Suba um nível só quando o anterior estiver fácil.

🔁 De volta para a câmera

Errou o vaso? Você não volta para a resposta. Você volta um passo — para a projeção.

Quem aprende vasos decora imagens.
Quem aprende projeções entende a geometria.

A coronária não mudou. Quem mudou de lugar foi você.

13

Anatomia coronariana — agora ela tem motivo para existir

Você já sabe de onde está olhando. A árvore finalmente faz sentido.

Coronária esquerda

TCE (tronco de coronária esquerda)
├── DA (descendente anterior)
│   ├── diagonais  → parede livre anterolateral
│   └── septais    → septo interventricular
└── CX (circunflexa)
    ├── marginais obtusos
    └── ramos posteriores conforme dominância
🤿
Diagonal vai para a parede.
Septal mergulha.

Variações que existem de verdade

  • TCE curto, longo ou ausente (óstios separados de DA e CX).
  • Bifurcação × trifurcação (ramo intermédio).
  • DA que não alcança o ápice × DA que contorna o ápice (“wrapping”).
  • CX dominante, não dominante ou codominância.
  • Número e calibre de diagonais e marginais variam muito — não existe “o normal”.
Pegadinha clássica: descrever a árvore como se fosse fixa. A anatomia coronariana é um padrão com variantes, e boa parte das questões vive exatamente nas variantes.

Ramo intermédio ≠ diagonal

A confusão a ser desfeita

O ramus intermedius (ramo intermédio) nasce do próprio TCE, entre a DA e a CX, quando o tronco se divide em três. A diagonal nasce da DA. Origem diferente, nome diferente.
TRIFURCAÇÃO
TCE
├── DA
├── RAMO INTERMÉDIO
└── CX

Funcionalmente ele costuma irrigar território equivalente ao de uma diagonal alta ou de um marginal — mas o nome segue a origem, e é isso que a banca cobra.

14

Coronária direita

Dois ângulos didáticos e uma viagem do óstio até a crux.

🚗 Viagem pela CD

Clique nos pontos na ordem do fluxo. Sair da ordem devolve você ao início do trecho.

15

👑 Quem manda neste coração?

A pergunta em que quase todo mundo responde pelo calibre — e erra.

16

Checkpoint 1 — você consegue ler um cate?

Dez questões visuais. Todas exigem pelo menos uma tentativa.

Agora você sabe onde está olhando.
Então podemos perguntar: o que encontramos?
17

Parte II — o que é o cateterismo

Agora sim, a definição. Depois da geometria, não antes.

TermoO que é
Cateterismo cardíacoProcedimento invasivo em que cateteres são levados até o coração e os grandes vasos. É o guarda-chuva: pode incluir medida de pressões, gradientes, cálculo de débito, pesquisa de shunts, ventriculografia, avaliação valvar e a angiografia coronariana.
CinecoronariografiaA parte que injeta contraste nas coronárias e registra a imagem em cine. É diagnóstica e é sobre ela que fala a Parte I deste capítulo.
ICP / PCI / angioplastiaA parte terapêutica: balão, stent, aterectomia. Pode ser feita no mesmo tempo ou em outro momento.
👁

VER

Anatomia coronariana, enxertos, ventrículo, valvas.
📏

MEDIR

Pressões, gradientes, débito, resistências, shunts, fisiologia intracoronariana.
🛠

INTERVIR

Quando a anatomia e o quadro clínico indicam.
Pegadinha de prova: chamar cateterismo de exame “não invasivo”. O exame anatômico não invasivo é a angiotomografia de coronárias. O cateterismo é invasivo — e essa palavra carrega risco, custo e consentimento.
18

Quantificação angiográfica e a pergunta dos 60%

A tabela existe. Ela só não é fisiologia.

Estimativa visualNome didático
30–50%Discreta
50–70%Moderada
70–90%Importante
90–99%Suboclusiva
100%Oclusiva
⚠️
Não transforme essa tabela em fisiologia.
A estimativa visual tem variabilidade entre observadores, depende da projeção escolhida, do vaso de referência e da difusão da doença. Um número percentual descreve a sombra do lúmen, não a repercussão de fluxo — por isso a decisão contemporânea sobre lesões intermediárias não se apoia apenas nele.

Tratamento especial: o tronco

O TCE merece leitura à parte porque irriga um território extenso, é curto (encurta em várias projeções), é sujeito a artefatos de cateter no óstio e sua avaliação visual é notoriamente pouco reprodutível. Lesões de tronco em faixa intermediária são exatamente o cenário em que a imagem intravascular e/ou a avaliação fisiológica costumam mudar a decisão — sempre integradas ao quadro clínico e à diretriz vigente.

A pergunta dos 60%

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FFR e iFR — perguntando ao vaso, não à imagem

Primeiro a intuição. Depois a técnica.

A intuição do FFR

“Quanto do fluxo que este território poderia receber ainda consegue atravessar esta estenose, quando os vasos de resistência estão maximamente dilatados?”

Se a resposta é “quase tudo”, a lesão não é o problema daquele paciente naquele território.

A técnica

Razão entre a pressão distal à lesão e a pressão aórtica, medida por fio de pressão durante hiperemia máxima (classicamente com adenosina). A hiperemia é o que permite tratar a razão de pressões como substituta da razão de fluxos, porque minimiza e estabiliza a resistência microvascular.

iFR e os índices não hiperêmicos

Avaliam a razão de pressões sem vasodilatador, em uma janela específica da diástole em que a resistência microvascular é naturalmente baixa e relativamente estável. Evitam os efeitos adversos e o custo da hiperemia farmacológica.

Como isso cai no TEC

Os pontos estáveis: (1) a decisão em lesão intermediária não deve nascer só do percentual visual; (2) FFR usa hiperemia, os índices não hiperêmicos não; (3) o valor de corte é um ponto de decisão dentro de um contexto clínico, não um veredito isolado — cheque a faixa vigente na diretriz que a sua prova adota, e lembre que zona limítrofe existe.

Onde a fisiologia perde o passo

Situações que alteram a microcirculação ou a hemodinâmica — infarto muito recente no território avaliado, hipertrofia importante, doença microvascular, lesões seriadas no mesmo vaso, choque, taquiarritmia — pedem interpretação cuidadosa. E um índice “normal” não exclui angina de origem microvascular ou vasoespástica.

Casos de lesão intermediária

20

Angiografia = luminografia

Talvez o conceito mais subestimado do capítulo.

🩸
A angiografia desenha o lúmen.
A aterosclerose mora na parede.
21

Glagov — a placa que se esconde para fora

Como pode haver muita placa e pouca estenose angiográfica?

🎈
Glagov esconde a placa para fora.

Descrição clássica de Glagov e colaboradores: nas fases iniciais, a artéria expande a lâmina elástica externa e a área luminal se mantém relativamente preservada; a partir de determinada carga de placa, a compensação se esgota e o lúmen começa a estreitar.

Remodelamento negativo

Positivo
Negativo
Negativo: o vaso retrai/encolhe no segmento doente. A área do lúmen cai mais do que a carga de placa isoladamente explicaria — e aqui a angiografia até que enxerga o problema. É o oposto do positivo, em que ela pode subestimar gravemente a doença.
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Placa obstrutiva ≠ placa vulnerável — e as lentes que enxergam a parede

Dois eixos independentes e três janelas diferentes.

Eixo A — quanto estreita?

Grau de obstrução ao fluxo. Explica sintoma e isquemia demonstrável.

Eixo B — qual é a biologia?

Núcleo lipídico, espessura da capa fibrosa, inflamação, calcificação, remodelamento. Ajuda a entender por que placas rompem.
Quanto aperta não é a mesma pergunta que quanto é vulnerável.
Trava importante: nenhuma característica isolada — nem capa fina, nem núcleo lipídico grande, nem um marcador inflamatório — prediz individualmente que aquela placa vai romper. São marcadores de risco populacional, estudados em conjunto. Placa vulnerável é um conceito biológico útil, não uma sentença sobre um ponto do vaso.

Três janelas

AngiografiaIVUSOCT
O que enxergaSilhueta do lúmen em projeçãoParede e lúmen por ultrassom intravascularParede e lúmen por luz (interferometria)
ResoluçãoLimitada ao contorno luminalIntermediáriaA mais alta das três
Penetração no tecidoMaior que a do OCTMenor — troca penetração por detalhe
ContrasteNecessárioEm geral dispensa contraste para a aquisiçãoPrecisa de meio que desloque o sangue (habitualmente contraste)
StentVê a silhuetaBoa avaliação de expansão e aposiçãoDetalhe superior de hastes, aposição, dissecções finas e cobertura
Sem competição simplista: as duas técnicas respondem perguntas diferentes e se complementam. Vaso muito calcificado, avaliação de tronco, necessidade de ver a referência com parede espessa e paciente com restrição de contraste puxam para um lado; caracterização fina de trombo, erosão, dissecção e resultado de stent puxam para o outro.
23

Rentrop — as rotas alternativas

Um túnel obstruído e quatro respostas possíveis da cidade coronária.

🔢
0 = nada · 1 = raminhos · 2 = parte · 3 = completo

Grau 1 = enchimento de ramos colaterais sem visualização do vaso epicárdico receptor. Grau 2 = enchimento parcial do vaso epicárdico. Grau 3 = enchimento completo do vaso epicárdico receptor.

Classifique

24

O paciente já revascularizado

Saber o mapa antes de entrar economiza contraste, tempo e radiação.

Por que a informação prévia importa

Sem saber quantos e quais enxertos existem, e onde estão as anastomoses, o operador procura. Procurar significa mais injeções, mais cateteres trocados, mais contraste, mais tempo de fluoroscopia — e um enxerto ocluído que “não foi encontrado” pode ser confundido com um enxerto que nunca existiu.
  • Relatório cirúrgico: número de enxertos, origem e destino.
  • Mamária (torácica interna): em geral pediculada, mantendo a origem na subclávia.
  • Safena: enxerto livre, com anastomose proximal na aorta.
  • Clipes cirúrgicos e marcadores de óstio ajudam a localizar.
Sem entrar em técnica cirúrgica: para o cate o que importa é de onde sai e onde chega cada enxerto — e que a coronária nativa distal continua sendo o alvo da avaliação.
25

Quando indicar o cateterismo

“Suspeita de DAC = cate” é a resposta errada mais popular da cardiologia.

O algoritmo em uma frase

Indique quando a anatomia invasiva puder mudar a conduta — e o paciente tiver condições de receber essa mudança.

Síndrome coronariana crônica

  • Sintomas limitantes ou refratários apesar de tratamento otimizado.
  • Achados de alto risco em teste não invasivo.
  • Probabilidade clínica muito alta em contexto apropriado, quando o resultado mudará a conduta.
  • Disfunção ventricular com suspeita de DAC significativa.
  • Teste não invasivo inconclusivo/não realizável com necessidade de definição.

Síndrome coronariana aguda

  • IAM com supra: estratégia de reperfusão, com o tempo mandando na decisão.
  • SCA sem supra: estratégia invasiva com momento definido pelo risco — instabilidade hemodinâmica ou elétrica, angina refratária e critérios de muito alto risco antecipam tudo.

Aqui a pergunta deixa de ser “existe doença?” e passa a ser “onde está a artéria culpada e quando eu chego nela?”.

Cheque sempre a diretriz vigente para os critérios e janelas de tempo específicos da sua prova. O que não muda: o cate entra quando a resposta dele altera a decisão terapêutica.
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Acesso e checklist de porta

Radial × femoral e a segurança que se faz antes da sala.

🖐 Radial

Preferência contemporânea quando factível em boa parte dos cenários — principalmente por menos sangramento e menos complicação vascular no sítio de punção, com deambulação precoce e melhor conforto. Em contextos de síndrome coronariana aguda, essa vantagem de sangramento é especialmente valorizada.

Limites: curva de aprendizado, espasmo, anatomia tortuosa/loop, calibre pequeno, artéria já usada como enxerto ou necessária para fístula, teste de perfusão da mão alterado em avaliação institucional.

🦵 Femoral

Continua existindo por bons motivos: calibre maior para dispositivos e suporte circulatório, falha ou impossibilidade da radial, certas intervenções complexas, anatomia de membro superior desfavorável, necessidade de introdutores grandes.

Preço: complicações de sítio mais graves quando ocorrem — hematoma volumoso, pseudoaneurisma, fístula arteriovenosa e o retroperitônio.

🚪 Checklist pré-cate

O segurança da porta não deixa ninguém entrar sem resposta. Marque cada item para liberar o paciente.

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Três mitos que precisam morrer

Metformina, camarão e o INR mágico.

💊 Metformina

Correção do material antigo: não escreva “suspender metformina para todos e voltar em 48 horas”. Essa frase decorada não explica nada e não se sustenta.

O mecanismo, que é o que a prova cobra

METFORMINA não é nefrotóxica·o contraste pode causar AKI↓ depuração renalacúmulo de metforminarisco de acidose láctica

Ou seja: o problema não é a metformina agredir o rim. É o rim lesado deixar de eliminar a metformina. Por isso a conduta depende de:

  • função renal basal (e quão distante ela está do limiar de risco);
  • presença ou risco relevante de AKI;
  • via, volume e contexto da administração de contraste (intra-arterial com exposição renal de primeira passagem não é igual a uma injeção venosa de rotina);
  • urgência do procedimento e recomendações vigentes da instituição e da diretriz adotada.
Não invente uma regra universal. O raciocínio correto: função renal preservada e exposição de baixo risco em geral não exigem a mesma conduta que função renal reduzida ou AKI instalada. Quando houver suspensão, a reintrodução depende da reavaliação da função renal, não do calendário.

🦐 O camarão

🦐 ≠ 💉

Alergia a frutos do mar prediz alergia a contraste iodado?

🩸 Anticoagulação

Não existe corte rígido universal de INR válido para todo paciente, todo acesso e toda urgência. Quem decora um número solto erra nos dois sentidos: suspende o que não devia e mantém o que devia parar.

O que realmente entra na decisão

  • Indicação do anticoagulante (prótese mecânica não é fibrilação atrial de baixo risco).
  • Risco trombótico se interromper.
  • Risco hemorrágico se mantiver.
  • Radial × femoral — o sítio muda a tolerância ao sangramento.
  • Urgência: emergência não negocia com calendário de suspensão.
  • Fármaco: cumarínico, DOAC e a farmacocinética de cada um.
  • Estratégia de interrupção e necessidade (ou não) de ponte.
  • Protocolo institucional — que é o que responde na sua sala.
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Balança de contraindicações e as pegadas do cate

Nenhuma lista decorada sobrevive ao plantão.

⚖ Risco × benefício × urgência

Toque em uma condição e depois escolha o cenário. A mesma condição pesa diferente em cada um.

Escolha uma condição de risco acima.
Uma contraindicação relativa não tem o mesmo peso num cate eletivo e numa emergência.

Onde o cate pode deixar pegadas?

Toque nos pontos quentes do corpo. Cada região tem sua família de complicações.

A grande emergência pós-femoral

Caso. Cateterismo por acesso femoral. Duas horas depois: PA 80×50 mmHg, FC 118 bpm, pele fria, dor lombar, queda de hemoglobina — e a virilha sem sangramento externo proporcional ao quadro.
Cadê o sangue?

Ventriculografia

O que ela pode informar

Contraste preenchendo o ventrículo esquerdo permite avaliar função global, contratilidade segmentar, estimar fração de ejeção e demonstrar achados como insuficiência mitral, aneurisma e comunicações — conforme a indicação.
Não é obrigatória. Acrescenta contraste e tempo. Quando a função ventricular já está bem caracterizada por método não invasivo, muitas vezes não agrega — e a decisão é caso a caso.
Parte III
Academia de hemodinâmica

Ler é reconhecer. Recuperar da memória é aprender.

29

Flashcards

Toque para virar. Marque com honestidade — a fila prioriza o que você marcou como “não sei”.

0Não sei
0Quase
0Sei
0Na fila

Toque para ver a resposta

30

Arena TEC

Questões difíceis, com o porquê de cada alternativa, a pegadinha e a âncora.

0Acertos
0Erros
0Respondidas
31

🩸 Qual vaso é esse?

Jogo de identificação. Placar próprio.

Toque em “Sortear vaso” para começar.
0Acertos
0Erros
32

🧭 Qual projeção é essa?

Aqui não dá para pular para o vaso. A ordem é obrigatória.

Toque em “Sortear imagem”.
0Sequências completas
0Etapas erradas
33

🏛️ Palácio da memória — a sala de hemodinâmica

Tente lembrar antes de revelar. Revelar sem tentar não constrói memória.

Objetos revelados: 0/16

34

🏆 Boss final — você é o hemodinamicista

Dezenove missões, um paciente, cinco competências avaliadas separadamente.

Paciente. 64 anos. Angina aos pequenos esforços apesar de tratamento clínico adequado. Teste funcional de alto risco. Disfunção renal. Em uso de metformina. Refere “alergia a camarão”.
35

Revisão progressiva N1–N7

Sete níveis, do reflexo de 10 segundos ao caso integrado.

36

Fontes e diretrizes

O que sustenta cada afirmação — e o que você deve conferir na versão vigente.

  • Diretriz Brasileira de Síndrome Coronariana Crônica (SBC, 2025) — indicação de estratégia invasiva, papel da fisiologia intracoronariana e integração com testes não invasivos.
  • ESC Guidelines for the management of chronic coronary syndromes (2024) — quando a posição internacional diverge ou detalha.
  • ACC/AHA — documentos de dor torácica e de revascularização, quando pertinentes.
  • Recomendações contemporâneas sobre meio de contraste iodado (sociedades de radiologia/urologia renal) — reação prévia ao contraste, mitos do iodo e conduta com metformina segundo função renal e via de administração.
  • Literatura de fisiologia coronariana — bases de FFR e dos índices não hiperêmicos, incluindo os ensaios que compararam estratégias guiadas por fisiologia com estratégias guiadas apenas pela angiografia.
  • Rentrop KP et al. Changes in collateral channel filling immediately after controlled coronary artery occlusion by an angioplasty balloon in human subjects. J Am Coll Cardiol, 1985 — origem da classificação 0–3.
  • Glagov S et al. Compensatory enlargement of human atherosclerotic coronary arteries. N Engl J Med, 1987 — remodelamento positivo.
  • Documentos de consenso sobre imagem intravascular (IVUS/OCT) — aquisição, interpretação e uso na otimização de ICP.
Regra de honestidade do Atlas: este capítulo não crava cortes numéricos contemporâneos de fisiologia intracoronariana nem janelas de tempo de estratégia invasiva. Esses números mudam entre versões de diretriz e entre sociedades — confira sempre na diretriz que a sua prova adota. Nenhuma referência foi inventada.
37

A última prova

Lembra delas?

Imagem A
Imagem B
🫀
A coronária não mudou.
Quem mudou de lugar foi você.

Antes de procurar a lesão, descubra de onde está olhando.

Dr. André Rossanno

ATLAS MENTAL • TEC 2026 • CAPÍTULO 10A