DAC · Síndrome Coronariana Crônica · Capítulo do Teste Ergométrico

O Interrogatório do Coração

O teste ergométrico não é um ECG feito enquanto alguém corre. É um experimento fisiológico provocado: a esteira aumenta a demanda e observa se o sistema cardiovascular tem reserva para responder.

Ao terminar este capítulo, você deve olhar um gráfico de FC, PA ou ST e enxergar o paciente correndo por trás dele.

01
Antes de qualquer explicação

Preveja o exame inteiro

Paciente Homem, 55 anos, dor torácica aos esforços. ECG de repouso sem alterações importantes. Ele sobe na esteira.

Antes de ler o capítulo, escreva mentalmente o que você espera que aconteça. Depois marque sua aposta:

Modo professor Peça isso ao aluno antes de mostrar qualquer slide. A previsão errada cria o "erro produtivo": o cérebro marca o conceito quando a expectativa é violada. Se o aluno já vê a resposta pronta, ele reconhece — não aprende.
02
O motor por trás das curvas

Fisiologia do esforço, na ordem certa

A sequência que quase todo mundo inverte

Pegadinha de sequência No início do exercício, o primeiro evento é a retirada vagal. A elevação da atividade simpática vem em seguida e domina o esforço mais intenso. Na recuperação, o processo se inverte: reativação vagal + retirada progressiva do simpático.
Como eu explico em 30 segundos "O coração em repouso está com o freio de mão puxado (vago). Começar a correr é primeiro soltar o freio; só depois é pisar no acelerador (simpático). Parar de correr é puxar o freio de novo — e é por isso que a queda da FC no primeiro minuto é uma medida do freio."

Por que a PAS sobe

↑ débito cardíaco (↑FC + ↑contratilidade + ↑retorno venoso pela bomba muscular) empurrando sangue contra a árvore arterial → o pico de pressão de cada sístole aumenta.

PAS = pressão gerada pela ejeção

Por que a PAD quase não muda

A vasodilatação metabólica nos músculos ativos derruba a resistência periférica. Mesmo com muito mais fluxo, a pressão de repouso da árvore arterial na diástole não precisa subir — pode inclusive cair um pouco.

PAD ≈ resistência periférica
A sistólica sobe; a diastólica segura.— Dr. André Rossanno
03
O componente central do capítulo

O gráfico-mãe

Uma linha do tempo única: PRÉ · ⅓ inicial · ⅓ médio · ⅓ final · PICO · 1 min · 2 min · 4 min · 6 min. Escolha as variáveis, desenhe a curva mentalmente e só então mostre.

Toque (ou passe o mouse) sobre o gráfico para ler tempo, carga, FC, PAS, PAD, ST e METs de cada momento.

04
A metáfora do capítulo

A esteira faz seis perguntas

Cada estágio é uma nova pergunta feita ao coração. O laudo é o conjunto das seis respostas — nunca de uma só. Toque em cada estação.

Um teste ergométrico com seis respostas e um único olhar para o ST é um exame lido pela metade.— Dr. André Rossanno
05
Estação 1 · "Você consegue acelerar?"

Frequência cardíaca máxima prevista

A estimativa clássica

FC máx ≈ 220 − idade

É uma estimativa populacional, não uma medida. A dispersão é grande: a diretriz descreve margem de erro de ±10 a 15 bpm nas fórmulas, e lembra que a FC máxima estimada não deve ser usada como único critério de interrupção nem como medida de eficácia do teste. Mulheres costumam ter valores estimados menores.SBC 2024 ✓

Calculadora
⚠️ Pegadinha clássica 220 − idade NÃO é a fórmula de Karvonen.
220 − idade Estimativa da FC máxima. Responde: "até onde este coração poderia acelerar?" Serve como referência do esforço atingido no teste ergométrico.
Karvonen Trabalha com a reserva cronotrópica:
FC reserva = FC máx − FC repouso
FC alvo = FC rep + %×(FC máx − FC rep)
Usada sobretudo para prescrever intensidade de exercício, não para julgar o teste.

A diretriz traz quatro equações: para ambos os sexos, 220 − idade e 208 − (0,7 × idade); específicas por sexo, mulheres 192 − (0,7 × idade) e homens 201 − (0,6 × idade). O alvo de referência é ≥ 85% da FCmax estimada. Guarde: fórmula ≠ medida.SBC 2024 ✓

06
O ponto que mais gera confusão

Os famosos 85%

85% da FC máxima prevista é a referência clássica de que o paciente foi submetido a um estresse suficiente para que um exame sem alterações tenha valor razoável para afastar isquemia. É um marcador de qualidade do estresse.

❌ 85% NÃO É BOTÃO STOP Atingir uma porcentagem da FC máxima prevista não é, isoladamente, critério de interrupção do teste.

Quando é apropriado e seguro, o esforço pode continuar até:

  • limitação clínica (sintoma que impede prosseguir);
  • exaustão / capacidade máxima tolerada;
  • ou o surgimento de um critério formal de interrupção.
O que você ganha ao não parar em 85% Capacidade funcional real (METs) · comportamento da PA em cargas mais altas · sintomas no limite · arritmias dependentes de carga · reserva cronotrópica · dados prognósticos (inclusive o tempo de exercício, que entra no Duke).
85 não é botão STOP.— Dr. André Rossanno
Erro provável do aluno Confundir meta de esforço submáximo (usada em protocolos específicos, como pós-IAM precoce, quando se quer limitar deliberadamente o estresse) com critério de parada de um teste máximo limitado por sintomas. São contextos diferentes: no teste limitado por sintomas, o alvo é a limitação do paciente, não um número de FC.
07
Submáximo ≠ inútil

"Não diagnóstico" não é "negativo"

Caso Homem, 40 anos. FC máx estimada = 220 − 40 = 180 bpm. 85% ≈ 153 bpm. O exame terminou com FC = 140 bpm.
Se NÃO apareceu nada Esforço insuficiente + ausência de achados = sensibilidade limitada para excluir isquemia. O laudo correto é teste submáximo / não diagnóstico para isquemianunca "teste normal" ou "negativo".
Se APARECEU achado convincente Angina típica + infra de ST convincente com FC 140 → existe informação diagnóstica relevante. Não atingir 85% não apaga o achado. Pelo contrário: isquemia em carga baixa costuma ser mais preocupante, não menos.
O 85% não absolve um ST culpado.— Dr. André Rossanno
Ponte com probabilidade Isso é Bayes na prática: um teste interrompido cedo tem menor poder de reduzir a probabilidade pós-teste (VPN cai), mas mantém o poder de aumentá-la quando o achado é convincente. Achado positivo em teste curto e achado ausente em teste curto não têm o mesmo peso.
08
Estação 1, resposta anormal

A esteira acelera. O coração não.

ESTEIRA "ACELERA!" carga ↑ ↑ ↑ · demanda ↑ ↑ ↑ FC quase parado β-BLOQ · NÓ SINUSAL · CHAGAS · AUTONÔMICO · DAC A ESTEIRA ACELERA. O CORAÇÃO NÃO.

O conceito não cabe em um número

A diretriz define resposta cronotrópica deprimida / incompetência cronotrópica por qualquer um de três critérios: 1) FC atingida no esforço menor que dois desvios-padrão da FC máxima prevista; 2) não atingir 85% da FC prevista para a idade; 3) índice cronotrópico < 0,80.SBC 2024 ✓

Índice cronotrópico IC = (FC pico − FC repouso) / (FC máx prevista − FC repouso)
Ele corrige pela FC de repouso e pelo esforço realizado. Na diretriz, o valor de normalidade é ICr ≥ 80% — e a leitura fica limitada em vigência de betabloqueador, antiarrítmico, FA/flutter, marca-passo com sensor, CDI e BAVT congênito.SBC 2024 ✓
Interprete sempre com o contexto Esforço realmente alcançado · idade · FC basal · medicamentos · capacidade funcional · reserva cronotrópica · condição clínica. Um atleta com bradicardia de repouso e excelente capacidade funcional é um cenário diferente de um sedentário que parou aos 3 METs com FC de 105.

Causas de resposta cronotrópica inadequada

09
Um sinal que pede explicação

A FC cai enquanto a carga sobe

Se a carga aumenta e a FC cai (ou fica persistentemente aquém do esperado), isso é uma resposta anormal que exige interpretação — e, em determinadas situações, interrupção do exame.

Não simplifique "FC caiu = DAC" está errado. O achado abre uma investigação, não fecha um diagnóstico.
O que considerar Doença cardiovascular estrutural · distúrbios de condução e do nó sinusal · disfunção autonômica · fármacos · resposta vasovagal · isquemia relevante, conforme o contexto.
O que muda a leitura Queda isolada, transitória e assintomática ao mudar de estágio ≠ queda progressiva e persistente com carga crescente, acompanhada de sintomas ou de queda da PA. A segunda é a que preocupa.
A carga sobe, a FC deve acompanhar.— Dr. André Rossanno
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Estação 2 · "Você consegue gerar pressão?"

🩸 O elevador da pressão

Duas curvas, dois significados. Mova a carga e observe os dois andares subirem de forma diferente.

Mecanismo ↑ débito cardíaco → ↑ PAS. Ao mesmo tempo, a vasodilatação metabólica no músculo em atividade reduz a resistência periférica → a PAD tende a permanecer aproximadamente estável, com pequena variação.

Os valores exibidos aqui são ilustrativos do comportamento das curvas, não cortes diagnósticos. Os cortes formais estão na seção 11.

11
Definições formais

Os cinco comportamentos da pressão

Números conferidos na diretriz Os cortes desta seção foram conferidos na Diretriz Brasileira de Ergometria em População Adulta — SBC 2024 (Tabela 32). Em resumo:
  • Normal no esforço: PAS < 210 mmHg (homens) e < 190 mmHg (mulheres); PAD inalterada ou oscilando até ±10 mmHg.
  • Hipertensiva/exagerada: PAS ≥ 210 (homens) ou ≥ 190 (mulheres); e/ou PAD com elevação ≥ 15 mmHg ou PAD > 90 mmHg.
  • Deprimida: reserva pressórica sistólica (PAS pico − PAS repouso) < 35 mmHg, ou PAS máxima < 140 mmHg, ou platô da PAS com reserva < 35 mmHg.
  • Hipotensão/queda intraesforço: PAS que cai abaixo do repouso, ou elevação inicial seguida de queda ≥ 20 mmHg.
  • Interrupção: PAS > 250 mmHg; PAD ≥ 120 mmHg em normotensos ou ≥ 140 mmHg em hipertensos.
  • Não realizar o teste com PAS ≥ 180 e/ou PAD > 110 mmHg no repouso.
SBC 2024 ✓

As duas placas que não são a mesma placa

⚠️ Placa amarela RESPOSTA ANORMAL
Muda a interpretação e o prognóstico. Entra no laudo. Não obriga, por si só, a parar o exame.
🛑 Placa vermelha INTERROMPER O TESTE
Muda a conduta imediata dentro da sala. É uma decisão de segurança, tomada em tempo real.
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O achado mais temido da curva pressórica

A PAS sobe… e depois cai

O padrão que preocupa: elevação inicial adequada e, com incremento da carga, queda da PAS ≥ 20 mmHg em relação ao valor mais alto atingido — exatamente a redação da diretriz, que também lista esse achado como critério de interrupção. Se assintomática, confirmar a queda em pelo menos mais uma medida antes de valorizar.SBC 2024 ✓

⚠️ Aula × Diretriz Circulam dois números na literatura: queda ≥ 10 mmHg em relação ao estágio anterior (critério clássico, mais sensível) e queda ≥ 20 mmHg em relação ao pico. Resolvido: a SBC 2024 adota ≥ 20 mmHg após elevação inicial — e acrescenta uma distinção que vale ouro na prova: queda da PAS sem queda da PAD costuma ser isquemia; queda da PAS com queda da PAD aponta mais para déficit inotrópico (ex.: valvopatia). Na CMH, a hipotensão é definida como queda da PAS > 20 mmHg. A lógica fisiológica, essa sim, é a mesma nos dois casos.SBC 2024 ✓

O que a curva está dizendo: o coração não conseguiu aumentar (ou sustentar) o débito cardíaco frente à queda progressiva da resistência periférica do músculo em exercício.

Trave importante A queda da PAS no esforço é um achado preocupante e prognosticamente relevante — mas não é etiologicamente específico. Ela diz "a bomba falhou sob carga", não "a coronária está obstruída".
Pergunta para os alunos "Por que uma queda de 20 mmHg no esforço assusta mais do que uma PA de 90/60 medida em repouso no consultório?" — Resposta: porque no esforço a demanda está máxima e a resposta esperada é oposta. O valor absoluto importa menos que a direção contra a expectativa fisiológica.
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Quando a curva sobe demais

Resposta hipertensiva ao exercício

Curva de PAS: comportamento esperado (azul) × resposta exagerada (âmbar).

Elevação exagerada da PAS e/ou comportamento anormal da PAD durante o esforço. Cortes da SBC 2024: PAS ≥ 210 mmHg em homens e ≥ 190 mmHg em mulheres, independentemente de protocolo e ergômetro; PAD com elevação ≥ 15 mmHg ou valor > 90 mmHg partindo de PAD normal em repouso. Referência útil de inclinação: a PAS sobe cerca de 10 mmHg por MET (≈ 6,2 mmHg/MET acima de 10 METs).SBC 2024 ✓

Por que isso importa Associação descrita com maior risco de desenvolver hipertensão arterial no futuro em normotensos, além de relação com perfil cardiovascular e com marcadores de rigidez arterial/lesão de órgão-alvo em parte dos estudos. Interpretar sempre com PA basal, sexo, idade, medicação e contexto clínico.
Não confunda "Resposta hipertensiva" (achado de laudo, placa amarela) ≠ "PA que obriga interromper" (placa vermelha). São dois patamares de valor diferentes.
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Estação 6 · "Você consegue voltar ao basal?"

🌿 A sala da recuperação

Parou a esteira, não terminou o teste.— Dr. André Rossanno

A recuperação é parte do exame, não epílogo decorativo. Nela ocorre reativação vagal + retirada simpática progressiva, e a monitorização deve ser mantida por tempo apropriado, com registro de FC, PA, sintomas e ECG.

FC Queda progressiva. A magnitude da queda no 1º minuto é o índice mais estudado — queda pequena = pior prognóstico. Cortes da SBC 2024, que dependem do modo de recuperação: ativa (caminhando) normal > 12 bpm (lenta ≤ 12); passiva deitado normal > 18 bpm (lenta ≤ 18); 2º minuto sentado normal ≥ 22 bpm (lenta ≤ 21). Queda abrupta e assintomática em bem condicionados é normal.SBC 2024 ✓
PAS Queda progressiva até se aproximar do basal.
ECG Continua sendo o exame. Alterações podem surgir ou persistir aqui.
Analogia para o quadro "O esforço mostra o motor. A recuperação mostra o freio. Paciente que sobe bem e não desce é como carro que acelera mas não desacelera: o problema não está na potência, está no controle autonômico."

Quando a esteira já parou e o ST aparece

Não veja apenas quanto desceu. Veja como, quando e onde.— Dr. André Rossanno

A pressão na recuperação

Esperado PAS cai progressivamente, aproximando-se do valor basal ao longo dos minutos de observação.
Anormal / paradoxal Números da SBC 2024: normal = PAS do 3º min / PAS do pico ≤ 0,9, com PAS < 160 e PAD < 90 mmHg no 5º min. Recuperação lenta = razão > 0,9, ou PAS ≥ 160 / PAD ≥ 90 no 5º min. Paradoxal = PAS do 3º min / PAS do 1º min ≥ 1 (preditora de DAC, IAM, AVC e morte CV). PAD ≥ 90 no 5º min = resposta hipertensiva diastólica na recuperação.SBC 2024 ✓
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Estação 3 · o preço do esforço

Duplo produto

DP = FC × PAS

DEMANDA MIOCÁRDICA DE O₂ ❤️ FC 🩸 PAS Empurram juntos
Calcule
O que o DP é e o que ele não é É um índice indireto do consumo miocárdico de oxigênio, correlacionado com ele — não é uma medição direta de MVO₂ (que depende também de contratilidade, tensão parietal e outros determinantes).
DP < 25.000 Conferido: a SBC 2024 afirma que o DP máximo (em geral obtido no pico), quando inferior a 25.000 bpm·mmHg, associa-se a pior prognóstico, e recomenda uso seriado do índice. Ainda assim, interprete o porquê do DP baixo (parou cedo? betabloqueado? não gerou pressão?): a diretriz lista como limitantes o uso de betabloqueador e antiarrítmico, hipertensão descontrolada e FA/flutter não controlados — e orienta não calcular o DP durante taquiarritmias. Em contextos específicos (pós-angioplastia e pós-revascularização), DP < 25.000 sugere mau resultado, obstrução de ponte ou disfunção de VE.SBC 2024 ✓
FC × PAS = o preço cardíaco do esforço.— Dr. André Rossanno
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Estação 4 · "Existe sofrimento elétrico?"

Ler o ST como se lê uma medida

Nunca "infra = positivo"

Antes de dizer se é isquêmico, o traçado precisa passar por oito perguntas. Toque em cada uma.

A régua: onde se mede

Critérios de medida usados neste capítulo
  • Onde se mede: no ponto Y — 60 ou 80 ms após o ponto J, conforme a FC do momento (em geral 60 ms em crianças/jovens e 80 ms em adultos/idosos).
  • Horizontal (retificado) ou descendente: ≥ 1 mm aferido no ponto Y.
  • Ascendente lento: ≥ 1,5 mm se risco pré-teste moderado/alto; ≥ 2 mm se risco baixo (aferido no ponto Y a 80 ms do J).
  • Infra < 1,0 mm não preenche critério de isquemia.
  • Supradesnivelamento: ≥ 1,0 mm medido a 60 ms após o ponto J, em 2 ou mais derivações — e, na SBC 2024, independentemente da presença de onda Q.
SBC 2024 ✓
Três correções que a diretriz impõe sobre a versão simplificada que circula em aula: a medida é no ponto Y (não no ponto J); o supra vale com ou sem onda Q (a onda Q muda a interpretação — isquemia peri-infarto, viabilidade, discinesia —, não o critério de medida); e o antigo "convexo ≥ 2 mm no nadir" não é critério de positividade — ver a caixa do sinal de corcunda, abaixo.
O ascendente é o único que muda com Bayes Repare: a régua do ST ascendente muda conforme a probabilidade pré-teste. Isso é o teorema de Bayes embutido dentro do critério de positividade — o mesmo traçado "atende" ou "não atende" dependendo de quem é o paciente.
Sinal de corcunda do ST Infra ascendente seguido de uma onda em forma de corcunda logo após o ponto J, atribuído a repolarização atrial exagerada. Em pessoas assintomáticas e sem cardiopatia, associa-se a hipertensão de repouso e a resposta hipertensiva ao esforço, sendo provável falso-positivo para DAC obstrutiva, com bom prognóstico. Mas atenção ao contexto: foi associado a disfunção diastólica do VE e, na cardiomiopatia hipertrófica, a risco de morte súbita. A própria diretriz diz que o sinal carece de estudos adicionais.SBC 2024 ✓
Trave clássica de prova O infradesnivelamento não localiza a artéria culpada (a isquemia subendocárdica é difusa). Já as derivações do supra têm correlação com segmentos anatomovasculares do VE — a diretriz sugere descrição topográfica. Guarde dois pares de alto rendimento: supra em aVR (sensibilidade de 100% para lesão de tronco, com especificidade baixa) e supra em V1 com infra em aVR e V4–V6, associado a tronco ou DA proximal.SBC 2024 ✓
O ST na recuperação, conferido Normalização precoce do infra no 1º minuto = menor carga isquêmica e maior chance de falso-positivo. Persistência > 3 minutos = DAC grave. Recorrência após ter sumido = DAC grave. Infra apenas na recuperação tem a mesma acurácia do infra do esforço — mas, se aparece só após o 3º minuto, cresce a chance de falso-positivo.SBC 2024 ✓
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A derivação bipolar do esforço

CM5

M — manúbrio (−) V5 (+) CM5 vetor alinhado ao eixo do VE
Por que ela detecta mais O par manúbrio (−) → V5 (+) gera um vetor amplo e alinhado com a massa do ventrículo esquerdo, com maior amplitude do QRS e menos artefato de movimento. Grande parte dos infradesnivelamentos do esforço aparece em V5 e derivações vizinhas.
O trade-off ↑ sensibilidade pode vir acompanhada de ↓ especificidade: mais achados detectados incluem mais falsos-positivos. Sensibilidade sem custo não existe.
Nunca conclua "CM5 positiva = DAC confirmada" está errado. CM5 é onde você , não o que você prova. O achado ainda precisa ser interpretado com morfologia, carga, sintomas, recuperação e probabilidade pré-teste.
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Estação 5 · a decisão dentro da sala

🚨 O botão vermelho da esteira

Não decore a lista. Faça a pergunta.

O paciente está perdendo a capacidade de compensar?— Dr. André Rossanno

Cada sistema tem uma forma própria de avisar que a compensação está acabando. Quando isso acontece, a esteira perde a prioridade.

As três famílias de critérios

Importantíssimo Números conferidos na SBC 2024 (Tabela 36): PAS > 250 mmHg; PAD ≥ 120 mmHg em normotensos ou ≥ 140 mmHg em hipertensos; queda da PAS ≥ 20 mmHg após elevação inicial (se assintomática, confirmar em nova medida); dessaturação com SpO₂ ≤ 92% partindo de oximetria basal normal; infra ≥ 3 mm (0,3 mV) adicionais ao repouso; supra ≥ 2 mm (0,2 mV) em derivação sem evidência de infarto prévio; exaustão física com Borg ≥ 18; TV não sustentada (≥ 3 batimentos / < 30 s) ou sustentada (≥ 30 s); FA ou flutter esforço-induzidos; BAV de 2º e 3º graus induzidos; portadores de CDI, interromper 10 bpm abaixo da FC de acionamento do dispositivo; queda persistente da FC com incremento de carga.SBC 2024 ✓
Como eu organizo no quadro Três colunas: o que o paciente diz (sintomas) · o que eu vejo e meço (exame físico e hemodinâmica) · o que o monitor mostra (ECG). O aluno que memoriza 30 itens soltos erra; o aluno que sabe as três fontes de informação reconstrói a lista sozinho.
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O teste é mais do que isquemia

Capacidade funcional e METs

1 MET ≈ 3,5 mL O₂ · kg⁻¹ · min⁻¹

É o consumo de oxigênio em repouso. Toda a capacidade funcional do teste é expressa como múltiplos desse consumo basal.

Faixas usadas neste capítulo < 4 METs = ruim · 4–7 = regular · 7–10 = boa · > 10 = excelenteNÃO CONSTA NA SBC 2024
Escala didática de uso consagrado, não uma tabela da SBC 2024 — a diretriz classifica aptidão cardiorrespiratória pelo VO₂ (1 MET = 3,5 mL/kg/min) e não publica essa régua verbal. O que a diretriz sim afirma: pacientes que atingem ≥ 10 METs, sobretudo idosos, têm baixas taxas de eventos e mortalidade independentemente de isquemia induzida; e < 4 METs marca baixa capacidade funcional na avaliação pré-operatória. Use a escala como atalho de raciocínio, não como citação de diretriz.
Trave Baixa capacidade funcional ≠ isquemia. A esteira tem quatro pernas: cardíaca, pulmonar, musculoesquelética e condicionamento/motivação. Um paciente pode parar aos 4 METs por artrose de joelho, DPOC ou descondicionamento — sem nenhuma DAC.
Por que isso é tão importante A capacidade funcional é um dos preditores prognósticos mais consistentes de todo o exame — em várias séries, com peso maior do que o próprio comportamento do ST.
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A mesa prognóstica

Sete informações, um único laudo

Um único número raramente conta toda a história. Toque em cada componente para ver o que ele acrescenta.

O ST é uma testemunha. O laudo é o julgamento do conjunto.— Dr. André Rossanno

Duke Treadmill Score

DTS = tempo (min, Bruce) − 5 × (desvio máximo do ST em mm) − 4 × (índice de angina)

Índice de angina: 0 = sem angina · 1 = angina durante o esforço · 2 = angina limitante. Tempo em minutos no protocolo de Bruce (em outro protocolo, converter os METs para o equivalente em Bruce). O escore integra capacidade de exercício + isquemia elétrica + sintoma, e não apenas o ST. Indicação da diretriz: pacientes sintomáticos, ambos os sexos, 45 a 75 anos — com limitações importantes em assintomáticos, baixo risco pré-teste, pós-revascularização cirúrgica e pós-IAM recente.SBC 2024 ✓

Faixas de risco ≥ +5 baixo risco (sobrevida em 5 anos ≈ 97%, mortalidade anual ≤ 1%) · −10 a +4 risco intermediário (sobrevida ≈ 90%) · ≤ −11 alto risco (sobrevida ≈ 67%, mortalidade anual ≥ 5%). A pontuação possível vai de ≥ +15 a ≤ −25.SBC 2024 ✓
22
O coração do capítulo

Simulador de teste ergométrico

Você é quem conduz o exame. A cada estágio, decida: continuar ou interromper. Parar cedo demais custa informação diagnóstica; passar de um critério claro custa segurança.

23
Do fenômeno para a curva

Adivinhe o gráfico

Leia a história. Antes de olhar as opções, desenhe a curva na cabeça. Depois escolha.

24
Da curva para o fenômeno

Conte a história deste coração

Agora o caminho inverso — o que realmente se faz na frente de um laudo. Olhe o gráfico e responda em voz alta antes de revelar.

Responda antes de revelar 1. A resposta cronotrópica foi adequada? · 2. E a pressórica? · 3. Em que momento o problema apareceu? · 4. Que mecanismos explicam? · 5. Havia indicação de interromper? · 6. O que isso muda no diagnóstico e no prognóstico?
25
Memória espacial

🏛️ O Ginásio do Coração

Oito objetos, oito conceitos. Percorra sempre na mesma ordem: quem entra pela porta, sobe na esteira, olha o velocímetro, o manômetro, o tanque, o chão, o alarme e sai pela sala verde.

26
Onde o TEC costuma pegar

🔥 Pegadinhas

Cada afirmação abaixo está errada por um motivo específico. Tente formular o motivo antes de abrir.

27
Testagem, não releitura

Recuperação ativa e revisão espaçada

Rodada de perguntas

Flashcards

🧠 Hipocampo — seu painel

Checklist de revisão espaçada

28
O que fica depois que os números somem

Frases-âncora e filosofia

As sete âncoras do capítulo

29
Reconstrução final

🧠 Teste ergométrico em 30 segundos

Esforço FC ↑ → PAS ↑ → PAD ≈ → demanda miocárdica ↑ → DP ↑ →
observar sintomas + ECG + arritmias → reconhecer critérios de interrupção.
Recuperação FC ↓ → PAS ↓ → seguir o ECG → procurar alterações tardias →
medir a queda da FC no 1º minuto → só então encerrar.
Você consegue contar a história do teste sem olhar nenhum número?