Módulo 4 · TEC 2026

Conduta no TCE:
Proteger o que ainda pode ser salvo

"No TCE, a conduta não começa no bisturi nem na tomografia; começa quando o médico protege oxigênio, pressão e espaço antes que o cérebro perca a voz."

Protocolo Primário

ABCDE no TCE: Cada Letra Salva

🔴 A — Airway com proteção cervical

Intubar se GCS ≤ 8 — sem exceção. SRI: Etomidato 0,3 mg/kg + Succinilcolina 1,5 mg/kg. Fentanil 2 µg/kg 3 min antes atenua pico de PIC.

Cetamina era contraindicada por elevar PIC — revisado! Hoje aceita em dose única para IOT no trauma.

🌬️ B — Breathing: O₂ e ventilação

Meta SpO₂ ≥ 95%. Hipóxia <90% × 30s = lesão secundária catastrófica.

PaCO₂ alvo: 35–40 mmHg. Hipocapnia voluntária (30–35 mmHg) apenas como ponte durante herniação iminente.

CO₂ = Controle Remoto do Vaso
Baixa CO₂ → vasoconstrição → ↓ PIC (mas ↓ perfusão!)
Alta CO₂ → vasodilatação → ↑ PIC

💉 C — Circulation: PA e volemia

PAS ≥ 110 mmHg em adulto com TCE grave. Reposição com SF 0,9% — NUNCA soluções hipotônicas.

Hipotensão no TCE = Segundo Assassino
Cada episódio de PAS <90 mmHg dobra a mortalidade.

🧠 D — Disability: Exame neurológico

GCS antes e após analgesia/sedação, pupilas, reflexos.
Glicemia: Alvo 140–180 mg/dL. Hipoglicemia <60 = lesão neuronal imediata.

🌡️ E — Exposure: Temperatura

Temperatura ≤ 37,5°C. Cada 1°C de febre = +10% consumo metabólico cerebral. Hipotermia terapêutica — não indicada rotineiramente (TTM trial).

Monitorização

Metas Fisiológicas no TCE Grave

ParâmetroMetaAlerta
PIC< 20 mmHg> 22 mmHg = tratar
PPC (PAM − PIC)60–70 mmHg< 50 mmHg = isquemia
PAS≥ 110 mmHg< 90 mmHg = emergência
SpO₂≥ 95%< 90% = lesão imediata
PaCO₂35–40 mmHg<35 apenas em herniação
Glicemia140–180 mg/dLHipoglicemia <60 = urgência
Temperatura≤ 37,5°C>38°C tratar agressivamente
Na⁺140–155 mEq/LEvitar hiponatremia
Hipertensão Intracraniana

Escada Terapêutica da PIC

1

Medidas Básicas (SEMPRE)

Cabeceira 30°, pescoço neutro, analgesia, normoglicemia, normotermia, controle de PAS

2

Osmoterapia

Manitol 20%: 0,25–1 g/kg IV bolus. Ou NaCl 3%: 150–250 mL. Meta Na⁺ 145–155.

3

Hiperventilação Controlada

PaCO₂ 30–35 mmHg — apenas como ponte para cirurgia. Não usar >30 min.

4

Terapia de Salvamento

Barbitúricos, descompressão cirúrgica, hipotermia moderada — UTI especializada

BOSH — a escada em 4 degraus:
Básico → Osmoterapia → Soprar (hiperventilação ponte) → Heroico (barbitúrico + cirurgia)

Cirurgia

Indicações Neurocirúrgicas

Hematoma Epidural (HED)

  • Volume > 30 cm³ → cirurgia independente do GCS
  • Espessura > 15 mm ou desvio > 5 mm com GCS < 9
  • Deterioração neurológica progressiva
  • Intervalo lúcido → queda → EMERGÊNCIA

Hematoma Subdural (HSD)

  • Espessura > 10 mm
  • Desvio linha média > 5 mm
  • GCS caindo > 2 pontos
  • PIC > 20 mmHg refratária

Contusão Hemorrágica

  • Volume > 20 cm³ em lobo temporal/frontal
  • GCS 6–8 + cisterna comprimida + desvio > 5 mm

HSA Traumática / LAD

  • HSA traumática isolada: conservador
  • LAD graus I-II: conservador
  • LAD grau III: UTI, sem cirurgia

A cirurgia no HED não espera GCS: EPI 30 corta — volume >30 cm³ é indicação absoluta mesmo com paciente acordado.

Farmacologia

Osmoterapia, Corticoide e Anticonvulsivantes

Manitol 20%

Dose: 0,25–1 g/kg bolus IV em 15–20 min
Repetir? A cada 6–8h se Osm <320
Cuidado: Hipotensão e hipovolemia

"Choque salgado; seco não manitola"

NaCl 3%

Dose: 150–250 mL bolus
Vantagem: Expande volemia + reduz PIC
Meta Na⁺: 145–155 mEq/L
Preferir em hipotensão associada

⚠️ Corticoide

CONTRAINDICADO no TCE (CRASH trial 2004). Dexametasona aumentou mortalidade em 14 dias.
Não confundir com CRASH-2 (ácido tranexâmico).

Anticonvulsivantes Profiláticos

Indicados em TCE grave (GCS ≤ 8): fenitoína 15–20 mg/kg ataque IV ou levetiracetam 1000 mg/dia por 7 dias.

⚠️ Não prolongar além de 7 dias — sem evidência de benefício para epilepsia tardia.

N4 Testing Effect

Quiz: Conduta TEC 2026

QUESTÃO 01 / M4

Paciente com TCE grave (GCS 6), PAS 85 mmHg e PIC 28 mmHg. Conduta PRIORITÁRIA?

AManitol 20% 1g/kg imediato
BRestaurar PAS ≥110 mmHg com SF 0,9% antes da osmoterapia
CHiperventilação com PaCO₂ 28 mmHg
DDexametasona 10 mg IV imediato
Correto! "Choque salgado; seco não manitola." Com PAS 85, o manitol pode provocar colapso. Primeiro: volemia.
❌ Com PAS 85 mmHg, o manitol agrava. Prioridade: restaurar pressão de perfusão cerebral.
⚠️ Corticoide CONTRAINDICADO no TCE. Não confunda com CRASH-2.
QUESTÃO 02 / M4

TC revela HED de 32 cm³ com GCS 14 e sem déficits focais. Conduta correta?

AObservação com TC seriada, pois GCS é bom
BCraniotomia imediata — volume >30 cm³ indica cirurgia independente do GCS
CManitol e aguardar piora neurológica
DCirurgia somente se GCS cair abaixo de 9
"EPI 30 corta" — volume >30 cm³ é indicação absoluta, mesmo com GCS preservado.
❌ Volume >30 cm³ no HED = cirurgia independente do estado neurológico.
⚠️ GCS bom com HED grande = falsa segurança. É a essência do intervalo lúcido.
QUESTÃO 03 / M4

Paciente com TCE grave recebe dexametasona pela equipe. Sua conduta:

AManter — reduz edema vasogênico
BSubstituir por metilprednisolona
CSuspender imediatamente — corticoide é contraindicado no TCE
DManter apenas se houver edema pericontusional na TC
Correto! CRASH trial: aumento de mortalidade em 14 dias com corticoide no TCE.
❌ CRASH trial: corticoide no TCE aumenta mortalidade. Contraindicado.
⚠️ CRASH trial (TCE) ≠ CRASH-2 (trauma hemorrágico). São estudos diferentes!
Dr. André Rossanno

Módulo 4 · TCE — Conduta · TEC 2026

Módulo 5 · TEC 2026

Casos Integradores:
Do Caos à Decisão

"Conhecer o TCE em partes forma o raciocínio; integrar cada parte no caos da emergência forma o médico."

Caso 01 · TCE Leve
O Anticoagulado que Não Pode Errar

Homem, 74 anos, rivaroxabana 20 mg/dia para FA. Queda da própria altura. GCS 15, sem perda de consciência. TC: normal. O plantonista decide alta.

🔍 Análise Crítica

Alta imediata é perigosa. Anticoagulados têm risco de sangramento tardio mesmo com TC normal (janela 24–72h). Conduta: Reversão se sangramento (andexanet alfa para anti-Xa). Observação 6–24h. Repetir TC em 6–12h.

"TC normal = alta segura" é errada no anticoagulado. O hematoma pode se formar horas após o trauma.

"Anticoagulado + TCE = TC certa, mas tempo incerto."

Caso 02 · HED Clássico
O Jovem que Acordou e Dormiu para Sempre

Homem, 22 anos, ciclista. GCS 12 no local, GCS 15 na triagem. 40 minutos depois: GCS 8, anisocoria direita, decorticação esquerda.

🔍 Diagnóstico e Conduta

HED arterial com intervalo lúcido. Ruptura da artéria meníngea média. TC: biconvexo hiperdensa à direita. Conduta: IOT imediata, manitol ou NaCl 3%, craniotomia de emergência. Anisocoria direita = hematoma à direita.

Pegadinha 1: "GCS 15 = sem urgência." O intervalo lúcido é a assinatura do HED arterial.
Pegadinha 2: "Anisocoria = hematoma contralateral." A pupila dilata IPSILATERAL ao hematoma.
Caso 03 · HSD Subagudo
O Idoso "Esquecido" que a TC Quase Perdeu

Mulher, 82 anos, anticoagulada. Confusão progressiva há 10 dias. GCS 13. TC: área isoatenuante ao parênquima, desvio de linha média 4 mm à direita.

🔍 Por que a TC "quase" perdeu?

HSD subagudo isodenso — fase 3–21 dias. A densidade do coágulo iguala-se ao parênquima. O desvio de linha média e apagamento de sulcos são as pistas. Solução: TC com contraste ou RM (FLAIR/T2).

"TC normal em idoso confuso = causa metabólica." HSD subagudo isodenso mimetiza TC normal. O desvio de linha média delata.

Caso 04 · Herniação em Andamento
A Tríade que Não Pode Esperar

Homem, 55 anos. TCE grave em politrauma. UTI: PIC 38 mmHg, PA 180/100, FC 48 bpm, respiração irregular.

🔍 Tríade de Cushing + Conduta

Tríade de Cushing = herniação em andamento. Sequência: 1. IOT → 2. Hiperventilação ponte → 3. Manitol 1g/kg ou NaCl 3% → 4. Neurocirurgia + TC emergência.

NÃO trate a hipertensão com anti-hipertensivo — é mecanismo compensatório para manter PPC!

Caso 05 · LAD
A TC "Normal" com Paciente em Coma

Jovem, 19 anos, motociclista em alta velocidade. GCS 5 desde o acidente. TC: "sem lesões focais, sem desvio, cisternas pérvias."

🔍 LAD — A Lesão Invisível

Lesão Axonal Difusa (LAD) — forças de aceleração-desaceleração rompem axônios. TC inicial frequentemente normal. Diagnóstico: RM SWI/DWI/FLAIR. Grau III (tronco) = pior prognóstico.

"GCS profundo + TC sem lesão focal = LAD" até prova em contrário. Solicitar RM urgente.

"A TC é inocente; o axônio não."

N4 Testing Effect

Quiz: Casos Integradores

QUESTÃO 01 / M5

No Caso 2 (jovem ciclista), localização do hematoma e lado da anisocoria:

AEsquerdo; anisocoria esquerda
BEsquerdo; anisocoria direita (Kernohan)
CDireito; anisocoria direita (herniação uncal ipsilateral)
DDireito; anisocoria esquerda
Correto! Herniação uncal comprime o III par ipsilateral. Midríase direita = hematoma à direita.
❌ Anisocoria na herniação uncal é ipsilateral ao hematoma. Kernohan é déficit motor, não pupilar.
⚠️ Kernohan = déficit MOTOR ipsilateral (falso localizador), não pupilar.
QUESTÃO 02 / M5

No LAD (Caso 5), qual sequência de RM é MAIS sensível para microhemorragias axonais?

AT1 com gadolínio
BFLAIR
CSWI (Susceptibility Weighted Imaging) ou GRE T2*
DDWI
Correto! SWI detecta depósitos de hemossiderina invisíveis em outras sequências.
❌ SWI/GRE T2* detectam susceptibilidade magnética das microhemorragias com maior sensibilidade.
QUESTÃO 03 / M5

No Caso 4 (Tríade de Cushing), sequência correta de ações imediatas:

ATC imediata → esperar resultado → discutir
BManitol → TC → IOT
CIOT → hiperventilação ponte → osmoterapia → neurocirurgia + TC urgência
DAnti-hipertensivos → IOT → TC
Correto! Via aérea primeiro. A hipertensão da Tríade NÃO deve ser tratada com anti-hipertensivo!
❌ A hipertensão na Tríade é compensatória — NÃO trate com anti-hipertensivo!
⚠️ Tratar a hipertensão da Tríade = abolir a última defesa cerebral = desastre.
Dr. André Rossanno

Módulo 5 · TCE — Casos Integradores · TEC 2026

OSCE · Cenário 1 · TEC 2026

O Jovem da Moto
e a Lente Mortal

"O caso clínico é o tribunal do conhecimento: nele, a GCS depõe, a pupila acusa, a TC mostra a arma e a conduta decide se o cérebro ainda terá futuro."

Cenário Inicial

Apresentação do Caso

🚨 Sala de Trauma — 23h47
Motociclista · 24 anos · Colisão frontal a 80 km/h

No local: GCS 14, vomitou 2×. Durante transporte: "ficou mais quieto." Na chegada: abre olhos ao chamado, fala palavras inapropriadas, retira ao estímulo doloroso.

GCS
9
E2V3M4
PAS/PAD
138/82
mmHg
FC
98
bpm
SpO₂
96%
AA
Pupila D
6mm
↓ fotorreação
Pupila E
3mm
fotorreativo
Temp
37.2°C
axilar
Glicemia
142
mg/dL
N6 Emoção/Narrativa

Linha do Tempo

T0
No local

GCS 14. Vômitos 2×. Cefaleia 8/10.

+15'
Transporte — deterioração

GCS estimado 11. "Ficou mais quieto."

+25'
Chegada — GCS 9

Anisocoria descoberta. Pupila D 6mm arreativa.

+30'
🚨 Janela crítica

Sem IOT: GCS cai para 6. Decorticação direita. Herniação em andamento.

Decisão
Intervalo de ouro = 30 minutos

IOT + manitol + TC emergência + neurocirurgia = único caminho.

Performance OSCE

Conduta Esperada vs Erros Críticos

✅ Conduta Correta Passo a Passo

Reconhecer deterioração + anisocoria = herniação iminente

IOT imediata com SRI (etomidato + succinilcolina ou rocurônio)

O₂ 100%, SpO₂ ≥ 95%, PaCO₂ 30–35 mmHg como ponte

Manitol 1 g/kg bolus IV OU NaCl 3% 250 mL

Acionamento IMEDIATO da neurocirurgia (não esperar TC)

TC emergência em paralelo

Craniotomia temporal direita descompressiva (hematoma >30 cm³)

Monitorar PIC no pós-operatório + metas fisiológicas UTI

❌ Erros Críticos que Reprovam no OSCE
Erro fatal 1: Aguardar TC antes de intubar com GCS ≤ 8 + herniação
Erro fatal 2: Não reconhecer anisocoria como sinal de herniação uncal
Erro fatal 3: Prescrever dexametasona (contraindicado no TCE)
Erro fatal 4: Tratar hipertensão com anti-hipertensivo
Erro fatal 5: Não acionar neurocirurgia com urgência
Avaliação

Checklist do Avaliador

Identifica deterioração neurológica e nomeia herniação iminente
2 pts
Solicita IOT com SRI (cita agente indutor + bloqueador)
2 pts
Estabelece meta SpO₂ ≥ 95% e PaCO₂ 30–35 mmHg como ponte
1 pt
Prescreve manitol 1g/kg bolus OU NaCl 3%
2 pts
Aciona neurocirurgia imediatamente (sem esperar TC)
2 pts
Solicita TC de crânio urgência em paralelo
1 pt
Interpreta TC: biconvexa, desvio linha média, compressão cisternas
2 pts
Indica craniotomia descompressiva (volume >30 cm³)
2 pts
NÃO prescreve corticoide — justifica (CRASH trial)
2 pts
Cita metas de UTI pós-operatória (PPC 60–70, PIC <20)
1 pt
Comunicação clara com examinador
1 pt
PONTUAÇÃO
0/20
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N7 Spaced Repetition

Flashcards: HED

Qual artéria é mais comumente lesada no HED?
clique para ver
Artéria meníngea média. Fratura do osso temporal (região pterional).
Gatilho cirúrgico no HED independente do GCS?
clique para ver
Volume > 30 cm³ → cirurgia INDEPENDENTE do GCS. "EPI 30 CORTA"
Por que a anisocoria no HED é IPSILATERAL ao hematoma?
clique para ver
O uncus hernia ipsilateralmente e comprime o III par do mesmo lado → midríase ipsilateral.
Defina intervalo lúcido e sua fisiopatologia.
clique para ver
Período de lucidez entre a perda inicial de consciência e deterioração secundária. O cérebro aguenta a expansão inicial; quando supera Monro-Kellie, deterioração súbita.
Dr. André Rossanno

OSCE Cenário 1 · HED · TEC 2026

OSCE · Cenário 2 · TEC 2026

O Politrauma Silencioso
TC quase normal, cérebro em apagão

"Dentro do crânio, não há espaço para descuido: quando oxigênio, pressão e perfusão falham, o silêncio do cérebro vira sentença."

Cenário Inicial

Apresentação do Caso

🚑 Politrauma · 02h15
Motociclista · 21 anos · Colisão frontal a 100 km/h

Capacete deformado. GCS 8 no local — SAMU intubou no campo. TC crânio: microhemorragia punctiforme na junção SB/SC frontal bilateral, sem desvio, cisternas pérvias. TC body: fratura de fêmur direito, contusão pulmonar leve.

PAS
88
mmHg
FC
118
bpm
SpO₂
91%
FiO₂ 50%
PaCO₂
44
mmHg
PPC*
~38
mmHg estimado
Temp
35.8°C
hipotermia leve
Glicemia
198
mg/dL
Lactato
4.2
mmol/L
Raciocínio

Por que este é LAD e não "trauma leve"?

TC "Quase Normal"

Microhemorragias punctiformes na junção SB/SC = assinatura do LAD grau II. Ausência de hematoma focal não significa lesão leve.

GCS 8 Pré-sedação

GCS 8 antes da sedação = TCE grave. O GCS real é o pré-sedação.

Choque Hemorrágico

PAS 88 + FC 118 + lactato 4,2 = choque classe III. Fratura de fêmur pode perder 1–2L.

Diagnóstico Final

LAD grau II + choque hemorrágico classe III. PPC estimada ~38 mmHg — abaixo do limiar de isquemia.

Pegadinha TEC 2026

A Armadilha do Manitol no Choque

⚠️ Por que NÃO dar manitol neste caso?

O manitol causa diurese osmótica intensa → reduz volemia → piora hipotensão → reduz PPC → agrava isquemia cerebral.

Conduta correta:

  • NaCl 3% — expande volemia + reduz osmolaridade cerebral
  • SF 0,9% para PAM > 80 mmHg
  • Vasopressor (norepinefrina) se necessário
  • Hemotransfusão se Hb < 10 g/dL (TCE grave)

"Choque salgado; seco não manitola"
Hipotensão → NaCl 3%. Normotenso → manitol.

🔴 Vilões fisiológicos ativos neste caso

Hipotensão

PAS 88 → PPC crítica → isquemia em andamento

Hipóxia

SpO₂ 91% → abaixo do limiar de lesão secundária

Hipercapnia

PaCO₂ 44 → vasodilatação → ↑PIC

Hiperglicemia

198 mg/dL → piora edema e isquemia neuronal

Performance OSCE

Conduta Correta Passo a Passo

Confirmar IOT e posição do TOT (capnografia + ausculta bilateral)

Ajustar ventilador: FiO₂ 100%, PEEP 5–8, VC 6 mL/kg, FR para PaCO₂ 35–40

Corrigir choque: SF 0,9% 500 mL bolus. Se persistir: norepinefrina. Meta PAM >80 mmHg.

NaCl 3% 150–250 mL (NÃO manitol no choque)

Hemotransfusão se Hb < 10 g/dL

Ortopedia: estabilização do fêmur para controle de sangramento

Solicitar RM urgência: SWI para classificar LAD

Anticonvulsivante profilático: levetiracetam 1000 mg/dia × 7 dias

Cabeceira 30°, temperatura normal, glicemia 140–180, Na⁺ 140–155

Monitorização neurológica contínua, família informada

Avaliação

Checklist do Avaliador

Identifica LAD como TCE grave (não "leve" pela TC)
2 pts
Ajusta ventilador para metas (SpO₂ ≥95%, PaCO₂ 35–40)
2 pts
Trata choque com SF + vasopressor (sem manitol em hipotensão)
2 pts
Usa NaCl 3% como osmoterapia no choque
2 pts
Solicita RM (SWI) para classificar LAD
2 pts
Cita anticonvulsivante profilático 7 dias
1 pt
Aciona ortopedia para controle do sangramento
2 pts
Cita todas as metas fisiológicas: glicemia, temperatura, Na⁺, PPC
1 pt
NÃO prescreve corticoide; justifica se questionado
2 pts
Explica fisiopatologia do LAD (forças de aceleração, ruptura axonal)
2 pts
PONTUAÇÃO
0/20
Selecione os itens acima
N5 Interleaving

Comparativo: HED vs LAD

CritérioHED — Cenário 1LAD — Cenário 2
MecanismoImpacto focalAceleração-desaceleração intensa
TCBiconvexa hiperdensa, desvioQuase normal ou microhemorragias punctiformes
GCSIntervalo lúcido → deterioração súbitaComa imediato sem intervalo lúcido
PupilaAnisocoria ipsilateral (III par)Pupilas normais inicialmente
Cirurgia?Sim — craniotomia (se >30 cm³)Não — tratamento clínico / UTI
OsmoterapiaManitol (se normotenso) ou NaCl 3%NaCl 3% (choque concomitante frequente)
Exame confirmadorTC crânio (biconvexo)RM SWI (microhemorragias axonais)
PrognósticoBom se operado a tempoGrau I melhor; Grau III pior
N7 Spaced Repetition

Revisão de 10 Segundos

Lesão secundária (hipóxia, hipotensão, hipertermia, hiperglicemia) — a segunda mata mais devagar mas com mais vítimas

GCS: leve 13-15, moderado 9-12, grave ≤8 — intubar se ≤8

HED: biconvexo, artéria meníngea média, intervalo lúcido. EPI 30 CORTA

HSD: côncavo-convexo, veia-ponte. Cirurgia se >10mm ou desvio >5mm

LAD: TC quase normal + coma = LAD. RM SWI. Sem cirurgia.

PPC = PAM − PIC → meta 60–70 mmHg. Prioridade: volemia.

Manitol em choque: NÃO. → NaCl 3%

Corticoide no TCE: NUNCA. CRASH trial = aumento de mortalidade.

Anticonvulsivante: profilático 7 dias no TCE grave. Não prolonga.

Dr. André Rossanno

TCE Completo · Módulos 4, 5 & OSCE · TEC 2026

Método André Rossanno de Memorização Médica · N1–N7