LEITURA SISTEMÁTICA DA TC NO TCE · TEC 2026

LUCAS

Método rápido, visual e seguro para interpretar a tomografia de crânio no traumatismo cranioencefálico. Antes de procurar apenas "sangue", o LUCAS obriga o aluno a avaliar pressão, espaço, massa, edema e osso.

L — Linha média U — Uncus / cisternas C — Coleções A — Arquitetura cerebral S — Skull / Suturas / Seios
Linha média
Coleção
Cisternas

🧠 Leitura sistemática: do centro do cérebro até a muralha óssea.

L📍

Linha média

Veja se o cérebro está centrado. Desvio da linha média sugere efeito de massa, compressão intracraniana e risco de deterioração neurológica.

O que procurar:
  • desvio do septo pelúcido;
  • compressão ventricular;
  • assimetria dos hemisférios;
  • empurrão do parênquima por hematoma ou edema.

🧠 Imagem mental: o mastro do cérebro entortou.

U🚨

Uncus e cisternas

Observe as cisternas basais, o espaço ao redor do tronco e sinais de herniação uncal. Cisternas apagadas significam que o cérebro está ficando sem espaço.

O que procurar:
  • cisternas basais comprimidas ou ausentes;
  • apagamento perimesencefálico;
  • assimetria ao redor do tronco;
  • sinais indiretos de herniação uncal.

🧠 Imagem mental: o fosso ao redor do tronco secou.

C🩸

Coleções

Procure sangue e identifique o compartimento. A pergunta não é só "tem sangue?", mas onde está o sangue e quanto espaço ele ocupa?

O que procurar:
  • epidural: biconvexo / lenticular;
  • subdural: crescente / foice;
  • HSA traumática: sangue em sulcos e cisternas;
  • contusão: focos hemorrágicos no parênquima;
  • intraventricular: sangue nos ventrículos.

🧠 Imagem mental: onde está o invasor vermelho?

A🏰

Arquitetura cerebral

Avalie se a arquitetura interna está preservada. Edema, sulcos apagados e ventrículos comprimidos mostram que o cérebro está inchando dentro de uma caixa rígida.

O que procurar:
  • edema difuso;
  • sulcos apagados;
  • ventrículos pequenos ou comprimidos;
  • perda da diferenciação córtico-subcortical;
  • apagamento de espaços liquóricos.

🧠 Imagem mental: o castelo está inchando por dentro.

S🦴

Skull / Suturas / Seios

Depois do parênquima, passe para a janela óssea. Procure fraturas, pneumoencéfalo, hemossinus e sinais de fratura de base.

O que procurar:
  • fratura linear;
  • afundamento craniano;
  • fratura temporal;
  • fratura de base;
  • hemossinus;
  • pneumoencéfalo.

🧠 Imagem mental: olhar a muralha do castelo.

📌 Como usar o LUCAS na prática

  1. L — Primeiro olhe a linha média: está centrada ou desviou?
  2. U — Depois observe uncus e cisternas: estão abertas ou apagadas?
  3. C — Procure coleções hemorrágicas: onde está o sangue?
  4. A — Analise a arquitetura cerebral: há edema, sulcos apagados ou ventrículos comprimidos?
  5. S — Por fim, examine o osso: há fratura, hemossinus ou pneumoencéfalo?

⚡ Versão ultra-rápida

L — Linha média: desviou?
U — Uncus/cisternas: apagou?
C — Coleções: sangrou onde?
A — Arquitetura: inchou?
S — Skull/suturas/seios: fraturou?

"Na TC do TCE, LUCAS procura: o mastro, o fosso, o sangue, o inchaço e a muralha."
Dr. André Rossanno

A Regra das Densidades na TC

Antes de identificar lesões, você precisa dominar a linguagem da TC: as densidades.

Branco (hiperdenso) → Sangue agudo, osso, calcificação
Cinza (isodenso) → Parênquima cerebral normal
Preto (hipodenso) → Ar, líquor, edema, lesão crônica
"Sangue novo brilha; sangue velho escurece."

Subdural: agudo=branco | subagudo=cinza (armadilha!) | crônico=preto

Subdural subagudo isodenso: a densidade iguala-se ao parênquima e o hematoma "desaparece" na TC. Os "móveis arrastados" denunciam: sulcos apagados unilateralmente, desvio discreto da linha média, assimetria hemisférica.

Padrões Tomográficos no TCE

🩸 Hematoma Epidural

Biconvexo entre osso e dura. Artéria meníngea média. Não cruza suturas. Intervalo lúcido clássico.

EPI 30 corta
Volume >30cm³ = cirurgia independente do GCS

🌙 Hematoma Subdural

Crescente/foice entre dura e aracnoide. Veias-ponte. Pode cruzar suturas. Idosos e anticoagulados.

SUB 10 ou 5
Espessura >10mm ou desvio >5mm = cirurgia

🔥 Contusão Cerebral

Focos hemorrágicos no parênquima. Frontal/temporal. Coup e contrecoup. Pode "florescer" em 24-72h.

"Flor de hematoma" — TC de controle em 24h se instabilidade clínica.

🖌 HSA Traumática

Sangue em sulcos e cisternas. Contexto de trauma. Diferente da HSA aneurismática (cisternas basais exuberantes).

"Tinta nos sulcos"

💡 LAD — Lesão Axonal Difusa

TC pode ser NORMAL! Microhemorragias punctiformes em SB, corpo caloso, tronco. RM SWI é muito mais sensível.

Coma desproporcional à TC = LAD até prova em contrário. Solicitar RM urgente.

Classificação de Marshall

"Fosso, Mastro, Massa"

Fosso apagou (cisternas comprimidas) = III · Mastro entortou (desvio >5mm) = IV · Massa: evacuada=V | não evacuada=VI

I
DIFUSA I

TC normal. Castelo aparentemente intacto.

II
DIFUSA II

Cisternas presentes, desvio 0-5mm, sem lesão >25mL.

III
SWELLING

Cisternas comprimidas/ausentes, desvio 0-5mm.

IV
SHIFT

Desvio >5mm. O mastro entortou.

V
MASSA EVACUADA

Lesão expansiva cirurgicamente evacuada.

VI
MASSA NÃO EVACUADA

Lesão hiperdensa ou mista >25mL não evacuada.

Marshall III ≠ desvio grande. Marshall III: cisternas apagadas + desvio 0-5mm (swelling). Desvio >5mm = Marshall IV (shift). Não confunda!

Flashcards — LUCAS

O que avalia o "L" do LUCAS?
toque para revelar
Linha média — desvio do septo pelúcido, assimetria hemisférica. Desvio >5mm = efeito de massa significativo.
Cisternas apagadas na TC indicam o quê?
toque para revelar
Pressão intracraniana elevada e risco de herniação. O fosso ao redor do tronco secou — Marshall III.
Forma biconvexa na TC — qual o diagnóstico?
toque para revelar
Hematoma Epidural — "EPI é LENTE". Entre osso e dura. Artéria meníngea média. Não cruza suturas.
GCS 5 + TC quase normal. O que suspeitar?
toque para revelar
LAD (Lesão Axonal Difusa) — TC pode ser normal no LAD. Solicitar RM com SWI/DWI. "A TC é inocente; o axônio não."
Marshall III vs IV — diferença principal?
toque para revelar
III: cisternas apagadas + desvio ≤5mm (fosso secou)
IV: desvio >5mm (mastro entortou)

Quiz — LUCAS e Imagem

Questão 01
Ao aplicar o LUCAS, qual é a primeira estrutura a avaliar?
ALinha média — verificar se está centrada ou desviou
BColeções hemorrágicas — procurar sangue primeiro
CSkull — verificar fraturas na janela óssea
DArquitetura cerebral — avaliar edema difuso
Correto! O L de LUCAS é sempre o primeiro passo. A linha média orienta toda a leitura — desvio indica efeito de massa e prioriza a busca pela lesão.
❌ No LUCAS, a ordem é L-U-C-A-S. Primeiro a linha média, depois cisternas, depois coleções, arquitetura e por último o osso.
Questão 02
TC mostra cisternas basais apagadas com desvio de linha média de 3mm. Classificação de Marshall:
AMarshall II
BMarshall IV
CMarshall III
DMarshall V
Correto! Marshall III = cisternas apagadas + desvio 0-5mm. O "fosso" ao redor do tronco secou, mas o "mastro" ainda não entortou muito.
❌ Cisternas apagadas + desvio ≤5mm = Marshall III (swelling). Desvio >5mm seria Marshall IV (shift).
Questão 03
TC mostra coleção hiperdensa em forma de crescente acompanhando o contorno cerebral. Diagnóstico:
AHematoma epidural
BHematoma subdural agudo
CHSA traumática
DLAD
Correto! Crescente/foice = subdural. "SUB é SABRE". O epidural é biconvexo (lenticular). O subdural acompanha o contorno cerebral e pode cruzar suturas.
❌ Crescente = subdural. Biconvexo = epidural. "EPI é LENTE, SUB é SABRE".
Questão 04
No "S" do LUCAS, qual janela tomográfica deve ser utilizada?
AJanela de parênquima cerebral
BJanela óssea
CJanela de tecidos moles
DJanela pulmonar
Correto! O S (Skull/Suturas/Seios) exige janela óssea. É um erro comum terminar a leitura da TC sem trocar para a janela óssea — fraturas lineares e de base podem ser invisíveis na janela de parênquima.
❌ Para avaliar osso no LUCAS, a janela óssea é obrigatória. A janela de parênquima não permite identificar fraturas lineares.
Questão 05
Idoso com queda, confusão progressiva há 2 semanas. TC mostra área isoatenuante ao parênquima com leve desvio de linha média. Diagnóstico provável:
AHematoma epidural agudo
BLAD grau III
CHematoma subdural subagudo isodenso
DHSA aneurismática
Correto! HSD subagudo isodenso — o "fantasma cinza". Fase 3-21 dias: densidade iguala-se ao parênquima. Os "móveis arrastados" denunciam: sulcos apagados unilateralmente + desvio discreto + assimetria hemisférica.
❌ Isodenso em idoso com queda semanas atrás = HSD subagudo. A isodensidade é a armadilha clássica. O desvio de linha média é a pista que delata o "fantasma cinza".
Dr. André Rossanno
LUCAS · TC no TCE · TEC 2026 · Método André Rossanno de Memorização Médica · N1–N7