Faça sua estimativa antes de abrir o exame
Escolha o paciente, empurre as fichas que representam a sua suspeita de DAC e só então mande rodar o teste. As fichas se movem — é isso que um exame faz.
Paciente → pré-teste → exame → pós-teste → conduta
Todo o capítulo cabe nessa linha. O erro clínico mais comum não é errar o exame — é entrar no exame sem probabilidade nenhuma na cabeça e depois obedecer ao resultado como se fosse sentença.
As oito perguntas antes de pedir qualquer exame
Marque as que você realmente faz hoje, na prática. Sem autoindulgência.
- Como eu explicaria isso em 30 segundos?
- "O exame não desenha a probabilidade do zero: ele empurra uma probabilidade que já existia. Se você não sabe de onde partiu, não sabe para onde chegou."
- Pergunta para fazer aos alunos
- "Se o resultado desse exame não mudar a sua conduta, por que você está pedindo?"
- Erro que o aluno provavelmente cometerá
- Tratar o exame como o ponto de partida do raciocínio, e não como um passo dentro dele.
- Analogia para o quadro
- Uma balança já pende para um lado antes de o exame entrar. O exame só acrescenta peso — nunca zera o outro prato.
O mesmo exame, três significados diferentes
🏃♀️ Paciente 1 — A maratonista
🧓 Paciente 2 — O senhor coronariano
⚖️ Paciente 3 — A zona intermediária
Os três lado a lado
Toque para ver o deslocamento das fichas em cada um.
🔎 SENSI — a detetive dos doentes
Abaixo há uma multidão. 🫀 = tem DAC · 🙂 = não tem. Toque nos doentes que você acha que o teste encontrou e depois confira.
- Como eu explicaria em 30 segundos?
- "Sensibilidade é a taxa de aprovação do teste na prova dos doentes. Só os doentes fazem essa prova."
- Erro que o aluno provavelmente cometerá
- Calcular sensibilidade dividindo pelo total da população, e não pelo total de doentes.
- Como transformar em caso clínico
- Dois pacientes com o mesmo resultado negativo: um jovem sem risco e o senhor de 69 anos. Peça a conduta de cada um.
🛡️ ESPECÍFICO — o guarda dos saudáveis
Agora o inverso: toque nos saudáveis que você acha que o teste liberou corretamente.
A matriz 2 × 2
Arraste cada peça para o quadrante certo — ou, no celular, toque na peça e depois no quadrante. Nada é revelado antes de você montar.
VPP e VPN — o lado de cá do resultado
Valor preditivo positivo
"Meu teste veio positivo. Qual a chance de eu realmente ter a doença?"
Valor preditivo negativo
"Meu teste veio negativo. Qual a chance de eu realmente não ter?"
A diferença que mais cai em prova
Toque para ver onde cada número mora.
- Pergunta para fazer aos alunos
- "Se eu levar exatamente esta máquina para uma UTI coronariana e depois para uma escola, o que muda: a sensibilidade ou o VPP?"
- Pegadinha de prova
- Enunciado dá sensibilidade e especificidade e pergunta o VPP sem dar a prevalência. Não dá para responder — e essa é a resposta.
- Analogia para o quadro
- A máquina é a mesma; o que muda é quem entra na fila.
O slider que derruba o VPP
A Máquina de Bayes
Antes de qualquer fórmula, o esqueleto: ANTES → EVIDÊNCIA → DEPOIS. Em linguagem clínica: probabilidade pré-teste → resultado do exame → probabilidade pós-teste. A matemática só formaliza o que o raciocínio já fazia.
De onde saem esses números
RV− = (1 − sensibilidade) ÷ especificidade
Quanto mais alta a RV+, mais o positivo empurra para cima. Quanto menor a RV−, mais o negativo empurra para baixo.
É exatamente o que a máquina acima faz a cada movimento do slider.
- Como eu explicaria em 30 segundos?
- "O exame é um empurrão, não um teletransporte. O tamanho do empurrão é a razão de verossimilhança; o lugar de onde você parte é a probabilidade pré-teste."
- Pergunta para fazer aos alunos
- "Coloque o pré-teste em 5% e o positivo na tela. Você trataria esse paciente como coronariopata?"
- Erro provável
- Achar que o pós-teste depende só do exame. Ele depende dos dois — e, em probabilidades extremas, muito mais do ponto de partida.
Duas portas: anatomia ou função
🚧 Porta anatômica
Objetivo: ver a coronária — placas, estenoses, extensão da doença aterosclerótica.
- Angiotomografia de coronárias — o método anatômico não invasivo.
- Bom para afastar doença obstrutiva em quem tem probabilidade não elevada, quando a pergunta é "existe placa aí?".
🔥 Porta funcional
Objetivo: demonstrar repercussão funcional — isquemia, e onde ela acontece.
- Teste ergométrico
- Ecocardiograma de estresse
- Cintilografia de perfusão miocárdica
- PET de perfusão
- Ressonância cardíaca sob estresse
Anatomia ou função?
Seis situações. Escolha qual informação você precisa antes de escolher o exame.
A cascata isquêmica
Toque em avançar e veja a fábrica ir parando. Repare em que altura cada exame consegue enxergar alguma coisa.
O Museu da Cardiologia
Sala Diamond-Forrester
Em 1979, Diamond e Forrester organizaram a estimativa de probabilidade de DAC a partir de idade, sexo e características da dor. Foi a peça que ensinou a cardiologia inteira a pensar em probabilidade pré-teste antes de pedir exame — e é por isso que ela está no museu, não no lixo.
Falso ou verdadeiro? Positivo ou negativo?
Doze fichas rápidas. Diga se aquele resultado é mais provavelmente verdadeiro ou falso — e por quê.
Arena TEC — 23 questões
Flashcards
Toque para virar. Filtre por tema quando quiser treinar só um pedaço.
O Cardiologista Bayesiano
Cinco pacientes, cada um mais difícil que o anterior. Em cada um você percorre a sequência inteira: estimar → decidir se testa → definir a pergunta → escolher anatomia ou função → interpretar → estimar o pós-teste → decidir. O último traz um exame que discorda da história — e ele só libera o fim do capítulo quando você explicar por quê.
O capítulo inteiro em um desenho
como é a estrada
como está o trânsito
O que ficou — e o que precisa voltar
Fila dos seus erros
Você ainda não errou nada por aqui. A fila aparece sozinha quando houver o que revisar.
Revisão espaçada
Vinte frases para levar do cassino
🧠 A regra de ouro
Ele entra dentro dele."
Atlas de Síndrome Coronariana Crônica — TEC 2026