- Como é: aperto retroesternal, difuso, o paciente mostra com a mão aberta.
- Dispara com: subir ladeira, andar rápido, esforço após refeição, frio, estresse.
- Melhora com: parar e ficar em repouso, em poucos minutos.
- História: homem, 62 anos, tabagista, diabético. Há 6 meses só sente ao subir a rampa do trabalho. Nunca sente sentado.
Seis pistas. Alguma delas fecha o caso?
Toque em EXCLUI ou NÃO EXCLUI. Sem ler nada antes. O que você errar aqui é exatamente o que este capítulo vai desmontar.
Na DAC crônica, a avaliação basal pode ser inteiramente normal
Exame físico normal. ECG de repouso normal. Radiografia sem alteração específica. Ecocardiograma sem achado diagnóstico de doença coronariana. Isso é comum — e não tranquiliza ninguém.
O exame físico raramente diagnostica DAC — e ainda assim é indispensável
O que ele quase nunca faz
Não existe sinal de exame físico que confirme obstrução coronariana crônica. Na maioria dos pacientes com SCC estável e sem sintomas no momento, o exame é normal.
O que ele faz muito bem
- Aumenta a probabilidade de aterosclerose: sopro carotídeo, sopro/ausência de pulsos periféricos, aneurisma de aorta abdominal, xantomas, arco corneano precoce.
- Mostra consequência: B3, estase jugular, crepitações, edema — sinais de insuficiência cardíaca que mudam a conduta.
- Encontra o diferencial: sopro de estenose aórtica, sopro dinâmico de cardiomiopatia hipertrófica, atrito pericárdico, dor reproduzida à palpação, assimetria de pulsos e de pressão.
- Aponta o que agrava: palidez de anemia, taquicardia, hipertireoidismo, febre, hipoxemia.
ST-T deixou pistas, mas não confessou o crime
O ECG de repouso pode ser normal em pacientes com doença coronariana crônica estabelecida — inclusive em doença multiarterial. Quando há alterações de ST-T, elas frequentemente são inespecíficas: aparecem em sobrecarga ventricular, distúrbios eletrolíticos, drogas, hiperventilação, alterações posicionais e em uma longa lista de condições não coronarianas.
BRE e BDAS: gatilho de raciocínio, não carimbo diagnóstico
Bloqueio de ramo esquerdo e bloqueio divisional anterossuperior em um paciente com suspeita de DAC crônica são achados que merecem atenção: aumentam a chance de doença estrutural do coração e de disfunção ventricular, e justificam avaliar adequadamente a função do ventrículo esquerdo.
Achou BRE? Espie a bomba: peça uma avaliação apropriada da função ventricular. É um gatilho para investigar, não uma definição médica e não um diagnóstico de DAC.
Um trabalhador sentado no meio de dezessete
Toque em Contrair e observe o ventrículo esquerdo dividido em segmentos. Antes de ler qualquer coisa: encontre o que está diferente.
Dezesseis trabalhando. Um sentado. Quem paga o salário daquele setor?
O que o ecocardiograma responde na avaliação inicial
Quando repetir o ecocardiograma
Reavaliação por imagem precisa de indicação clínica. Ecocardiogramas seriados de rotina, em paciente estável e sem mudança nenhuma, produzem números — não decisões.
Toque nos cenários e decida: repetir ou não repetir agora.
Exame com pergunta clínica produz decisão.
RX vê o cenário. Não vê diretamente a placa.
O Hotel dos Disfarces da Dor Torácica
Oito quartos. Em cada um, um hóspede que se apresenta como "dor no peito". Você recebe a ficha antes do nome: como a dor é, o que dispara, o que melhora, o que piora. Tente descobrir quem está lá dentro antes de abrir a porta.
- Como é: dor retroesternal em aperto, às vezes intensa, pode durar minutos a horas.
- Dispara com: deglutição, líquidos muito frios ou muito quentes, estresse — não necessariamente com esforço.
- Acompanha: disfagia intermitente, sensação de entalo.
- História: mulher, 51 anos, sem fatores de risco cardiovascular relevantes. Dor forte no peito jantando; melhorou minutos depois de um nitrato sublingual no pronto-socorro.
- Como é: queimação retroesternal, gosto ácido, pode subir até a garganta.
- Dispara com: refeições volumosas, deitar após comer, álcool, à noite.
- Melhora com: antiácido — às vezes.
- História: homem, 48 anos, sobrepeso. Queimação há um ano. Nas últimas semanas passou a sentir também um aperto ao subir escadas.
Quando o tratamento não resolve a história, revise a história antes de aumentar o tratamento.
- Como é: dor localizada, o paciente aponta com um dedo, em pontada ou dolorimento.
- Dispara com: movimento do tronco, tosse, deitar de lado, e sobretudo à palpação daquele ponto.
- Acompanha: às vezes edema e sensibilidade da junção costocondral.
- História: homem, 58 anos, hipertenso e dislipidêmico, começou musculação há duas semanas. Dor à esquerda, reproduzida exatamente quando você comprime a 2ª articulação costocondral.
Não esqueça o que existe atrás da parede.
- Como é: queimação e ardência em faixa, unilateral, que não cruza a linha média.
- Acompanha: hipersensibilidade da pele — a roupa incomoda no trajeto.
- Não muda com: esforço, repouso ou posição.
- História: mulher, 67 anos, dor torácica em faixa há 3 dias, pele inteiramente normal ao exame.
- Como é: dor em pontada que piora na inspiração profunda (pleurítica), às vezes lateral.
- Acompanha: dispneia súbita, taquicardia, taquipneia, às vezes hipoxemia, síncope ou hipotensão nos casos graves.
- Contexto: imobilização, pós-operatório, câncer, trombofilia, viagem longa, gestação/puerpério.
- História: mulher, 44 anos, 6º dia de pós-operatório de artroplastia de joelho, dor torácica súbita à direita e falta de ar.
VD: "Segura meu TEP."
Depois do TEP, o VE fica quieto.
- Como é: dor retroesternal em pontada ou aperto, contínua, muitas vezes intensa.
- Piora com: decúbito dorsal e inspiração profunda.
- Melhora com: sentar e inclinar-se para frente.
- História: homem, 29 anos, quadro viral há 10 dias, dor torácica há 2 dias que não deixa ele dormir deitado. Atrito à ausculta.
E — inclinar-sE para frEnte melhora
R — Respiração profunda piora
I — Irradiação para o trapézio
- Como é: início abrupto e intensidade máxima já nos primeiros instantes. Pode irradiar para o dorso, entre as escápulas.
- Pode vir com: assimetria de pulsos ou de pressão, sopro de insuficiência aórtica, déficit neurológico, síncope, sinais de má perfusão de um território.
- Contexto: hipertensão mal controlada, doenças do tecido conjuntivo, gestação, uso de cocaína, aorta previamente dilatada, história familiar.
- História: homem, 58 anos, hipertenso irregular. Dor torácica súbita e insuportável desde o primeiro segundo, migrando para as costas.
O corredor das outras portas
Nem todo hóspede tem um quarto de luxo. Toque em cada porta para ver o que ela esconde.
UMA PISTA NÃO ABSOLVE A CORONÁRIA.
Toque abaixo e veja, uma a uma, as cinco absolvições falsas.
Qual impostor?
Dez fichas de hóspede. Algumas trazem pistas conflitantes de propósito — porque a vida real também traz. Escolha quem é o mais provável.
Isso exclui DAC?
Rodada completa, 12 características. Rápido: a resposta que vem antes do raciocínio é justamente a que a prova quer punir.
Segunda rodada: os mesmos conceitos, com outra roupa
Tudo o que você viu no início volta agora vestido de caso clínico. Responda antes de abrir.
Arena TEC — 18 questões
Flashcards
Toque para virar. Filtre por tema quando quiser treinar só um pedaço.
O que ficou — e o que precisa voltar
Fila dos seus erros
Você ainda não errou nada por aqui. A fila aparece sozinha quando houver o que revisar.
Revisão espaçada
Resumo de bolso
Os oito hóspedes, em oito linhas
🐍 Esôfago → nitrato também pode melhorar
🔥 DRGE → persistência exige reavaliação
🔔 Tietze → palpação favorece parede, não exclui isoladamente DAC
🫁 TEP → pleurítica + o VD também sofre
🛐 Pericardite → deita pior, frente melhora, trapézio
⚡ Aorta → abrupta e máxima rapidamente
Teste de 60 segundos
Oito perguntas relâmpago. Responda mentalmente e confira.
Vinte frases para levar do hotel
O hotel fecha as portas
Ele chega carregando pistas."
O médico organiza probabilidades.
Próximo capítulo da série: 🎰 O Cassino de Bayes — probabilidade pré-teste, sensibilidade e especificidade, VPP/VPN e a escolha entre teste anatômico e funcional.